Marcus ordenou que a garota fosse mantida no quarto, apenas as refeições fossem levadas a ela. A garota precisava do seu luto, e ele não deixaria ninguém tirar isso dela. Era tudo o que ele podia fazer no momento.
— Três anos, eu tenho ainda três anos nessa tortura, três malditos anos. — Marcus pensou com tristeza, ele nunca havia estado numa missão tão longa, as saudades de casa, dos seus pais era o mais difícil.
Ele vai até à academia, esse era o seu lugar preferido, Marcus costuma treinar pesado era a sua forma de manter-se focado na sua missão, entretanto estava cada vez vais difícil conseguir voluntários para os treinos de luta, até porque alguém sempre saia muito machucado.
— Molengas! — resmungou e decidiu sair para uma corrida.
Ao chegar ao final da trilha ele olha ao redor, tira um telefone do bolso e digita uma mensagem.
“A garota chegou, estou com ela!”
Marcus não pode dormir, as expressões nos rostos da mãe e da filha o assombravam noite após noite. Ele levantou-se e caminhou em direção ao quarto da garota Entrando no quarto em silêncio, ele a observou dormindo abraçada ao travesseiro, o rosto inchado de tanto chorar, a alma desejando respostas que ele não poderia dar.
— Pobre criança! — disse baixinho ele ficou ali parado por um longo tempo vendo-a dormir.
Marcus estava envolvido em sua investigação, apenas Mariano Pedra Santa mantinha contato com Nikolai Nirkov, e as escutas em toda a casa estavam funcionando perfeitamente. No entanto, a preocupação maior de Marcus agora era a garota que decidiu que não iria viver.
— Ela está sem comer desde que chegou? p***a e ninguém me disse nada? — Furioso Marcus mandou que preparassem a comida dela e ele mesmo a levou. — está na hora de sair do luto, garotinha, você não vai morrer no meu turno.
Ao virar as costas ele pode ouvir o lamento da empregada que fazia uma oração pela menina.
— ¡Que Dios La proteja de ese hombre m*l! — ela disse quase num sussurro fazendo o sinal da cruz e Marcus a ouviu, ele balançou a cabeça e riu do espanto da mulher que realmente acreditava que ele fosse o demônio encarnado.
Marcus estranhou ao entrar no quarto e ver que a menina embora acordada estivesse na mesma posição, parecia não ter se mexido desde que fora colocada ali.
— Ana Luz levante-se! — ordenou com voz grossa e fria e Analú deu um salto quase caindo da cama.
— Calma garota, eu não vou te machucar, apenas trouxe sua comida! — Analú olhou para a bandeja em suas mãos e deitou-se novamente.
— Coma! — ordenou. — se comer tudo responderei a uma pergunta ok?
Ela o encarou meio que duvidando de suas palavras, mas mesmo assim esticou as mãos e puxou a bandeja, a fome venceu e ela começou a comer vorazmente.
— Isso, boa garota! — disse vendo que ela devorava com desespero até a última migalha, ele não sabia dizer se era fome apenas de comida ou de respostas, talvez às duas coisas. — Bom, sou um homem de palavra, então uma pergunta!
— Por quê? Por que ele matou a minha mãe?
— Uma pergunta eu disse — e ela me olhou suplicante — Você é filha ilegítima de Mariano Pedra Santa, sua mãe fugiu ainda grávida, e ele a quis de volta!
— Isso não tem lógica, ele matou minha mãe, e me quer de volta para quê? Ele nem me quer perto dele eu o ouvi falando para você me manter longe dele até o dia em que ele vai me entregar a alguém!
— Uma pergunta garota, e você já a teve! — Marcus grunhiu irritado e saiu do quarto. — pelo menos ela comeu! — ele pensou.
Era hora de preparar a garota para o seu destino, Marcus realmente desejou poder mudar o futuro dela, mas pegar Sergey Polonov era sua missão e ele não falharia, mesmo que para isso fosse necessário deixa-la a própria sorte.
