Lorena
Nem estava acreditando que Melissa me fez sair de casa pra vir na praia.
Ela encheu tanto meu saco, que eu resolvi vir. Mas foi bom, até pra sair um pouco de casa e relaxar. Sempre bom.
Milena: Teu queijo tá com uma cara de ser bom, quer me dar um pouco não? — olho pra ela enquanto mordo um pedaço.
Lore: Não! Eu perguntei duas vezes se você ia querer quando o moço tava aqui, agora que eu já tô me deliciando tu quer, Milena? Claro que eu não dou. Fica na vontade ou espera o moço voltar. — falo, p**a. Sempre assim, depois que eu compro, ela quer. Eu pergunto, ela não quer. Depois que eu tô comendo, ela diz que quer.
Milena: Tu é tão grossa. — n**a com a cabeça.
Lore: Sou, e você sabe. — ela bufa e olha pro lado.
— Vou me torrar no sol. — termino de comer meu queijo.
Milena: Eca, depois a pessoa fica toda se ardendo e não pega um bronze direito. — pego meu celular e abro a câmera.
Lore: Melhor do que esses bronze de fita que tu faz. — falo, tentando tirar uma foto de mim mesma.
Milena: Fica bem marcado, eu gosto.
Lore: O meu fica natural e eu amo. — ela tira o olhar de mim e eu continuo tirando minhas fotos.
Eu nunca fui fã de bronze de fita, sempre achei algo muito artificial. Já até fiz uma vez, mas eu era bem novinha. Depois que fui tendo mais liberdade e minha mãe começou a deixar eu vir pra praia com amigos, comecei a pegar sol e me apaixonei pela marquinha natural.
Com o tempo, comecei a comprar uns biquínis e o meu preferido é o da Lara Jucah — o biquíni dela é perfeito, a marquinha fica a coisa mais linda. São um pouco carinhos, mas vale super a pena, tanto pelo tecido quanto pela marquinha linda no corpo.
Um dos meus hobbies favoritos é tomar sol na praia. Amo mar, amo tudo que tem a ver com praia. Já Milena, vem pra praia pra ficar sentada na cadeira, só comendo.
Não que eu não goste, mas eu amo sair da praia toda torrada.
Milena: Sabe quem vai pagar tudo isso? — olho pra ela, desligando o meu celular.
Lore: Quem?
Milena: Aquele bofe que tá com uma tornozeleira no pé. — olho na direção em que ela olhava, vendo um cara todo tatuado, que tava olhando pra gente.
Lore: Conhece? — tiro o olhar dele e volto pra ela.
Milena: Não, mas vai ser ele mesmo que vai nos bancar hoje. — se levanta da cadeira e começa a tirar o short do corpo.
Lore: Quero um pix também, mocreia. — ela ri e solta o cabelo curto. Arruma o biquíni no corpo e pega o celular.
Milena: Pago teu Uber, fica tranquila. — abre um sorriso fraco e eu n**o com a cabeça.
Ela caminha até o homem e começa a falar algumas coisas com ele.
Ele dá um sorriso e aponta pra cadeira ao lado dele.
Tinha outro homem lá, mas assim que o cara olhou pra ele, o outro meteu o pé.
Ele falou algo que fez Milena sorrir e arrumar a parte de cima do biquíni, fazendo o homem olhar pros p****s dela.
Ficaram nessa por um tempinho, até ele falar algo no ouvido dela e Milena voltar com um sorriso na cara, vindo na minha direção.
Lore: Caiu no teu papo, papo? — ela sorri e eu entendo tudo. Essa daí é puro golpe.
Milena: Caiu facinho! — pega a bolsa e começa a guardar as coisas dela. — Ele é lá do Vidigal, me chamou pra ir pra lá, mas eu disse que não podia deixar minha amiga voltar pra casa sozinha e sem pagar a conta. Aí o bofe disse que pagava Uber e tudo que a gente comprou aqui. — ela olha pra trás. — Olha lá, já tá falando com o moço pra pagar o que a gente consumiu. — acabo rindo.
Lore: Boa sorte pra ele. — falo.
Milena: Tu deveria iludir algum carinha, amiga. Aprendi com você mesma. — olho pro rosto dela.
Lore: Ih, da última vez eu quase morri, e tu lembra bem. — ela n**a com a cabeça e ri.
Milena: Bom, já vou indo. — veste o short rapidamente. — Vou mandar o pix do Uber pra tu. — fico calada.
Lore: Usa camisinha, hein, principalmente com esses bofe aí. — alerto ela.
Milena: Fica tranquila.
Lore: Avisa quando chegar.
Milena: Aviso. — vai saindo dali.
A última vez que eu fiquei com um bandido deu merda.
O cara quase me matou por eu ter ficado com outro.
Foi aí que eu disse que nunca mais iria ficar com nenhum envolvido.
Mas isso não aconteceu. Já fiquei muitas vezes, porque amo pagar com a língua.
Milena gosta dessas coisas, mas eu já não gosto mais.
Ela, apesar de tudo, se cuida e é muito consciente, mas eu já não tô mais no clima pra isso, nem tenho paciência.
Eu continuo ali por um tempinho pegando meu sol.
Quando me canso, chamo o Uber pro Chapadão e vou pra casa.
Milena mandou trinta reais pro Uber, deu que ainda sobrou.