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Rejeitada Pelo Meu Chefe Alfa

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Blurb

"O laço de alma deveria ser uma bênção, mas para mim, foi uma sentença de morte executada em um terno sob medida de três peças."​Eu passei dois anos sendo a assistente invisível na Greyson Financial, no topo de um arranha-céu na névoa fria de Londres. Meu único trabalho era não chamar atenção, esconder o fato de ser uma loba sem matilha e sobreviver. Até o dia em que deixei um relatório na mesa de Ethan Greyson.​Ele é o CEO da empresa, o Supremo Alfa da Europa e o homem mais impiedoso que já caminhou sobre a Terra. Quando nossos olhares se cruzaram, o ar sumiu dos meus pulmões. O cheiro de tempestade e hortelã dele invadiu meus sentidos, e o uivo do meu lobo interior confirmou o impossível: Ele era meu. E eu era dele.​Mas o choque nos olhos cinzentos de Ethan não era de amor. Era de puro asco.​Sem hesitar por um segundo, ele caminhou até mim, prendeu meu queixo com os dedos de aço e sussurrou perto dos meus lábios, com uma voz que fez meu sangue congelar:— Você? Uma loba fraca, quebrada e insignificante? Eu prefiro arrancar meu próprio coração a aceitar você como minha Luna. Eu, Ethan Greyson, rejeito você.​A dor física do laço sendo rasgado me pôs de joelhos. Eu chorei, eu sangrei por dentro enquanto ele me olhava de cima, frio e intocável. Naquela mesma noite, recolhi os pedaços da minha dignidade, peguei um voo para longe de Londres e jurei que o Supremo se arrependeria de cada palavra.​Três anos depois.​Eu mudei. Meu corpo mudou, meu poder despertou e eu aprendi a jogar o jogo dos monstros. Agora, sou a negociadora implacável de uma multinacional rival. Quando as portas da sala de reuniões de Ethan se abrem e eu entro, vestindo um vestido vermelho fatal que abraça minhas curvas e saltos que ecoam como um aviso, eu vejo o exato momento em que o mundo dele desaba.​O cheiro dele mudou; está desesperado, faminto. O lobo dele reconhece a companheira que ele jogou no lixo, e a possessividade selvagem dele faz as janelas de vidro tremerem. Ethan me quer de joelhos, me quer na cama dele, implora pelo meu toque.​Mas eu não sou mais a assistente assustada. Agora, quem dita as regras sou eu. E se ele quiser o meu perdão, vai ter que rastejar por ele.

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Eu prefiro arrancar meu próprio coração com as minhas próprias mãos a aceitar você.
​A névoa fria de Londres parecia se infiltrar diretamente através dos vidros duplos do octogésimo andar da Greyson Financial. Da minha mesa, posicionada estrategicamente na antecâmara da presidência, eu tinha uma visão privilegiada do horizonte cinzento e do topo do The Shard, que arranhava as nuvens carregadas de chuva. Mas eu raramente olhava para fora. Olhar para longe significava se distrair, e distração era um luxo que uma loba sem matilha e de linhagem baixa como eu não podia se dar. ​Para o mundo dos humanos, a Greyson Financial era apenas uma das maiores e mais agressivas empresas de investimento da Europa. Para o nosso mundo, o mundo dos metamorfos, ela era o centro do poder. A sede da alcateia que comandava todo o continente. E eu? Eu era apenas Evelyn, a assistente invisível. Aquela que organizava planilhas, servia o café no ponto exato e garantia que nenhum papel estivesse fora do lugar antes que o monstro entrasse no recinto. ​Ajeitei os óculos de grau falso no rosto e puxei o coque apertado no topo da minha cabeça, garantindo que nenhum fio castanho estivesse solto. Eu usava roupas de tons sóbrios, saias cinzentas que batiam abaixo do joelho e blusas fechadas até o pescoço. Minha meta diária era simples: ser um pedaço de mobília útil. Se