10 Capítulo O Salaam

1431 Words
Ele se virou pra mim, olhou no fundo dos meu olhos. Nunca vi olhos tão brilhantes. - Laila, minha avó materna mora conosco, ela não fala muito bem o português, mas tenta. Ele fala enquanto coça a cabeça e da um sorriso sem graça. - Tudo bem, mas qual o nome dela? - Aaliyah, ela é um pouco grudenta, por favor não ligue, eu nunca cheguei em casa com nenhuma mulher. Era bom saber que eu era a primeira ali, porém estranho também. Quando o portão se abriu pude ver uma entrada muito bonita, o local em que o carro ficava tinha um Pergolado de madeira com trepadeiras limão, do outro lado avia um Salgueiro, logo abaixo dele tinha uma mesa de ferro pintado de branco e com uns detalhes florais e um tampão de vidro. A casa era de dois andares e era da cor creme, os detalhes de uma casa árabe tradicional, a porta de entrada era grande e em arco, janelas de madeira com detalhes em video, ao entra pela porta principal, tinha um pavilhão de jardim feito de madeira e logo no meio dele tinha uma pequena fonte de água e ao seu redor, pequenas palmeiras, os azulejo que havia no chão era azuis escuros com alguns tons de laranja, aquela parte da casa não tinha teto, a luz do sol invadia e iluminava tudo, tinha muitas colunas e eram muito bonitas, logo depois delas haviam portas duplas de madeira em arco. Fomos andando pela casa. - Quer beber alguma coisa? - Aceito um pouco de água. Fomos até a cozinha e lá tinha 3 mulheres.   - Salaam Aleikum eazizi , laqad wasalt mbkran.       (Que a paz esteja com você querido, chegou cedo.) Uma senhora por volta dos seus 45 anos falou com ele, provável em árabe e deu um beijo em sua testa. Ela tinha olhos azuis fortes e usava um turbante na cabeça. Quando ela olhou pra me voltou a falar.    -man hi tilk alfataa    ( Quem é aquela garota?) Ela fala cutucando em seu braço e dando um sorriso.   - asamuha Layla     ( O nome dela é Layla) Ela vem em minha direção e me dá um abraço. - Olá Laila, seja muito bem vida. Ela pronuncia em português com um pouco de dificuldades. - Muito prazer. falo sem saber se ela entende e sem ao menos saber seu nome. - Meu nome é Zulmira. Ela entende minha expressão.   - ayn jadati? (Onde está minha avó?)   -fi ghurfat alshaay (Na sala de chá) Ele pega em minha mão e me leva até uma porta grande, entramos e tinha uma grande tapete no chão e algumas almofada em cores marrons e douradas, tinha uma pequena mesa no centro, em madeira com detalhes dourados e no meio dela tinha uma bandeja com um bule e com porta açúcar e um suporte para xícaras, encostado na parede tinha um aparador dourado com um vaso com palitinhos de incenso, o ambiente tinha cheiro de capim santo e limão. Sentada em uma das almofada estava uma senhora bebendo chá, ela era pequena e usava um vestido amarelo e um lenço na cor verde bem claro, seus olhos eram miúdos e suas sobrancelhas cheias, seus olhos tinham poucas linhas de expressão. Ela se levanta e vem até o amir com os braços abertos e com um grande sorriso no rosto. - abni (Meu filho) Ela segura em seu rosto com sua mãos e ele abaixa para que ela o beije em sua testa. Assim como a Zulmira ela me encara com um olhar de esperança e volta a falar com ele, mas apenas com o olhar.   -asamuha Layla Ela vem e minha direção e segura em meus braços e me olha de cima a baixo.   -amnahk albarkah (Eu os abençoo) Ela sorri e me abraça forte. -la jadati, hu lays li ( Não vovó, Ela não é minha) Ele fala com um olhar triste e olhando pra mim. não entendo uma palavra do que eles falam. -la takun sakhifan, 'iinaha hi,ana astutie an ashear. ( Não seja t**o, é ela, eu posso sentir) Ela sorri pra ele enquanto acaricia seu rosto. - Tchau Laila. Ela fala enquanto acena com a cabeça. Ele beija ela em seus cabelos e saímos. passamos pelos corredores e vamos até uma grande porta de madeira. Atrás dele tinha um grande jardim florido e com varias árvore frutíferas, tinha uma mangueira logo a vista, andamos até chegar em um pé de acerola e ele me deu um pequeno cesto, colhemos algumas em silêncio, fomos até um banco que tinha embaixo de um pé de tamarindo. - O que sua avó falou? Resolvi quebrar o silêncio. - Nada de mais. Vi que ele ficou um pouco envergonhado. - Sua casa é muito bonita. Falo e cutuco ele com o ombro. - Qual sua parte predileta da casa? - A biblioteca, tem até uma tela branca pra poder assistir filmes. - Nossa, eu não sabia que vc gostava de ler. Falo rindo. Ele sorri de volta e do nada me encara, fico toda sem reação. ele passa a mão em meus cachos e sorri, logo em seguida só sinto seus lábios nos meus, senti borboletas dançarem em minha barriga, seu beijo era suave e lento, seus lábios macios e quentes. Ele se afastou me olhou e me beijou na testa. Ficamos em silêncio por um tempo. - Me desculpa, eu não pedi permissão. Ele falava com a cabeça baixa. Eu segurei o seu rosto e o encarei, dei um sorriso e dei um beijo no canto de sua boca, vejo seu sorriso ir de uma orelha a outra. Mas não viemos para ficar aos beijos, eu vim para saber a verdade. - Amir, por que você mentiu pra mim? - Laila, eu sei que fiz do modo errado, mas irei te contar tudo. Ele respira fundo. - Antes de vim pra cá, a minha mãe ainda era viva, eu tinha 10 anos e Naira apenas 5 anos, minha mãe estava grávida e estava muito feliz, assim como o meu pai, tínhamos 2 restaurantes lá no feministas, mas Infelizmente tivemos que sair de lá, uma bomba caiu em frente a nossa casa e meu pai ficou com medo, esse terreno onde construímos está casa e o restaurante já eram nossos, meu pai já estava expandindo e fazendo essa casa pra minha mãe, mas quando estávamos no caminhão vindo de lá pra cá, fomos parados e então levaram a minha mãe, meu pai tentou enfrentar os soldados, mas infelizmente ele levou um tiro na perna e eles cortaram a garganta da minha mãe na frente dele. Pegaram meu pai e colocaram no caminhão, pegaram outra mulher como pagamento e deixaram o caminhão ir, ao chegar no Irã, levamos meu pai ao médico, por pouco ele não sobrevivia, de lá pegamos um avião pra cá, Ela foi a pessoa que meu pai mais amou na vida, ele chorou por dias a sua morte e o fato de não poder enterrar ela, ele fez um quarto só pra ela nessa casa, com suas fotos e objetos, as vezes ele entra dentro do quarto e passa horas lá dentro, vejo ele sair com seus olhos vermelhos. Agora ele procura por um casamento para Naira, ele acha que não ira proteger ela para sempre e que ela precisa de um marido, mas eu não concordo com ele, pois minha mãe se casou por amor e Naira tem o mesmo direito, ele sempre retruca dizendo "Sua mãe casou por amor e olha o que aconteceu", eu sei que ele se culpa. Vejo uma lágrima sair de seus olhos, sua história me deixou mexida, eu não sabia se chorava ou se ficava ali paralisada, meu estômago embrulhava só de saber que ele viu a morte de sua mãe. - E em relação a mentir pra você, me desculpe, eu pedi que ele não falasse, eu queria te conhecer melhor e queria que você soubesse quem eu sou, soubesse que não sou apenas o filho de um homem rico. - Amir, isso tudo foi muita informação, você passou por tanta coisa e sofreu tanto, eu sinto muito, de verdade Amir. Não consegui segurar as lágrima. Sinto seu abraço quente e um beijo em meus cabelos. - Tá tudo bem, nada disso justifica minha mentira, mas prometo que não mentirei mais pra você Laila. Ele me beija mais uma vez e eu fico toda derretida, "será que isso tudo significa alguma coisa", "será que nosso futuro se cruzou por alguma razão?" e "será que o Amir me quer?".
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