Capítulo VII

1689 Words
Tyler — Chegamos— Pude ouvir o suspiro de alívio de Melina. — Os seus pais estão aí? —perguntei a ela. Ao contrário do que aconteceu comigo e com Nina, não fiquei todos esses anos sem ter contato com os seus pais, nem ela com os meus. Os pais de Melina iam para a Europa com a mesma frequência que os meus vinham para os Estados Unidos, por conta de negócios em comuns. Eu havia focado as minhas energias para fugir somente da minha noiva, não de toda a sua família. — Não, eles não costumam estar em casa a essa hora— tirou o cinto de segurança e esticou o pescoço, até visualizar a garagem— E os carros deles ainda não estão aqui. A estilista, entretanto, já deve ter chegado. Preciso fazer uma prova do vestido de noiva, agora. — Então acho que esse é o momento ideal para eu dizer que preciso ir para a minha casa— me referi ao apartamento que os meus pais mantinham na Califórnia. Quando nos mudamos para Paris, eles venderam a mansão e compraram algo menor, para acomodar as famílias nas eventuais viagens a Los Angeles. Eles escolheram em um prédio, justamente pelo tempo em que o lugar ficaria vazio. — De jeito nenhum! Eu preciso da sua opinião sobre o meu vestido de noiva. Você já não me ajudou em praticamente nada desse casamento, agora que você está aqui, posso reclamar na sua cara. Não quero passar pelo constrangimento de subir ao altar parecendo um bolo e estar completamente descontada com o seu terno, que por sinal, espero que já esteja pronto. — Você bateu a cabeça, Melina? É o seu vestido de noiva, eu não posso vê-lo. Vai dar azar! Me recuso a te ver vestida de noiva antes da hora. E eu tenho certeza que você pode achar algumas informações na internet ou tirar as suas dúvidas com a sua estilista, porque eu não entendo nada disso, apenas sei que você deve escolher um vestido que goste, se sinta bonita e confortável. — Você acredita nessas bobagens, Tyler? É só superstição, não é como se algo fosse acontecer, só por me ver vestida de noiva, antes do altar. E o vestindo ainda está largo, precisando de ajustes, me ver com ele hoje vai ser completamente diferente de me ver entrando na igreja, comigo maquiada, de saltos altos, cabelo penteado... — Não ha uma maneira de me convencer a fazer isso! Não vou te ver vestida de noiva antes do grande dia, quer dizer, nem no dia. Só vou te ver quando você estiver caminhando na minha direção, para nos casarmos. — E como seria possível piorar a nossa situação? Não é como se a gente fosse conseguir atrair azar. Afinal, que sorte é essa? Casamento forçado? Achei que era você quem estava todo revoltado com essa história, mas agora você me parece bem contente e tentando atrair sorte... — Não acredito que estamos tendo a nossa primeira discussão de relacionamento por um motivo tão ridículo, Melina. — Justamente, por ser tão ridículo, você não deveria se importar com superstições. — Eu não estou a fim de cair em cima do bolo, no meio da festa, você está? Acho que essa seria uma demonstração suficientemente convincente de azar. Pior ainda, descobrirmos que não conseguimos conviver em harmonia. Ou então, sofrer um acidente de avião na nossa lua de mel. — Meu Deus, você está exagerando e sendo dramático para me convencer de um ponto. Tem medo de me ver vestida de noiva e se apaixonar, Tyler? — Voltando a falar da lua de mel, teremos uma? — eu não tive a mínima vergonha de fugir do assunto. Melina revirou os olhos e respirou fundo, já estávamos a tempo suficiente parados na frente da casa dela e a estilista provavelmente já estava com a a b***a quadrada de tanto a esperar. — Eu me impressiono com como você está a par das coisas do seu próprio casamento, Tyler— bufou, percebi que ela estava cansada e por mais que tentasse ter paciência, para criar uma convivência boa comigo, ela ainda não tinha superado toda a responsabilidade, que foi colocada sobre ela, enquanto eu curtia os últimos meses de boêmia na Europa. E eu era o culpado por isso, eu sabia. — Me desculpe, ok? Eu não sabia que você havia se responsabilizado por tanta coisa. Achei que havia contratado alguém para tomar todas as decisões por você e que só se encarregava das poucas coisas que solicitava a minha opinião. — Oh, é. Porque seria ótimo só me preocupar com escolher o lugar, a hora e a data do casamento, Tyler. Eu te fiz as perguntas mais importantes, precisei tomar cada pequena decisão sozinha. E outras nem tão pequenas assim. — Me desculpe, eu não pensei que você pudesse estar sobrecarregada com os afazeres do casamento. — É, você com certeza não pensou nisso. E respondendo a sua pergunta, sim, teremos uma curta lua de mel. — Tentei perguntar para onde