Marcus sentiu-se m*l por seu pensamento, e quanto mais ele a via, mais isso pesava em sua alma.
Pedra Santa ordenou que ela aprendesse a falar russo e espanhol, mas a garota se recusava a cooperar.
— m***a! Tanto treinamento no serviço secreto, para me tornar um babá de uma adolescente — resmungou para si mesmo, seguindo em direção a sua casa.
Marcus subiu as escadas, saltando os degraus de dois em dois, em direção ao quarto da menina.
— Então a menininha está fazendo birra e se recusando a cooperar, você acha que está de férias, Ana Luz? Acredita que desobedecendo a uma ordem do seu pai ele vai mudar de ideia a seu respeito? Não torne as coisas mais difíceis do que elas já são garota.
— Eu não vou aprender coisa nenhuma, e não adianta vir me ameaçar, vocês já tiraram tudo de mim, eu não tenho mais nada a perder!
— Sentimentos muito pesados para uma garotinha tão jovem! — zombou, mas doeu nele a força das palavras dela.
— Vá para o inferno, saia daqui, e fale para o “papai” que ele pode vir terminar o que começou!
— Você tem uma boca muito suja garotinha. Tudo bem, mas talvez seu papai não precise vir até aqui terminar o que começou, eu posso fazer as honras ou te dar para aqueles homens lá fora, eles ficarão muito felizes em cuidar de um probleminha para o chefe. Mas a decisão é sua se você quer o papai? Então não serei eu a decepcioná-la princesinha!
Marcus jogou-lhe um beijo e ela ficou irada lançando o travesseiro contra ele, fazendo-o rir.
— Ei tigresa! Não precisa me atacar, faremos um trato, a cada progresso que fizer, poderá me perguntar algo sobre tudo isso, o que me diz?
— Quem me garante que você me responderá com a verdade?
— Talvez o simples fato de ter o poder de força-la a fazer o que eu quiser, já deveria responder a sua pergunta. Sem contar o fato de eu estar aqui negociando com uma pirralha. Acredito que isso demonstra a minha boa vontade, não acha?
A garota ficou em silêncio por um instante, olhando para o homem na sua frente, ela se perguntava como homem tão bonito podia ser tão m*l, vilões deveriam ser todos horríveis e com uma verruga enorme no nariz.
— Gostando que vê Ana Luz? Chega de sonhar acordada, o que me diz? Uma pergunta para cada progresso?
— Posso fazer uma pergunta?
— E os progressos? Trapaceira! — ele riu.
— Por que é tão importante aprender se provavelmente estarei morta antes que seja capaz de dizer “por favor” em russo?
— Porque esta é a vontade do chefe, e o que ele quer ele tem, agora chega de conversa! Seus instrutores chegarão em breve. — Marcus sentiu o gosto amargo ao pensar em colocar aquela criança nas mãos de Nirkov, seria assinar a sua sentença de morte.
Aquele russo com certeza tinha planos cruéis para ela. Marcus tinha que obter as provas da ligação do Nirkov com o atentado que matou a mulher de Pedra Santa, essa poderia ser a única chance dessa garota. Marcus vinha alimentando a suspeita no coração de Pedra Santa, quando as provas chegassem, fossem elas verdadeiras ou não, ele aceitaria.
Pedra Santa tentava acreditar que seu primo Ruiz Sanches era o responsável, pelo atentado. Pelo menos todas as provas terminavam nele, mas havia algo que não se encaixava, e uma delas, era o fato de Sanches ser o responsável pela fuga de Rosa. Marcus começou a plantar a dúvida e indicar setas para o lado certo.
Até lá ele iria garantir que ela não fuja e que tudo fosse exatamente como o chefe esperava. Então era só esperar por Polonov, e a executar a sua vingança.
Nirkov viria pessoalmente buscar seu prêmio, no aniversário de dezoito anos da menina, esse era o acordo entre eles, mas quando Polonov chegar será um câncer instalado, e quando Pedra Santa perceber estará morto.
— Espero que todos estejam, e pelas minhas mãos! — pensou Marcus.