Doces Assistentes Sociais e Namorados Vingativos

2212 Words
Yoongi estava nervoso. A Assistente Social bisbilhotava tudo em sua casa, desde a porta de entrada até sua gaveta de meias, fazendo sempre anotações em seu misterioso caderninho, e o pior de tudo era aquela expressão enigmática, não lhe dava nenhuma pista sequer do que ela pensava. Yoongi estava quase tendo um treco, e o pior de tudo era não ter Hoseok ali para lhe algum apoio que fosse. Ele estava fazendo uma ponte de safena em um paciente e não poderia sair do trabalho naquele momento. Aquilo tudo era uma droga, o mundo estava conspirando contra ele, como se tudo e todos quisessem o ver nervoso e roendo as unhas já curtas. — Terminei a avaliação com a casa, agora gostaria de fazer algumas perguntas. — a mulher sorriu gentilmente, um sorriso que chegava a ser assustador se misturasse com a cena muda até então. Os dois agora encontravam-se sentados um diante do outro, Yoongi na poltrona e a mulher no sofá, ao lado de uma bolsa gigante centenas de papeis. O Min jamais entenderia qualquer coisa escrita ali, mas o papel de maior interesse ainda estava sobre o colo da mesma, e por mais que se esticasse para ler algo, não conseguia ver nada. Estava enlouquecendo, essa era a realidade. Por fora calmo, por dentro um vulcão entrava em erupção. — Então, Sr. Min, eu já tenho todas as informações sobre seu trabalho e vida jurídica. — ela começou — Sei que paga seus impostos e tenho que parabeniza-lo por ser um cidadão cumpridor das leis. Mas agora, preciso saber mais da sua vida pessoal. Yoongi afirmou com a cabeça, estava tão nervosa que um gato já tinha comido sua língua. — O senhor tem algum vício? — Não. — Costuma frequentar festa ou algo do tipo? — Raramente saio de casa. — Tem um bom relacionamento com sua família? Essa era a pergunta que teria que driblar, não poderia falar a verdade assim de cara, mas também não poderia mentir. Yoongi não tinha mais nenhum contato com sua família, depois que assumiu para seus pais sua homossexualidade eles o expulsaram de casa e cortaram todas as relações, já faziam mais de 10 anos que Yoongi não via sua família. Para eles, ele estava morto. — Eles moram em outra cidade, não temos muito contato. — foi a melhor resposta que conseguiu dar, e torcia para que ela não notasse o tamanho de sua insegurança ao responder. Mas era o máximo que conseguiria ocultar. — Está em algum relacionamento no momento? Como tocar naquele assunto? Yoongi sabia como era ter que lidar com o preconceito das pessoas, ainda mais quando se tratava de problemas jurídicos. A partir do momento que aquela mulher descobrisse que ele era homossexual as coisas mudariam drasticamente. E agora estava entre a cruz e a espada, tinha que escolher entre a mentira e a verdade. Se mentisse, se pouparia do preconceito, mas se falasse a verdade, teria que lidar com os maus olhos. Mas e quanto a Minhyuk? Precisava pensar nele naquele momento, aquela mulher poderia muito bem lhe dar uma falsa avaliação apenas para o fazer perder a guarda do garoto, se aquela mulher fosse como a maioria dos membros de sua família, não hesitaria em lhe fazer algum m*l apenas por puro preconceito. Precisava pensar em Minhyuk. Hoseok que o perdoasse. — Não, estou solteiro. — Ótimo. — ela pareceu se animar pela primeira vez. E Yoongi sabia que aquilo poderia significar interesse da parte dela, acertou em ter mentido, ela certamente descontaria sua decepção na avaliação. Precisava fingir corresponder seu interesse. Faria tudo por Minhyuk, absolutamente tudo. — Bem, me parece que sua primeira avaliação foi boa, sua casa aparentemente é bem segura para hospedar uma criança. — ela dizia enquanto organizava seus papeis dentro da bolsa — E aquele quartinho daria um ótimo quarto para ele. A mulher se pôs de pé, estendeu sua mão em direção ao Min, que a apertou e sorriu gentil, agradecendo mentalmente por ela estar indo embora. — Estarei fazendo algumas avaliações surpresa durante o restante dessa semana, tanto aqui quanto no seu trabalho, o juizado quer ter certeza de que o senhor está em condições financeiras, mentais e sociais para dar uma boa criação para