Logan
Fui Com Nicolas ao Tropicália depois de fechar o restaurante.
— Todos os funcionários foram para um bar comemorar a demissão do porco velho. — Nicolas contou.
O velho deve ser um lixo mesmo.
— E Kate? – Ele pergunta.
— Em casa lendo aqueles romances da Carina Rissi.
— É uma fase, logo ela faz amigos e vai parar de passar tanto tempo trancafiada em casa, lendo.
— Espero. — Avisto uma garota loira de cabelos compridos, silhueta esbelta, pernas longas e olhos cor de esmeralda. Deixei Nick falando sozinho e fui até a loira gostosa.
— Olá.
— Olá
— Logan. — Falo pegando a mão da mulher, beijando a pele macia.
— Mariza, prazer.
Engatamos uma boa conversa, tomamos algumas bebidas e no final, levei a mulher para o meu apartamento no centro.
A manhã seguinte foi tórrida e estressante, Mariza é uma delícia, porém pegajosa, custei a me livrar dela. Foi e******o da minha parte deixá-la ficar até o raiar do dia, ela teve que sair escondida para não cruzar o caminho com minha irmãzinha.
Encontrei Kate na varanda, tomando café e com um livro de romance brega nas mãos.
— Bom dia, princesa. — Dou-lhe um beijo no topo de sua cabeça cor de fogo.
— Bom dia. — Deseja sem desviar os olhos da sua leitura.
— Será que posso mendigar um pouco da atenção da minha irmãzinha para termos um desjejum agradável? — Sei que o ato de ler é bom, mas para tudo tem sua hora e lugar.
Adoro minha irmã, mas ela vive no mundo dos sonhos e fantasia, agora ela está lendo um livro de uma tal Carina Rissi, sinceramente não sei no que têm nesses romances que ela não para de ler.
— Estou em um momento crucial da leitura, Sofia e Ian vão ter sua primeira vez. — Responde sem nem olhar para mim.
— Kate — retiro o livro de suas mãos. — Ainda não me perdoou por tê-la trazido para cá? — Pergunto com certo receio.
Kate e eu morávamos na Itália desde crianças, com nossos tios Matheus e Francesca. Depois que nossos pais morreram, vítimas de um assalto.
— Não é isso, o problema é que não consigo me adaptar. Mas se quer saber, já fiz uma amiga e foi no restaurante. — Ela sorrir ao contar a novidade.
— Sério? — Confesso que estou surpreso, minha irmã esteve no restaurante apenas para almoçar, se bem que eu estava tão ocupado que acabei deixando-a comer sozinha.
— Sim, ela também gosta da Carina, estava lendo um livro dela quando a conheci.
— Uma cliente suponho. — Peguei a garrafa térmica, despejando o líquido quente na xícara, adoro o aroma de café logo pela manhã. Minha irmã já prefere suco de laranja.
— Não, é uma das suas funcionárias. — Fala pegando o livro que deixei no canto da mesa. — O nome dela é Luana. — Cuspo o café que havia acabado de tomar, minha irmã fez amizade com uma copeira que tem problemas de comportamento.
— Isso é brincadeira? — Pergunto.
— Não, vamos sair na folga dela. — Fala ao pegar um pão doce de coco.
— Não quero você fazendo amizade com os funcionários, especialmente essa mulher que provavelmente vou demitir em breve. — Falo num tom nada amigável.
— Não vai fazer isso, ela foi a única pessoa que me tratou como uma pessoa normal. — Fala em desafio.
— Ela sabe que é minha irmã? — Pergunto desconfiado.
— Não — responde exasperada. — E nem ouse falar, não quero ser tratada como um bibelô por ser a irmã do chefe. — Pede irritada.
— Vou dizer sim, além de manda-la se afastar de você, essa mulher não é uma boa companhia. — Aviso sem me importar com sua opinião. — Agora vou trabalhar. — Levanto, a deixando sozinha na varanda.
Kate é muito sozinha, as pessoas se aproximam dela para chegar até mim, isso se resume as mulheres. Minha irmã desistiu de tentar fazer amigas, ao menos foi o que pensei. Depois de tantas tentativas frustradas de que alguém realmente gostasse dela pelo que é e não pelo que têm, minha irmã se fechou para o mundo real e se abriu para o mundo dos livros e isso me preocupa. Ler é bom, mas não quando a pessoa se esquece de viver para ficar vivendo apenas no mundo da ficção.
Passava das oito quando cheguei no bistrô, passei direto para a cozinha que já estava a todo vapor para abrir para o almoço, notei que boa parte dos funcionários estavam com cara de ressaca e ficaram desconfiados ao me ver ali.