os lobos de alta linhagem que circulavam por aqueles corredores — exalando poder, status e perfumes caros — não notassem a minha presença, eu estava segura. Lobos dominantes tendiam a esmagar os mais fracos por puro esporte. ​O bipe sutil do meu computador ecoou, quebrando o silêncio fúnebre do andar executivo. Era uma notificação do sistema interno de segurança. Ele havia chegado. ​Meu estômago despencou, uma reação puramente instintiva que eu compartilhava com a minha loba interior, que naquele momento estava encolhida e silenciosa no fundo da minha mente. O elevador privativo se abriu com um som quase imperceptível. ​Ethan Greyson cruzou o corredor. ​Mesmo após dois anos trabalhando ali, ver o Supremo Alfa da Europa Continental caminhar era uma experiência de quase morte. Ele não andava; ele reivindicava o espaço. Vestindo um terno de três peças cinza-escuro, costurado sob medida que moldava perfeitamente seus ombros largos e sua postura imponente, ele emanava uma aura de opressão tão densa que o ar ao redor parecia congelar. Seu rosto parecia esculpido em mármore por um artista c***l: maxilar angular coberto por uma barba por fazer perfeitamente aparada, lábios firmes que raramente se curvavam em algo que não fosse um sorriso de escárnio, e cabelos escuros levemente desalinhados. ​Mas eram os olhos dele que faziam qualquer um vacilar. Um tom de cinza tão claro e gélido que parecia capaz de ler os seus segredos mais sombrios apenas com um vislumbre. ​Ele passou pela minha mesa sem sequer desviar o olhar. Ele nunca desviava. Para Ethan Greyson, eu tinha o mesmo valor que o carpete sob seus sapatos de grife. O cheiro dele, no entanto, atingiu meus sentidos como uma onda de choque: tempestade iminente, madeira escura e um toque cortante de hortelã. Era um aroma puramente dominante. ​— Evelyn — a voz dele ecoou de dentro da sala principal, profunda, rouca e carregada com o peso do comando de um Alfa. — Traga o relatório de auditoria da fusão com os franceses. Agora. ​— Sim, senhor Greyson — respondi, minha voz saindo baixa e controlada, a personificação da eficiência. ​Peguei a pasta de couro preta que já estava separada sobre a minha mesa. Meu coração batia num ritmo acelerado, mas forcei minhas mãos a não tremerem. Eu já tinha feito aquilo dezenas de vezes. Entrar, deixar os papéis na mesa dele, receber um aceno frio de cabeça e sair. Era uma coreografia ensaiada. ​Aproximei-me das enormes portas de madeira escura e bati duas vezes. Ao ouvir o rosnado baixo que servia como permissão, empurrei a porta e entrei no santuário do Supremo. ​A sala dele era imensa, cercada por paredes de vidro que mostravam a tempestade que finalmente começava a desabar sobre Londres. Ethan estava de pé, de costas para mim, observando as gotas de chuva baterem contra o vidro. Suas mãos estavam enterradas nos bolsos da calça do terno. A tensão nos ombros dele indicava que o dia estava sendo difícil. As negociações com as matilhas francesas eram notoriamente complicadas. ​— Deixe sobre a mesa — ele ordenou, sem se virar. ​Caminhei a passos firmes e silenciosos sobre o tapete felpudo. Coloquei a pasta exatamente no centro da mesa de mogno polido. Dei um passo para trás, preparando-me para fazer a minha reverência habitual e me retirar. ​Foi exatamente nesse milésimo de segundo que tudo mudou. ​Uma lufada de vento do sistema de ventilação mudou a direção do ar na sala. O meu aroma, por mais disfarçado e fraco que fosse, viajou até ele. Ao mesmo tempo, Ethan se virou abruptamente, pretendendo me dar mais alguma ordem de última hora. ​Nossos olhares se cruzaram. Direto. Sem barreiras. ​O mundo parou. O som da chuva contra o vidro desapareceu, substituído por um zumbido ensurdecedor nos meus ouvidos. O