Minhyuk, ele passou por coisas horríveis e precisa de alguém que lhe dê amor. Ela estava certa, Minhyuk precisava de todo o amor do mundo, e se dependesse de Yoongi, ele teria esse amor. Queria ter Minhyuk em casa o mais rápido possível, e não mediria esforços para que esse dia chegasse o mais rápido possível. Amava tanto aquele garoto. — Darei todo o amor que ele precisa. — foi a resposta mais convicta que Yoongi deu naquela manhã. — Tenha um bom dia, Sr. Min. — e depois disto ela caminhou em direção a porta, Yoongi a acompanhou apenas com os olhos, de pé, observando enquanto parte de seu terror ia embora — Ah, e se precisar de ajuda para decorar o quarto do garoto, estou à inteira disposição. Sustentou seu sorriso falso por mais três segundos, até ouvir o barulho da porta se fechando. Ela foi embora. — Finalmente!   [...]   — E agora ela tá me olhando toda atirada como se fosse ter alguma chance comigo! Yoongi desabafava com Kihyun, estava louco para contar pra alguém como havia sido sua avaliação com a assistente social, e como só veria Hoseok à noite, Kihyun seria sua vítima, e como o Yoo adorava uma fofoca, era todo ouvidos para saber tudinho do que havia acontecido. Nem estavam mais trabalhando, os dois pareciam duas comadres ao lado da cafeteira. — Não quero contar pro Hoseok que tive que mentir. — Mas se ele descobrir por outro meio será ainda pior. — eram raros os momentos em que Kihyun falava alguma coisa com razão, e infelizmente aquele era um desses momentos. Se Hoseok descobrisse por qualquer outro meio acabaria em uma grande discussão, choradeira e alguém ameaçando terminar o que m*l havia começado. Mentir nunca era a saída, e por mais que encurtasse o caminho, acabaria sempre dando em uma grande porta fechada. E a porta fechada no caso era o Hoseok se chatear. — Mas ele só vai descobrir se você contar. Talvez Yoongi não fosse muito bom em encobrir mentiras, ou não fosse acostumado a mentir. Já deveria saber que quando se mente, uma hora a verdade acaba aparecendo, de um jeito ou de outro, nem que fosse em sinal de fumaça, a verdade seria jogada em suas fuças. — Namorados são assim, Yoongi, você não precisa contar para que eles descubram. — Kihyun estava falando mais para si mesmo do que para Yoongi — E uma hora Hoseok vai ficar sabendo disso, você querendo ou não. Yoongi não queria ter que ficar sob o fantasma da mentira, principalmente por ser péssimo nessas coisas. Mentir nunca foi o seu forte, e não era agora que passaria a ser. O restante do dia se resumiu no Min roendo as próprias unhas e olhando para o relógio, Hoseok iria busca-lo no fim do expediente. Teria que ter muita cara de p*u para ficar cara a cara com seu namorado e ocultar a parte que dizia que era solteiro. Mas e se ele perguntasse? Hoseok poderia muito bem perguntar se ela havia feito perguntas sobre os relacionamentos de Yoongi. Com que cara mentiria? Estava perdido! Precisava falar para ele. Já estava na hora de ir embora, e assim como o planejado Hoseok o esperava do lado de fora. Yoongi entrou no carro e pôs o cinto de segurança. Ficou olhando para frente esperando que o carro desse partida. Mas nada aconteceu. Olhou para o lado e deu de cara com Hoseok o encarando com expectativa. Tirou o cinto de segurança e esticou-se até alcançar seus lábios e o beijou por dois segundos, se afastando logo em seguida. — Vamos? — sorriu amarelo. — Não me enrola não, Yoongi, conta logo como foi a visita da assistente. Outro sorriso amarelo. Yoongi ajeitou seu cinto novamente. Olhou para seu namorado com a face mais neutra possível, se fosse pra mentir, mentiria logo de uma vez. — Foi boa. — começou — Na verdade, foi ótima, ela disse que a casa era bastante segura para se criar uma criança. Hoseok ficou feliz. — Ela reagiu bem quando descobriu que você é gay? Mas que merda! Hoseok não podia ter feito essa pergunta, ferrada com todos os planos do Min, ele só queria ocultar a mentira, e não mentir por cima. Droga, Hoseok! E agora? Se antes era a cruz, agora era a espada. E merda! O olhar de Hoseok não o deixava mentir. Como se mente olhando nos olhos de quem se ama? — Ela não tocou nesse assunto. Esse