–Bora Lucca, tá muito bêbado já.—Sarah já começa a me dá p***a de sermão.–Tu adianta, ou eu te deixo aqui.
–Sai fora Sarah.
–Seu filho da p**a, bora logo.—enfia a mão no meu bolso e pega a minhas chaves.–Eu não tô brincando não.
Ela liga a moto e eu subo com dificuldade.
Vou solto atrás mesmo, e ela nem parece ligar, já que vai igual uma louca. Não pouca a mão no acelerador.
Quando ela para na frente de casa, eu vou descer e quase caio no chão. E ela gargalha da minha cara, chega chora. Resmungo e vou cambaleando pra dentro de casa. Tropeço no sofá e caio de cara no chão.
–Desgraça!—xingo ainda no chão.
Depois começo a rir sozinho.
A lombra batendo já.
–Tá rindo do que seu retardado?—Sarah entra e jogo a chave no sofá, tirando o tênis em seguida.–Vai pro quarto não fica aí. Eu mesma que não vou te carregar escada acima.
–Eu tô pedindo tua ajuda ?
–Então dorme aí na sala seu mau agradecido.
Ela sobe as escadas e eu fico na sala, jogado. Me levanto e subo as escadas segurando no corrimão, quase caio mais consigo chegar no topo e ir pro quarto. Me jogo na cama do jeito que eu tô, sem tirar sapato nem nada.
Minha cabeça começa a girar e a vontade de vomitar vem. Me levanto correndo, mas não dá tempo de chegar no vaso sanitário. Vomito no chão mesmo, depois coloco a cabeça no vaso e faço uma força da p***a pro vômito sair.
Um fedor de cachaça da p***a,podre.
Minha garganta arde de tanto vomitar.
Depois de terminar levanto, dou descarga e vou lavar a boca. O chão ainda fica sujo, e vai ser pior ainda pra eu limpar amanhã. O fedor vai ter duplicado.
•••
Minha cabeça está latejando, e uma dor na garganta. Tô fedendo a vômito e a bebida.
A porta do quarto é aberta e Sarah entra, fazendo cara de nojo. Já tá vestida com a farda, vai pro colégio. Enterro a minha cabeça no meu travesseiro, pra ver se a dor passa, mas é em vão. Essa merda.
–Que fedor é esse Lucca?—tampa o nariz com a mão.–Credo!
–Sai daqui sua chata.—murmuro fechando os olhos com força.
–Tu tá podre garoto, Deus é pai!
Eu me levanto, ficando sentado na cama.
Minha cabeça pesa, uma ressaca da peste.
Que pena que eu não vou parar de beber.
–Olha pra condição desse banheiro.—ela grita.–É tu que vai limpar essa porcaria toda.
–Para de gritar c*****o!—grito.–Pega um remédio pra mim lá na cozinha, fazendo o favor.
–Eu nem sei onde é que eu tô que eu vou.
Ela sai e eu fico encarando o teto branco.
Retiro o tênis jogando no canto.
Sarah volta com um comprimido e um copo de água, me entregando. Coloco o comprimido na boca e engulo seco mesmo, depois bebo a água por cima.
–Tua situação está precária.—ainda debocha da minha cara.–Não sai na rua não, pra não assustar o povo.
–Hahahaha que engraçado.—dou uma risada sem graça.–Agora sai daqui, pode ir pra tuas aulas.
–Já tô indo seu chato.—me dá língua antes de sair.
Fico na cama por quase meia hora, criando coragem pra ir limpar a podridão do banheiro. Não conseguir entrar pra fazer as minhas necessidades, então eu tive que escovar os dentes no banheiro social.
–Que cara é essa menino?—minha mãe pergunta quando passo por ela na cozinha.
–Ressaca mãe.—bufo.–Onde é que fica as coisas de limpeza?
Ela arqueia uma sobrancelha e me olha estranho.
–Tu quer água sanitária pra que?
–Limpar meu banheiro.—não digo o porque de eu querer limpar uma hora dessas.
–Depois eu limpo, vou fazer faxina hoje.
Ela nem sabe o que a espera lá dentro, é melhor eu mesmo limpar, já que fui eu que sujei.
–Não mãe, deixa que eu limpo.
–Fica lá na área de serviço, na estante perto da máquina de lavar.
Vou lá onde ela falou e pego umas embalagens com um monte de produto, pego pano de chão, rodo e vassoura.
–O que é que tem naquele quarto em?
–Eu vomitei tudo ontem a noite.—dou de ombros.
–É melhor tu limpar mesmo.
Eu subo pro meu quarto e encaro a sujeira.
Amarro uma camisa no meu nariz e boca, mas ainda dá pra sentir o fedor.
Limpo tudo quase que vomitando de novo, tava fedendo de mais.
Quando termino levo as coisas tudo lá pra baixo e coloco os panos sujos dentro da pia com água e água sanitária. Depois eu vou ter que levar mesmo, deixo no molho enquanto não tô em casa.
–Tu já vai sair?—ela pergunta.
–Venho almoçar em casa.—dou um beijo na minha mãe.
–Tá.—me devolve o beijo.
Saio de casa, recebendo o sol quente na cara. Minha ressaca já passou um pouco, não completamente. Não vi meu pai ainda, deve tá lá dentro ou saiu pra outro lugar.
Só encontro Arthur, tio Lucas e tio TH.
–Ressaca?
–Tô com a cabeça quase explodindo aqui.—coço as têmporas.–Tem o que pra resolver aqui?
–Cálculos amigo.—Arthur me entrega uma prancheta.–Teu pai já tá lá dentro.
–Oh Arthur chega aqui!
–Tô indo pai!—ele sai, me deixando com uma pá de números.
Não tô com cabeça pra resolver cálculos nenhum. A única matéria que eu era bom quando ainda estudava. Gostava de cálculos e foi mais fácil resolver as contas aqui com Arthur.