ar sumiu dos meus pulmões com tanta violência que soltei um arquejo audível. Dentro do meu peito, algo que estava adormecido há vinte e três anos despertou com um rugido selvagem. Minha loba, sempre tão tímida e assustada, arranhou as paredes da minha consciência, uivando em uma mistura de êxtase e pura submissão. ​Um choque elétrico, quente e devastador, viajou pela minha espinha, irradiando para cada célula do meu corpo. O cheiro de tempestade e hortelã dele explodiu ao meu redor, não mais como uma ameaça, mas como um chamado. Meu corpo inteiro clamava para dar um passo à frente, para me inclinar na direção dele, para ser envolvida por aqueles braços. ​Companheiro. A palavra ecoou na minha mente com a força de um trovão. Ethan Greyson é o meu companheiro predestinado. ​Olhei para ele, com os olhos arregalados, o coração martelando contra as minhas costelas como um animal enjaulado. Eu esperava ver o mesmo choque nos olhos dele. Esperava ver a barreira de gelo derreter, ver o Alfa Supremo reconhecer a sua Luna, a sua outra metade, o milagre que a Deusa da Lua reservava para cada um de nós. ​Ethan estava estático. Suas pupilas estavam dilatadas, transformando seus olhos cinzentos em duas poças de escuridão total. Suas garras ameaçaram romper a ponta dos dedos por um breve segundo, e o peito dele subia e descia em uma respiração pesada, faminta. O lobo dele havia reconhecido o laço. Não havia dúvidas. ​Mas então, a transformação aconteceu bem diante dos meus olhos. ​O choque na expressão de Ethan não se transformou em aceitação ou calor. Transformou-se em puro asco. Os cantos de sua boca se curvaram para baixo em uma linha de profundo desprezo. Ele olhou para mim, varrendo os olhos pelo meu terno cinza sem graça, pelos meus óculos falsos, pela minha postura encolhida. Ele viu a loba sem matilha, a assistente insignificante, o elo mais fraco da corrente. ​Ele deu um passo à frente. A opressão que ele emanava agora não era apenas profissional; era uma força física que me empurrou para trás. Minhas costas bateram contra a parede de vidro da sala. O frio do vidro atravessou o tecido da minha blusa, mas não era nada comparado ao gelo que começava a se formar no meu coração. ​Ethan parou a poucos centímetros de mim. Ele era tão alto que me forçava a inclinar a cabeça para trás para encará-lo. Ele ergueu a mão direita. Por um instante de pura ilusão, achei que ele fosse acariciar meu rosto. Em vez disso, seus dedos de aço fecharam-se em torno do meu maxilar, prendendo meu queixo em um aperto firme, quase doloroso. ​Ele inclinou o rosto, aproximando os lábios do meu ouvido. O calor do seu hálito de hortelã contrastava com a frieza de suas palavras. ​— Você? — ele sussurrou, e sua voz continha uma mistura de fúria e nojo que me rasgou por dentro. — Uma loba fraca, quebrada, uma rejeitada da sociedade que limpa a minha mesa? A Deusa da Lua só pode estar zombando da minha cara. ​— S-Senhor... — tentei falar, mas o aperto no meu queixo se intensificou, calando-me. Lágrimas de humilhação e dor física começaram a arder nos meus olhos, mas me recusei a deixá-las cair. ​— Olhe para você, Evelyn — ele continuou, afastando o rosto apenas o suficiente para que eu pudesse ver o brilho c***l em seus olhos cinzentos. — Você acha mesmo que eu colocaria uma criatura insignificante como você no trono ao meu lado? Você acha que a Europa respeitaria um Supremo cuja Luna não consegue sequer sustentar o olhar de um Alfa de elite? Eu prefiro arrancar meu próprio coração com as minhas próprias mãos a aceitar você. ​O mundo pareceu desabar sob os meus pés. A rejeição estava vindo. Eu podia sentir o acúmulo de energia alfa na voz dele. O laço de alma, que havia acabado de nascer entre nós, começou