Lorena
Já estava em casa, na minha boa caminha, tomando banho e confortável. É ótimo sair, mas a melhor coisa é chegar em casa, tomar um banho de corpo todo, hidratar o cabelo e deitar na cama pra descansar. Principalmente depois de uma praia.
Ouço um barulho esquisito e me viro para a porta, vendo ela sendo aberta. Me cubro com o lençol, pois estava apenas de pijama, e paro o olhar no meu padrasto, que estava parado ali me encarando.
Lore: — Podia ter batido na porta, né, Fabiano? — meu tom de voz sai com uma voz p**a.
Ele fala alto e eu...
Fabiano: — A casa é minha e eu faço o que eu quiser.
Reviro os olhos, respiro fundo e peço a Deus paciência, porque eu ia ter que ter paciência. É por essas e outras que eu quero me livrar daqui. Eu não aguento mais ter que aguentar essas coisas de uma pessoa que não tem nenhum laço sanguíneo comigo, só por causa da minha mãe. Isso tudo com 20 anos e já sendo dona do meu próprio dinheiro. Eu só quero conversar com a minha mãe direitinho e comprar alguns móveis porque Milena não tem tudo ainda — ela cansou de se mudar faz pouco tempo. Apesar de tudo, Milena também não tem as melhores condições do mundo; ela vai se virando, fazendo um corre aqui e outro ali pra ir conquistando as coisinhas dela.
Ela me chamou pra morar com ela, não é de hoje — faz um tempo. Mas eu falei pra ela que ia esperar mais um pouco, ia guardar um pouco de dinheiro e conversar com a minha mãe pra eu conseguir ir tranquila.
Fabiano: — Cadê a tua mãe?
Lore: — Não sei, não tenho um GPS nela. — tiro o olhar dele e volto a olhar para o meu celular, torcendo pra esse homem sair dali logo.
Fabiano: — Fala direito, p***a. — ignora minha fala e continuo mexendo no meu celular — Desde manhã ela não pisa aqui dentro de casa, quero ver só onde ela tá.
Lore: — Pois é, né? Ela trabalha, tem horário pra ir e pra largar. — ele respira fundo e passa a mão na barba — Enquanto tu tá dormindo depois de uma noite inteira bebendo, ela tá trabalhando; e se ela não chegou até agora é porque está trabalhando.
Fabiano: — E tu? Deveria tá trabalhando, mas tava na praia, comendo macho ou se amostrando pra eles. Quero p**a na minha casa não.
Escuto aquilo e volto a olhar pra ele, sem acreditar no que acabei de ouvir.
Lore: — Oi? — levanto o corpo, sentando na cama para olhar bem pra ele — Me respeita, porque eu nunca dei nenhum motivo pra você me chamar de p**a! Tá achando que é quem?
Ele me olha sorrindo.
Fabiano: — Se eu pagar pra tu fuder comigo, tu vem na hora, p**a. — escuto aquelas palavras saírem da boca dele e sinto nojo; um nó enorme na garganta. Minha vontade é vomitar na cara dele.
Lore: — Vai tomar no cu! Tu acha que eu sou o que? Seu nojento! Eu tenho nojo de você, na moral! — me levanto, p**a. Minha vontade é ir pra cima dele e quebrar ele no p*u. — Sai do meu quarto! — grito, e ele sorri, achando engraçado tudo aquilo. — Sai! — grito mais alto.
Fabiano: — Saí da minha casa, a casa é minha!
Ele grita e eu concordo com a cabeça.
Lore: — Eu saio a hora que eu quiser dessa p***a, porque a casa é minha, c*****o! — ele bate a mão forte na porta, fazendo eu tomar um susto com o barulho. Começo a ficar com medo.
Lore: — Se preocupa não, eu vou sair. — falo, sem olhar pra ele.
Fabiano: — Quando? — fico calada, ainda sem olhar pra ele. — Te dou uma semana pra tu ir embora daqui, pra eu não ter que ver a tua cara de p**a!
Ele grita e sinto uma vontade enorme de chorar, mas me seguro. Queria mesmo era ir pra cima dele, mas sei que iria apanhar, e do jeito que ele é nojento, poderia até tentar fazer algo a mais comigo.
Lore: — Menos que isso tu nunca vai me ver nessa casa. — ele sorri — Por mim eu nem estaria aqui! Mas eu vou sair, fica tranquilo.
Fabiano: — Bom mesmo.
Sai do quarto e eu ando até a porta e fecho ela com tudo. Que ódio desse nojento!
Tranco a porta e coloco a mão no rosto, respirando fundo. Se eu ia sair no final do mês, vou agora — não vou ficar me passando por isso por causa da minha mãe. Ver um homem me chamando de p**a e aguentar? Não vou. f**a-se minha mãe, f**a-se tudo. Nessa p***a eu não fico mais! Não é porque ela quer passar por isso que vai me levar junto pra passar por isso também. Eu não nasci pra ser tratada que nem lixo por homem, ainda mais ser chamada de p**a e não poder fazer nada com medo de acontecer algo de errado comigo. Eu não vou viver aqui com esse medo, ainda mais morando no teto que não é meu e ter que ouvir isso da boca desse escroto, nojento.
[...]
Milena: — Então amanhã mesmo tu vem, Lore. — Milena fala pra mim. Eu já estava na casa dela conversando sobre o que aconteceu. Assim que acordei, já vim pra cá; não queria de jeito nenhum olhar na cara daquele homem.
Lore: — A gente tem que ver sobre as contas. — ela me olha e estala a língua no céu da boca.
Milena: — Vai ser dividido, como a gente falou. — prende o cabelo em um coque.
Lore: — Tem certeza que não vai se incomodar? — pergunto receosa.
Milena: — Eu? Me incomodar? — revira os olhos — Vem com teu cu doce, não. Tu sabe que eu não ligo e a gente tá planejando isso faz muito tempo.
Lore: — Tá, tá bom. — prendo meu cabelo — Só tô esperando minha mãe chegar pra conversar com ela... já tentei várias vezes fazer ela separar desse traste, mas parece que gosta de sofrer. A questão é que ela não quer ser ajudada e eu não vou ficar no pé não. — pego meu celular. — Se ela gosta de passar por isso, problema é dela; eu que não vou.
Milena: — Verdade.
Lore: — Às vezes parece mais que eu que sou a mãe dela do que ela é a minha mãe. — jogo a cabeça pra trás.
Milena: — Gosto muito dela, mas ela é muito imatura. Parece uma adolescente. — senta do meu lado.
Lore: — Enfim, só espero que ela entenda. Não vou ficar o resto da minha vida morando lá e sendo expulsa de casa, levando tapas na cara e sendo chamada de p**a.