O avião particular tocou o solo grego pouco antes do amanhecer.
A luz dourada começava a nascer sobre o mar Egeu quando Nikolas Stavros desceu os degraus da aeronave.
Casa.
Mas daquela vez… não parecia.
O ar carregava responsabilidade.
Peso.
Destino.
Homens de terno aguardavam próximos aos carros pretos alinhados na pista privada. Segurança reforçada. Discrição absoluta.
A família Stavros nunca fazia nada pequeno.
Nunca fazia nada sem propósito.
— Senhor Stavros — disse Dimitri, o assessor mais antigo da família, inclinando levemente a cabeça. — Seu avô está esperando.
Claro que estava.
Nikolas entrou no carro sem responder.
Durante todo o trajeto até a propriedade da família, sua mente não saiu do Brasil.
Do sorriso cansado de Lorrany.
Da forma como ela tinha dito vou tentar confiar.
Aquilo o perseguia.
Porque ele sabia…
que ainda não tinha contado toda a verdade.
A Mansão Stavros surgia no topo da colina como um palácio antigo, cercado por oliveiras e segurança armada.
Poder.
Tradição.
Controle.
Assim que entrou, vozes ecoavam no grande salão.
Seus irmãos estavam ali.
Seu pai.
E sentado na poltrona central…
o patriarca.
O homem que comandava tudo.
— Finalmente decidiu voltar — disse o velho Stavros, sem sequer se levantar.
Nikolas manteve a postura firme.
— Vim resolver o que precisa ser resolvido.
Os olhos envelhecidos do avô brilharam.
— Ótimo. Então vamos falar do seu casamento.
Silêncio.
Pesado.
Frio.
O maxilar de Nikolas travou.
— Eu não vou me casar por negócios.
O pai dele riu baixo.
— Você sempre foi emocional demais.
Nikolas sentiu a irritação subir.
— O acordo com a família Petros continua ativo — continuou o avô. — A união fortalecerá nossos hotéis na Europa Oriental.
E então veio o golpe.
— Helena já está sendo preparada para assumir o papel de sua esposa.
O nome caiu como veneno.
Helena.
A mulher que havia humilhado Lorrany.
A mulher que acreditava já possuir seu futuro.
Nikolas deu um passo à frente.
— Isso não vai acontecer.
O salão inteiro ficou em silêncio.
O avô apenas ergueu uma sobrancelha.
— Então existe alguém.
Ele não respondeu.
Mas não precisava.
O velho sorriu lentamente.
— Uma fraqueza.
Nikolas apertou os punhos.
Não.
Lorrany não era fraqueza.
Era escolha.
E pela primeira vez na vida…
ele estava disposto a enfrentar a própria família por alguém.
Enquanto isso…
No Brasil.
Lorrany tentava voltar à rotina.
Mas o hotel parecia diferente sem ele.
Vazio.
Os funcionários cochichavam.
Rumores circulavam.
E então…
ela viu.
Uma manchete aberta no celular de Clara.
“Herdeiro grego Nikolas Stavros retorna ao país para oficializar noivado com empresária europeia.”
O mundo parou.
O ar desapareceu.
— Isso deve ser mentira… — Clara murmurou.
Mas Lorrany não respondeu.
Porque algo dentro dela…
quebrou silenciosamente.
Ela lembrou do pedido dele.
Confia em mim.
E pela primeira vez…
duvidou se deveria ter confiado.