O bar do hotel estava quase vazio.
Luzes baixas.
Música suave.
O tipo de ambiente que fazia segredos parecerem perigosamente possíveis.
Lorrany normalmente evitava aquele lugar depois do expediente, mas Clara praticamente a arrastara.
— Você trabalha demais — a amiga reclamou. — Um suco não vai destruir sua reputação.
— É exatamente assim que começam os escândalos — murmurou Lorrany.
Mesmo assim, ficou.
Talvez porque estivesse cansada demais para voltar direto para casa.
Talvez porque quisesse esquecer por algumas horas o peso constante da própria vida.
Ou talvez…
porque sabia que ele costumava aparecer ali à noite.
Ela odiava admitir isso.
O gelo tilintou dentro do copo quando ela levou o suco aos lábios.
E então sentiu.
A mudança no ar.
A presença.
Antes mesmo de olhar, soube.
Nikolas Stavros havia chegado.
O coração dela traiu imediatamente.
Ele entrou sem esforço algum, camisa escura ajustada ao corpo, passos firmes, atenção naturalmente atraída para ele como se o ambiente inteiro se reorganizasse ao redor de sua existência.
Mas dessa vez…
ele não olhou para ninguém.
Apenas para ela.
Clara percebeu primeiro.
— Amiga… o Deus grego tá vindo.
— Cala a boca — Lorrany sussurrou, já sentindo o calor subir pelo rosto.
Tarde demais.
Nikolas parou diante da mesa.
— Posso?
Clara levantou-se mais rápido do que deveria.
— Claro que pode. Inclusive já estava indo embora.
Traidora.
Lorrany lançou um olhar assassino enquanto a amiga desaparecia.
Agora estavam sozinhos.
Perigosamente sozinhos.
— Você deveria descansar — ela disse, tentando soar profissional.
— E você deveria parar de fingir que não quer conversar comigo.
Ela abriu a boca.
Fechou.
Porque ele estava certo.
O silêncio entre eles não era desconfortável.
Era carregado.
Vivo.
— Hoje foi um dia difícil — ele comentou.
Ela soltou uma risada fraca.
— Todos são.
Nikolas inclinou-se levemente sobre a mesa.
— Quero conhecer você fora do uniforme.
O coração dela acelerou.
— Isso soa inadequado.
— Isso soa honesto.
Os olhos dele eram intensos demais.
Sem jogo.
Sem pressa.
Apenas verdade.
E aquilo derrubava suas defesas pouco a pouco.
— Por que eu? — ela perguntou finalmente.
A resposta demorou.
Porque ele pensou antes de falar.
— Porque você não tenta me impressionar.
Ele continuou:
— Porque você luta mesmo cansada. Porque protege quem ama. Porque… quando você entra em um lugar, tudo parece mais real.
O ar ficou preso nos pulmões dela.
Ninguém nunca a descrevera assim.
Nunca.
Nikolas levantou-se.
Deu a volta na mesa.
Parou diante dela.
Perto.
Muito perto.
— Lorrany…
O nome dela na voz dele parecia errado de tão íntimo.
Ela deveria se afastar.
Sabia disso.
Mas permaneceu sentada enquanto ele estendia a mão.
Devagar.
Dando tempo para que recusasse.
Ela não recusou.
Quando seus dedos se tocaram…
o mundo desapareceu.
Ele a ajudou a levantar.
A proximidade era esmagadora.
O perfume dele.
O calor.
A respiração misturando-se à dela.
Os olhos dele desceram lentamente para sua boca.
E Lorrany sentiu o corpo inteiro reagir.
Desejo.
Medo.
Vontade.
Tudo ao mesmo tempo.
— Se você pedir… eu paro — ele murmurou.
Ela deveria pedir.
Mas não conseguiu.
Os olhos fecharam.
O rosto dele se aproximou.
Um centímetro.
Dois.
O coração dela batia tão forte que doía.
E então—
— LORRANY!
A voz alta cortou o momento como uma lâmina.
Ela se afastou imediatamente.
Assustada.
O gerente surgiu apressado.
— Precisamos de você na recepção agora! Problema com um hóspede!
A realidade voltou brutalmente.
Uniforme.
Trabalho.
Distância.
Ela respirou fundo, tentando recuperar o controle.
— Eu preciso ir.
Nikolas assentiu.
Mas seus olhos ainda queimavam.
— Nós vamos terminar essa conversa.
Não era pergunta.
Era promessa.
Lorrany virou-se rapidamente antes que mudasse de ideia.
Mas enquanto caminhava pelo corredor…
seus lábios ainda formigavam.
Como se quase tivessem sido beijados.
E naquela noite…
nenhum dos dois conseguiu dormir.
Porque agora sabiam:
Não era apenas atração.
Era inevitável.