iríamos, mas ela disparou a falar, logo em seguida— Vamos fazer assim, já que você vai amarelar, vá para casa e volte daqui a umas duas horas, esse é o tempo necessário para a minha prova do vestido e para os meus pais chegarem. — Tudo bem. E vamos sair com os seus amigos? — Antes, precisamos nos sentar para conversar com calma. Precisamos repassar todos os detalhes daquela planinha que te enviei por e-mail. — Aquela que contem todas as informações, que deu a alguém, sobre o nosso relacionamento? — Qual outra seria? A de comidas do nosso casamento? — Grossa! — Mostrou a língua, como uma criança. — Precisamos criar histórias convincentes e amarrar as pontas. Preciso saber um pouco do que você andou falando sobre nós, por aí. — E depois vamos sair com a sua amiga e aqueles dois caras? — perguntei novamente. — Aqueles dois caras também são meus amigos, Tyler. Me avise se você for o tipo de homem ciumento, porque eu não imaginava isso de você, pensei que você fosse mais autoconfiante. — Eu não faço o tipo ciumento, apenas não podia supor que são seus amigos sem ter certeza, eles não me deram nem um boa tarde, que pudesse me ajudar a tirar conclusões. — Você também não os cumprimentou— tentou defender —Provavelmente iremos sair com eles, hoje a noite. Mas isso vai depender da forma como vamos nos sair, quando começarmos a colocar o plano em prática. Devemos ir, vai ser bom para a nossa imagem, depois do que a mídia andou falando de nós. Quer dizer, de mim, mas agora você vai ser vinculado, de qualquer jeito. — Já teve algum tipo de envolvimento com um daqueles dois? — Questionei. Melina parecia pisar em ovos, ao falar deles para mim. — Eles têm nome: Ethan e Dominic —Fiquei esperando que ela me desse algum tipo de resposta, mas isso não aconteceu. Nós dois sabíamos que precisávamos ser sinceros sobre o nosso passado, se quiséssemos que a farsa desse certo. Mas a minha noiva não parecia tão empenhada assim, naquele momento. — Melina! — Tyler, eu preciso que você me traga a sua lista de convidados —Começou a fugir do assunto —Eu sei que você já me mandou por e-mail, mas eu acho que o apaguei sem querer. Preciso conferir todos os convites, para ver se não está faltando ninguém, antes de colocá-los na transportadora, amanhã. Preciso correr com isso, já deveríamos ter entregue o convite há mais de um mês e eu só não fiz isso para não revelar a sua identidade. Mas ainda quero que todos tenham sido entregues até o dia do nosso aniversário... Ela disparou a falar, como fazia toda vez que estava nervosa, desde pequena, ignorando o meu questionamento. Aquilo só me provava que algo não estava certo e eu precisaria encontrar uma forma de fazer com que Nina se sentisse confortável comigo ao ponto de me falar. — Por que você fugiu da pergunta que eu te fiz, Melina? — Eu acho que você não era tão direto assim, na infância. — Tenho quase certeza que eu costumava ser ainda mais, você só não se lembra porque naquela época não tinha problema nenhum em me contar o que estava pensando e sentindo. — Mas aquela época passou, Tyler. Se queremos voltar a ser o que éramos, se estivermos dispostos a tentar sermos amigos novamente, precisamos de tempo. Não vai ser com um estalar de dedos que vamos conseguir voltar no tempo, ficamos anos sem nos falar e mais ainda sem nos ver, isso tem um impacto, não há como fugir disso. — Por quanto tempo vamos parecer estranhos e intrusos na vida um do outro? — suspirei em voz alta. Não esperava uma resposta dela para a minha reclamação, era frustrante, mas a culpa era minha. — Não sei, não sei nem se os nossos conceitos estão alinhados. Não sei se você quer que dê certo, não sei quão longe você está disposto a ir para fazer isso acontecer, não sei em que acordo de convivência vamos chegar, não sei. Não sei de nada e me sinto assim desde que você foi embora. — Nina, nós— Tentei falar, mas ela me interrompeu, antes que eu pudesse o fazer. — Nós vamos conversar mais tarde, com uma xícara de café ao lado e uma dose extra de paciência e compreensão. Agora eu realmente preciso ir provar esse vestido, a não ser que você queira que ele esteja desajustado do meu corpo ao ponto de cair no meio da igreja e me deixar pelada. — Eu espero que você use uma ‘lingerie’, por baixo. Um casamento forçado já é pecado demais na nossa conta, ficar pelada na igreja ou usar um vestido de noiva sem nada por baixo não seria uma boa escolha. — Vou me lembrar disso! Estou indo, Tyler. Não esqueça da sua lista de convidados! Foi bom te reencontrar— ela disse, finalizando a nossa conversa apressadamente, praticamente pulando para fora do carro.
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