Eu estava tão empolgada pra fazer o teste, eu ficava me perguntando como seria o chefe de cozinha "será que ele era muito rígido?", "será que era exigente?", "ou talvez m*l-humorado", mas eu pesei coisas boas também "talvez ele seja paciente e um bom companheiro de trabalho"
Quando eu estava pronta e deixei tudo ajeitado para o Apolo, eu fui para o teste. Chegando lá o senhor Samir me cumprimentou e me levou até a cozinha.
- Omar, vem cá. Ele chama um rapaz alto, porém franzino e que tinha os olhos castanhos e sorriso envergonhado, ele secava a mão no avental.
- Sim senhor Samir.
- Poderia apresentar a cozinha a senhorita Laila, a deixe ciente de tudo por favor.
- Safi.(Claro)
- Shukran.(Obrigado)
Ele sai e então o Omar começa a me amostrar a cozinha, era um lugar bem espaçoso, havia uma ilha em mármore bem no meio da cozinha, nela havia dois fogões e no lado de cada um, uma tábua em mármore e um porta facas, em cima emoldurada estava algumas frigideira da menor para a maior, em baixo tinha algumas panelas e panos brancos dobrados, no lado esquerdo tinha uma grande pia com um balcão de mármore embutidos na parede, a pia tinha duas cubas em cima um armário grande, tinha temperos e molhos, no lado direito da ilha, tinha um grande armário, a metade tinha pratos, copos e garfos e a outra metade estava vazia, Omar disse que era para colocar os pratos sujos, que dali eles eram lavados na pia que estava ao lado.
Aquela área era a do Omar, ele era ágil ao lavar os pratos.
- Como é Chefe de cozinha? Eu perguntei com uma voz baixa que mais parecia um sussurro.
- Ah ele é muito bom no que faz, ele chega daqui a pouco.
Percebo que o Omar também tinha um sotaque, porém menos que o senhor Samir.
- Você pode ir cortando as cebolas para fritar, eu amostro a senhorita o formato. Ele fala já indo em direção de uma das tábuas de carne que ficava na ilha.
- Certo, muito obrigada Omar.
Cortei umas 4 cebolas, eu estava tão distraída em meus pensamentos que quando alguém cutucou meu ombro, eu acabei me assustando.
- Olá senhorita ajudante.
Era o Amir, eu me assustei ao velo ali.
- O que você está fazendo o que aqui?
- Eu trabalho aqui.
- Eu achei que conhecia o dono, não sabia que trabalhava aqui. Falei com voz de espanto.
- Acho que acabei me expressando m*l naquele dia, me desculpe senhorita. Ele faz uma pequena referência, e dá um sorriso meigo.
- Tudo bem, não precisa pedir desculpas por isso. falo já soltando um sorriso envergonhado.
Rimos e ele foi até uma porta que levava até o banheiro.
- Você é o chefe?
"O que mais ele tem a esconder?"
- Sim, eu sou, eu estava precisando de alguém para me ajudar, vi que você estava a procura de um emprego, então pensei, porquê não?. Ele fala e pisca pra mim.
- Todo cheio dos mistérios você.
Ele sorri e eu retribuo com um aceno de cabeça.
O restante do dia foi bem agitado, mas o Omar e o Amir me ajudaram muito.
O pessoal da cozinha era muito legal, tinha uma senhora muito divertida, seu nome era Nahla, ela contava histórias e piadas, ela vestia um vestido que ia até o joelho e umas calça folgada, ela usava um lenço muito bonito na cabeça e tinha um sotaque muito bonito, Amir disse que ela era paquistanesa e que era mãe do Omar. Por isso eu via os dois conversando na mesma língua e parecia que ela orientava ele.
Samira era uma jovem muito bonita e de sorriso fácil, ela usava um turbante na cor azul, combinava com seu vestido, tinha olhos verdes e a pele morena ela mancava de uma perna, o Omar disse que ela levou um tiro no pé ao fugir dos talib, ela consegui vim pro Brasil com muita dificuldade, ela até sofreu abuso pra poder conseguir as passagem pra ela e o irmão menor, eu via o olhar dele sobre o dela, dava pra ver que ele gostava dela, porém acho que ele não sabia como chegar nela.
Os gêmeos Jamil e Kalil eram os mais engraçados e sempre faziam graça com a Nahla, eles tinham por volta de uns 25 anos, tinham a estatura mediana e os cabelos eram compridos até a orelha e em um tom de preto, olhos escuros e a pele morena, eles eram indianos.O amir era Afegão.
As únicas pessoas Brasileiras ali, eram eu, a recepcionista Carla e mais dois garçons chamados Lucas e João.
No final do expediente eu e as meninas fomos nos trocar no banheiro, pude ver os cabelos delas, elas apenas amostram as outras mulheres ou a parentes, o cabelo da Nahla era medio e era meio grisalho e já o de Samira era grande e dava na cintura, eram ondulados e castanho escuro. Nos arrumamos e saímos, dei tchau a todos e fui pegar minha moto para ir para casa.
- Senhorita Laila.
- Olá Amir, aconteceu alguma coisa?
- Você esqueceu seu Anel.
- Ah muito obrigada, só não perco a cabeça pois esta presa ao pescoço. Rimos muito.
- Quer comer alguma coisa?
- Não obrigada, eu fiz uma torta de frango ontem a noite e estou louca pra atacar.
- Tudo bem, deixa para a próxima, eu poderia acompanhar a senhorita até a moto?
- Pode sim, obrigada. Dou um sorriso de canto.
- Por que você sempre me chama de senhorita?
- Você não gosta? ele fala com um olhar confuso e distante.
- Não é isso, eu acho muito fofo por sinal, apenas fiquei curiosa pra saber o por que me chama assim.
- Achei que seria uma forma educada de chamar uma dama. Ele dá um sorriso de canto, ele parece ficar um pouco envergonhado.
Chegamos até a moto e ele me encara.
- Você é muito bonita senhorita Laila, gosto dos seus olhos.
- Obrigada, fico meio sem jeito para elogios. abaixo os olhos, não consigo o encarar depois dessas palavras.
Ele segura em meu queixo, fico paralisada e então ele me dá um beijo na bochecha, sinto borboletas fazerem festa em minha barriga.
- Boa noite senhorita, até amanhã.
- Boa noite Amir.