a vibrar em agonia, como uma corda prestes a ser esticada além do seu limite. ​— Não faça isso... — implorei em um sussurro moribundo. Não era por mim, era pela dor que eu sabia que viria. A rejeição de um companheiro era o equivalente a ter a alma rasgada ao meio. ​Ethan não teve piedade. Ele soltou meu queixo com um empurrão desdenhoso, deu um passo para trás e estufou o peito. Quando ele falou, usou a Voz do Comando Supremo, aquela que dobra os joelhos de exércitos inteiros. ​— Eu, Ethan Greyson, Supremo Alfa da Europa Continental, rejeito você, Evelyn, como minha companheira e minha Luna. Você não é nada para mim. Nunca será. ​As palavras foram como lâminas incandescentes cravadas diretamente no meu peito. ​O laço de alma estalou. Uma dor agonizante, visceral e avassaladora explodiu no meu peito. Senti como se minhas costelas estivessem sendo quebradas uma a uma, como se o meu lobo interior estivesse sendo sufocado até a morte. Soltei um grito sufocado, minhas pernas cederam e eu caí de joelhos no chão daquela sala luxuosa. ​Apoiei as mãos no tapete, arquejando, sentindo o gosto metálico de sangue na minha boca. Minha loba soltou um uivo de dor tão dilacerante dentro da minha cabeça que achei que fosse enlouquecer. O laço que deveria nos unir havia sido transformado em uma cicatriz sangrenta. ​Lá de cima, Ethan me olhava. Não havia uma gota de arrependimento em sua expressão de mármore. Havia apenas uma frieza calculista. Ele deu a volta na mesa, sentou-se em sua cadeira de couro e puxou a pasta de relatórios que eu havia acabado de entregar, como se nada tivesse acontecido. Como se ele não tivesse acabado de destruir a minha existência. ​— Você está dispensada, Evelyn — ele disse, sem sequer olhar para mim. — E limpe o chão ao sair. Suas lágrimas estão manchando o tapete. ​A dor era insuportável, mas o comentário dele acendeu uma faísca diferente no meio daquela destruição. Uma faísca de puro, límpido e violento ódio. ​Engoli o sangue que subia pela minha garganta. Usando cada gota de força que ainda me restava, forcei minhas pernas trêmulas a se esticarem. Fiquei de pé. Recusei-me a limpar o rosto. Recusei-me a dar a ele o prazer de me ver rastejar mais do que o laço já havia me forçado. ​Olhei para o homem sentado atrás daquela mesa. O homem que deveria ter sido meu protetor, meu amante, meu porto seguro. ​— Sim, senhor Greyson — a minha voz saiu trêmula, mas firme o suficiente para cortar o ar. ​Virei-me de costas e caminhei em direção à porta. Cada passo parecia que eu estava pisando em vidro quebrado, a dor da rejeição reverberando por todo o meu corpo. Saí da sala da presidência, fechei as grandes portas de madeira atrás de mim e caminhei direto para a minha mesa. ​Eu não peguei minhas coisas. Não arrumei gavetas. Apenas peguei minha bolsa e o meu casaco. Eu não passaria mais um segundo naquele lugar. Não seria a assistente invisível de um monstro. ​Caminhei até o elevador. Enquanto as portas de metal escovado se fechavam, olhei para a placa dourada que ostentava o nome Greyson Financial. ​Ele acha que me quebrou, pensei, enquanto o elevador começava a descer em alta velocidade, deixando o Supremo e sua crueldade para trás. Ele acha que sou insignificante. ​Naquela mesma noite, eu estaria em um voo para bem longe de Londres. Eu iria recolher cada pedaço da minha alma sangrenta. Iria treinar, iria crescer, iria descobrir o poder que sempre escondi do mundo. Ethan Greyson havia me rejeitado porque me achava fraca. ​Mas eu jurei, para a Deusa da Lua e para mim mesma, que o Supremo ainda iria se ajoelhar diante da loba que ele jogou no lixo. E o preço pelo arrependimento dele seria a sua própria destruição.

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