—Já arrumou confusão mano?—Pietro chega do meu lado, junto com Arthur.
—Tem confusão nenhuma aqui.
—Sua irmã saiu correndo do baile, atrás de outro menor que tava sangrando.—Arthur me repreende com o olhar.—Tu bateu no moleque?
—Ele tava se engolindo com a minha irmã, só tirei ele de perto dela.—dou de ombros.—Fiz o certo.
—Que certo p***a?—aumenta o tom de voz.—Tu bateu no menor por nada mermão.
–Tu abaixa o tom de voz em p***a!—grito e aponto o dedo na cara dele. Mas ele não se intimida, me enfrenta de frente.–Acha que tá falando com quem aqui?
–Abaixa tua onda irmão.—levanta as mãos em sinal de rendição.–Abaixa tua onda.
Ela sai pra não sei onde.
Fico pistola o resto do baile inteiro.
Só me distraio com umas meninas que começam a dançar na minha frente, ou se esfregando em mim. Só comi a que veio comigo mesmo.
–Para de cheirar cara, já cheirou de mais hoje.—Pietro tira o pino que eu ia derramar da minha mão.–Vai pra casa, já tá de madrugada.
–Eu vou quando eu quiser.—tomo da mão dele.–Não sou criança mais não.
–Então vou te deixar aí cabeça dura.—faz toque com os outro leque.
–Pode ir vacilão.
–Fica aí e espera teu pai e tua mãe vim te buscar aqui então.
Depois que ele sai eu ainda cheiro mais duas carreirinhas e bebo mais bebida. Cambaleando eu subo na moto e vou pra casa. Tô chapado e não quero ouvir nada quando chegar em casa, mas sei que dona Sarah já abriu o bocão.
Estaciono de qualquer jeito, quase caindo por cima da moto. Tiro a chave e coloco enrolada no pescoço. Quando abro a porta, a recepção já está pronta. Todo mundo acordado só me esperando nessa p***a.
Bufo e vou tirando a minha camisa, caminhando para a base da escada. Mas a voz da minha mãe me para.
–Onde você pensa que está indo?—fala alto de mais, fazendo a minha cabeça doer.
–Fala baixo p***a!—grito também, com raiva. A onda já bateu.
–Olha como você fala comigo seu muleque.—me puxa pelo braço e me joga no sofá, sem nenhum dificuldade. Mulher forte do c*****o.
–Tá forte em coroa.—gargalho, mas todos na sala estão sérios, olhando para o meu estado crítico.
–Por que tu bateu no Lipe?—agora meu pai pergunta de braços cruzados e sem camisa.
–Pergunta pra tua filha.—aponto pra sala que me olha parecendo que quer me matar.–Ela vai saber te responder.
–Eu só tava beijando ele seu brutamontes bastardo de merda.—grita com raiva.—Que m*l tem nisso? Eu não sou mais nenhuma criança não, para precisar de babá.
–Para de gritar p***a!—minha cabeça lateja.
–Eu falo do jeito que eu quiser seu idiota.—grita ainda mais alto.–Você bateu ele, afastou ele de mim seu babaca. O garoto não quer nem olhar mais na minha cara.
–Ele só quer te comer sua garota irritante.—sorrio sarcástico.–E depois que conseguir, vai te jogar pra escanteio. É isso que tu quer? Se for, vai fundo.
–Igual você faz com as meninas não é?
–Comigo é diferente.—vou subindo os degraus de um em um.
–É diferente por que? Porque tu é homem p***a?—grita de novo, eu fecho os olhos no latejar.–Eu posso igual você cara de cu.
–Na moral, eu não quero papo agora não, vou dormir.—subo os degraus quase caindo, segurando no corrimão.
–Vai dormir mesmo seu drogado.—deseja as palavras com nojo, raiva.–Aposto que usou de tudo que é p***a hoje, vendo a hora de ter uma overdose seu i****a. Era pra mãe te deixar sozinho na UPA, igual um indigente.
–Tu me deixa!
Ignoro os grito dela e da minha mãe. Entro no meu quarto e bato a porta, trancando.
Tomo uma ducha e me jogo na cama,sentindo tudo rodar. Que eu não vomite pra limpar amanhã.
•••
Acordo com uma dor de cabeça da p***a.
Pior que da outra vez, muito pior.
Me arrasto pro fora da cama e vou no banheiro. Minha cara tá horrível, lavo o rosto depois de escoar os dentes. Tiro a água do joelho e vou pra sala, com a mesma roupa que eu tava ontem.
Já tá todo mundo na mesa. Quando Sarah me vê, passa um r**o de olhos e vira o rosto pro outro lado. Vou direto pra cozinha e pego uma Aspirina bebendo seco mermo.
Passo por eles na sala e vou pra fora,não vou ficar aqui. Sair pra rua, aliviar o estresse com alguma p**a gostosa.
–Vai pra onde?—minha mãe me pergunta, mas nem paro e nem me viro pra responder. Continuo a andar em direção a porta.–Vai me ignorar agora é? Te dar uns tapas e você aprende.
–Deixa esse i****a aí mãe.
–Podem ficar aí falando da minha vida suas fofoqueiras.
–Vou falar de tu mesmo, quem manda ser um pedaço de merda.
–Vai pra p***a Sarah!
Eu ainda nem fiz nada com o menor lá, agora ele vai ver. Descontar toda a minha raiva naquela cara lavada dele. Minha moto tá no chão, quando saio para o lado de fora. Deve ter caído onde quando eu cheguei.
–Que desgraça!—xingo levantando ela.
Relou um pouco a tinta, depois eu mando arrumar essa merda. Acelero em direção a boca, já vendo uns soldado lá, fazendo a guarda. As boca já tá na atividade, rendendo um dinheiro pra nois.
–Acordou com as galinhas Bela adormecida?—zoa Juninho.
–Meu p*u pra tu arrombado.
–Aí eu quero em...—faz voz fina e coloca o dedo na boca mordendo.
–Se fuder Juninho. Se fuder.
Passo por ele, mas depois eu volto.
–Aê menor chega aqui.—chamo ele, que vem andando igual um marginal.
–Solta o papo.
–Tu sabe onde mora um tal de Lipe?
–O que tu deu um murrão ontem?—ri e eu também.–Murro bem dado da p***a, foi soltar e quebrar o nariz do pivete.
–É ele mermo. Sabe onde é ou não?
–Sei é claro.
Ele explica onde é e eu faço joinha subindo na meiotão. A casa dele é na rua 7.
Umas velha fofoqueira tão na frente já cedo, falando da vida dos outros. Quando eu paro a moto, elas começam a me olhar e cochichar.
–Perdeu o cu na minha cara foi?—falo alto e elas desvia o olhar na hora.–Ah, pensei que tinha.
Bato na porta quase derrubando.
Um tempo depois uma mulher abre. Deve ser a mãe dele.
–Cadê teu filho?
–O que você quer com ele?—não abre espaço na porta pra eu passar.–Fale!
–É só com ele coroa.
Ela entra e fecha a porta, logo depois é aberta e é ele que aparece. Dou um sorriso antes de soltar um murro na cara dele, que o faz cambalear.