era seu limite, se o Jung perguntasse mais alguma coisa se entregaria, choraria e passaria o dia inteiro pedindo desculpas. Por que mentir era algo tão difícil assim para ele? Todos faziam isso tão bem. Por que não conseguia? E com Hoseok parecia ser ainda mais difícil. Ele não tinha acreditado. Estava escrito na testa de Yoongi que ele estava mentindo, Hoseok sabia que havia algo errado, que ele escondia alguma coisa. Mas não disse nada, se Yoongi não queria contar, era porque isso era difícil pra ele explicar, e se existia alguém no mundo que compreendia os limites do Min, esse alguém era Jung Hoseok. Bem, na maioria das vezes. E talvez esse não fosse o caso. — Ótimo, vamos pra casa. — o Jung desviou seus olhos para a rua, e deu partida no carro — Vou preparar algo especial para o jantar, pra comemorarmos a boa avaliação. Se sentiria mais culpado ainda. Mas que droga, Hoseok! Por que tinha que ser tão bom?   [...]   Era de propósito. Hoseok estava fazendo aquilo de propósito para fazê-lo se sentir ainda mais culpado. Ele sabia que Yoongi estava mentindo, e o moeria até que a verdade saísse. Yoongi teve certeza disso assim que sentiu o cheiro magnifico do jantar. Por que Hoseok tinha que cozinhar tão bem? Só estava faltando ele o amarrar na cadeira e deixa-lo preso três dias sem alimenta-lo e com um prato cheiroso bem na sua frente, batendo em sua cara e o mandando falar a verdade. Paranoia. — Quer que eu faça sobremesa também, Yoon? Era de propósito. — Não precisa, tem sorvete na geladeira. Queria provar de uma das sobremesas de Hoseok, mas ao mesmo tempo não queria piorar ainda mais a sua situação. Vai que Hoseok passava seu coração no liquidificador. Não sabia até então como o Jung costumava agir quando estava chateado, mas em breve descobriria que não queria mais ver seu namorado chateado ou desconfiado nunca. O jantar foi servido, e o cheiro estava magnifico. O próprio Hoseok foi quem encheu todo o prato de Yoongi, com muito mais comida do que ele costumava comer. E da forma mais sombria possível o mais alto arrastou uma cadeira até estar do seu lado. — Abre a boca, Yoongi. Se soubesse que Hoseok o faria comer tudo o que estava no prato, Yoongi jamais teria aberto a boca. Estava cada vez mais cheio, e o sorriso macabro no rosto de seu namorado estava o assustando, ao ponto de comer tudo com medo de que o mesmo o fizesse engolir o prato caso recusasse. Depois de comer tudo, Yoongi sentia que iria explodir. — Eu vou colocar mais pra você. Entrou em desespero. Como assim Hoseok o faria comer ainda mais? A calça já estava ficando apertada, não tinha mais espaço não. — Eu já estou cheio. — tentou impedir. — Mas eu preparei tudo com tanto carinho. — aquele sorriso estranho ainda estava ali — Come só mais um pouquinho, meu amor. Queria chorar. Merda! Não deveria ter mentido para ele. E pela primeira vez na vida se arrependeu de não ter seguido o conselho de Kihyun e ter contado a verdade logo de uma vez. Se Hoseok enfiasse mais alguma coisa pra ele comer, iria dar uma de balão de festa infantil e explodir. — Tô cheio, por favor, Hoseok, eu não quero. — seus olhos lacrimejaram. — Tá bom. Yoongi saiu rolando até o sofá da sala antes que não conseguisse mais fugir. Assim que se sentiu abriu o cinto e desceu o zíper, e também não resistiu em abrir metade dos botões da blusa. Observou sua barriga por alguns segundos, Hoseok quase o estourou, estava enorme, nunca tinha comido tanto em toda a sua vida. Hoseok apareceu minutos depois, e estava com um pudim. Yoongi nem disfarçou. — Eu quero pudim. — pediu já abrindo sua boca esperando pelo pudim. Que não veio. — Você disse que estava cheio. Droga! — Não estou tão cheio assim. Hoseok encarou a barriga saliente do Min por alguns segundos, olhava da barriga para o rosto de Yoongi como quem dizia de forma muda “você tá cheio sim, eu enchi você”. — Era seu plano desde o começo, não era? O Jung se acomodou no sofá bem ao lado do namorado. Ligou a TV e zapeou alguns canais ignorando completamente Yoongi e seu olhar acusador.     — Tá mentindo pra mim, Yoongi, e eu vou descobrir o que é.
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