O saguão continuou silencioso mesmo depois que Helena se afastou.
Ninguém voltou imediatamente ao trabalho.
Porque todos tinham visto.
O poderoso Nikólaos Kyriakos caminhando diretamente até uma simples atendente… e ficando ao lado dela como se fosse a coisa mais natural do mundo.
Lorrany sentia os olhares queimando suas costas.
— Senhor Kyriakos, podemos continuar a reunião? — um dos gerentes perguntou, nervoso.
Nikólaos não respondeu de imediato.
Seus olhos ainda estavam nela.
Analisando.
Procurando sinais.
Vergonha.
Medo.
Dor.
Ele reconhecia aquele tipo de silêncio — o de quem já havia sido humilhado antes.
— Cinco minutos — disse finalmente.
E então, inesperadamente, segurou levemente o braço de Lorrany.
— Venha comigo.
Ela arregalou os olhos.
— O quê? Não! Todo mundo já tá falando demais—
— Justamente por isso.
Sem força.
Sem imposição.
Mas impossível de recusar.
Ele a conduziu até uma sala reservada.
Assim que a porta fechou, Lorrany soltou o ar preso.
— Você não precisava fazer aquilo.
Nikólaos virou-se lentamente.
— Precisava.
— Agora vão achar que—
— Eu não me importo com o que acham.
Ela riu sem humor.
— Claro que não. Você é rico. Homem. Poderoso. Essas coisas não grudam em você.
As palavras o atingiram.
Ele percebeu.
Aquilo não era sobre Helena.
Era sobre feridas antigas.
— Em você grudam — concluiu ele.
Lorrany desviou o olhar.
Silêncio.
Pesado.
— Eu já passei por isso antes — murmurou. — Pessoas rindo… inventando coisas… decidindo quem eu sou.
Nikólaos aproximou-se devagar.
— E você continua aqui.
Ela cruzou os braços.
— Porque fugir nunca resolveu nada.
Ele observou aquela mulher pequena diante dele.
E sentiu algo incômodo crescer dentro do peito.
Raiva.
Não dela.
Mas de qualquer pessoa que ousasse fazê-la se sentir menor.
— Helena não voltará a falar com você dessa forma — declarou.
Lorrany levantou o queixo.
— Não preciso que ninguém lute minhas batalhas.
O canto da boca dele se moveu.
— Eu sei.
Outro passo.
— Mas isso não significa que eu fique parado.
O olhar deles se prendeu.
Intenso demais.
Próximo demais.
O ar ficou quente.
Perigoso.
Ela percebeu primeiro.
Deu meio passo para trás.
— Você faz isso com todas as funcionárias?
A pergunta saiu antes que pudesse impedir.
Nikólaos franziu levemente o cenho.
— Não.
— Porque parece que gosta de brincar de salvador.
Ele soltou uma respiração baixa.
— Eu não salvo pessoas.
Silêncio.
— Apenas protejo o que considero importante.
O coração dela disparou.
— Importante?
Ele percebeu tarde demais o que tinha dito.
Mas não voltou atrás.
— Sim.
O espaço entre eles diminuiu novamente.
Lorrany conseguia sentir o calor dele.
A presença.
A segurança perigosa.
— Você m*l me conhece — sussurrou.
Nikólaos inclinou levemente a cabeça.
— Conheço o suficiente para saber que você merece respeito.
E aquilo…
Aquilo foi pior que qualquer elogio.
Porque ninguém jamais tinha dito algo assim para ela.
A tensão cresceu.
Os olhos dele desceram involuntariamente para a boca dela.
E pela primeira vez…
Nikólaos Kyriakos perdeu o controle do próprio pensamento.
Queria beijá-la.
Não por desejo bruto.
Mas porque precisava sentir se aquela conexão era real.
Ele se inclinou.
Devagar.
Dando tempo para que ela se afastasse.
E Lorrany não se moveu.
A respiração dela falhou.
O mundo inteiro pareceu desaparecer.
Até—
Batidas fortes na porta.
Os dois se afastaram imediatamente.
— Senhor Kyriakos? A imprensa chegou mais cedo.
O momento quebrou.
Lorrany passou a mão pelos cabelos, nervosa.
— Tá vendo? Universo me salvando das minhas próprias decisões ruins.
Mas Nikólaos não sorriu.
Porque percebeu algo alarmante.
Ele não estava irritado pela interrupção.
Estava frustrado.
Profundamente frustrado.
E aquilo significava apenas uma coisa.
Ele já tinha ido longe demais.
Enquanto Lorrany saía da sala tentando recuperar o controle…
Nikólaos permaneceu parado.
Pensando.
Porque pela primeira vez em anos…
O poderoso magnata grego sentia algo perigosamente próximo de ciúme.
E homens como ele…
Nunca lidavam bem com sentimentos que não podiam controlar.
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