— Onde está a Luana? — Pergunto em tom austero, se minha irmã se recusa a afastasse dessa mulher eu mesmo vou cuidar para que isso ocorra, ninguém respondeu. — Estão surdos? — Pergunto.
Os funcionários se entreolham.
— Ela ainda não chegou senhor. — Uma funcionária responde.
— Mandem ela falar comigo assim que chegar, não tem problema estar uns minutos atrasada. — Falo dando meia volta, vou para meu escritório...
Nicolas chegou às dez, esse é seu horário já que meu amigo também é responsável pela casa noturna, na qual também somos donos, a Tropicália.
— Nossa, ainda vou me acostumar com essa rotina. — Fala sentando de frente para mim.
Meu amigo trabalhava na empresa do pai, foi uma mudança arriscada largar o trabalho para qual foi criado para assumir e aventurar-se como microempresário ao meu lado.
— Vamos pegar o ritmo logo, me faz um favor? — Peço. — Vai até a cozinha e manda a copeira subir pois preciso falar com ela antes de ir para a Tropicália falar com o novo fornecedor de bebidas. — Peço ao notar que estou sem tempo.
Foi um risco que corri ao vender minha empresa na Itália e voltar para o brasil depois de 17 anos. Agora estou todo enrolado com dois empreendimentos que só causaram prejuízos aos donos anteriores, é minha obrigação fazê-los dar certo.
— Ok, vou mandar a Teresa chamar. — Fala pegando o celular. — Você meu amigo precisa de uma secretária pois está todo enrolado. — Lembra ao colocar o celular na orelha. — Oi, querida. Diga a copeira para subir pois o chefe quer falar com ela. — Reviro os olhos, estava demorando para o i****a pegar uma das funcionárias. — Não, ah... compreendo, assim que ela chegar mande-a subir. Até a hora do seu intervalo delícia. – Ele devolve o celular para o bolso. — A gorda gostosa ainda não chegou, tudo indica que ela passou dos limites ontem na bebida. — Avisa.
— Tudo bem, vou para a casa noturna. Dê uma advertência a essa mulher quando chegar, além de descontar do salário. É claro. — O instruo antes de sair para resolver meus problemas.
Foram muitos problemas que levaram o resto da manhã para solucionar. Os fornecedores de bebidas para o Tropicália. Tal como a contratação de três baristas especialistas em drinks e dois chefes gourmet para cuidar dos canapés e petiscos no decorrer da noite. Volto para o restaurante no final do expediente do almoço, onde os funcionários estão descansando em sua sala até começar a rodada de trabalho para o jantar. Bato na porta de Nick, mas tudo que tenho como resposta são gemidos vindos de dentro, aposto que é a tal de Teresa. Volto para minha sala.
Estou procurando uma forma de trazer novos clientes para o restaurante sem que seja necessário fazer cortes de pessoal. Escuto uma leve batida na porta.
— Pode entrar. — Digo sem desviar a atenção dos papéis na minha mesa.
— O senhor quer falar comigo? — A copeira pergunta colocando ao abrir a porta, já havia me esquecido dessa mulher.
— Sim. — Deixo os papéis de lado e faço sinal para ela se sentar à minha frente.
— Eu já fui advertida assim como fui informada do desconto... então, o que quer comigo? Me demitir? — Pergunta com certa petulância, a olho curioso.
Para uma mulher que recebe pouco mais que um salário como copeira, ela não tem medo de perder o emprego pois se tivesse controlaria o tom para falar comigo.
— Não, mas agora estou cogitando seriamente essa opção. — Ela não se retrai com minha ameaça, mantendo o olhar petulante.
— Então estou sendo demitida? — Pergunta.
— Não, porém vai ser, caso não se afaste da minha irmã. — Ameaço.
Ela arquea a sobrancelha esquerda.
— Quem é sua irmã? — Pergunta.
— Kate. — Respondo prestando atenção na confusão que perpassa por seu rosto.
— Não sei de quem está falando. — Fala como se não estivesse entendendo nada.
— A conheceu ontem no almoço, uma garota ruiva que gosta da Carina Rissi. — Tento fazê-la lembrar.
Minha irmã não é uma pessoa fácil de ser esquecida.
— Não lembro. — Luana fala sem qualquer resquício de lembrança e de repente, parece que houve um lapso de reconhecimento. — É uma ruiva pálida, tagarela? — Pergunta.
— Sim. — Respondo não gostando da forma que ela se refere a minha irmã.
— É um favor que está fazendo ao afasta-la de mim, posso ir agora?
— Pode. — Ela sai assim que escuta minha resposta.
Acho que essa mulher é maluca.