cap 05 esse é só o começo

1259 Words
Lorena Lore: — Simplesmente é isso, mãe. Ele me expulsou e eu vou! — ela me olha e n**a com a cabeça. Esperei ela chegar em casa para ter uma conversa. Era agora ou nunca, ela vai ter que entender. Camila: — Não é assim, Lorena... — interrompe, balançando a cabeça. Lore: — É assim sim! Já cansei disso. Não quero mais viver no mesmo teto que esse escroto. Acredita que ele até me chamou de p**a? — ela me olha surpresa. — Falou que se me desse dinheiro eu transaria com ele. Camila: — Senhor... — n**a com a cabeça, junta as mãos e encosta a cabeça nelas. — Isso não vai mais acontecer. — olha pra mim. Lore: — Claro que não vai, até porque eu irei embora. — falo, decidida. Ela respira fundo e ajeita o corpo na cadeira. Camila: — Não posso fazer nada se você quer ir; já é maior de idade e dona do seu dinheiro. Só não deixe de me visitar. — fico calada por um tempo, mas logo abro a boca. Lore: — Tá vendo? Você que se permite passar por isso. Não pensa em crescer na vida, só vive na mesmice. Não sou assim, mãe. Penso alto, penso em um dia poder te tirar daqui também. Mas isso não depende só de mim e sim de você também. — jogo tudo que estava guardado dentro de mim. Ela precisa se tocar. Camila: — Você tem a oportunidade que eu não tive, então aproveite, Lorena. — ignora o que eu falo e levanta da cadeira, vira-se e sai da cozinha, me deixando ali com cara de tacho. Eu não entendo ela, sério mesmo. Sempre foi assim. Ela não consegue ter independência de vida, sempre dependente de alguém e, no final, sempre se fudendo. Resolvo nem dar moral pra isso; eu que não iria me permitir passar por isso só porque ela quer passar. Já estava mais que na hora de sair dessa casa e o que esse escroto fez foi até bom — finalmente eu vou conseguir sair daqui. Vou para o meu quarto e começo a arrumar minhas roupas na cama, para conseguir colocar tudo certinho na bolsa. Aqui eu só tinha roupas, sapatos, acessórios e cosméticos; de resto é tudo do outro. Não queria ficar com nada que era dele, então deixei tudo que não era meu lá. Milena chegou pouco tempo depois e me ajudou a arrumar as coisas na bolsa. Chamei Gengibre pra levar minhas coisas para a casa. Mas como tudo sempre tem um preço, ele me pediu pra sair com ele, ficou no meu pé, me pedindo pra dar uma chance. Ele não desistiu mesmo, mas como é só uma saída, aceitei — até porque não tem nada demais nisso. Logo a gente termina de arrumar as coisas e Gengibre chega, começando a levar tudo. Fabiano não tinha chegado e minha mãe não fez questão de sair do quarto. Mas prefiro assim. Quando ele chegar, vai ver que eu não moro mais naquele lixo dele. Quando eu falo uma coisa, eu faço. Eu tô me livrando, isso sim. Tem mares que vêm para o bem e esse com certeza veio pro meu maior bem. Sempre fui assim: nunca fico com essa de engolir a língua, mas já engoli, e se pagar, não tem problema — a vida é isso, cheia de altos e baixos. Mas confesso que odeio engolir. [...] Já estava tudo prontinho, tudo organizado e limpinho. Estava na minha nova casa, com meu quartinho arrumado. Na verdade, “arrumado” é uma palavra forte: não tem guarda-roupa, então as roupas estão nas caixas; vou ter que dormir no colchão por enquanto e, graças a Deus, Milena me emprestou o ventilador, já que o quarto dela tem ar-condicionado. Mas já é um grande avanço; aos poucos eu vou conseguindo minhas coisas. E agora que eu não vou ter que dividir as contas com a minha mãe, vai ficar tudo melhor. Vou conseguir dividir com Milena, e as contas daqui são bem menores. Lore: — Obrigada, Gengibre. Você me ajudou muito! — agradeço, vendo ele sorrir. Gengibre: — Que isso, tudo por você. — n**a com a cabeça. Ele é um cara super gente boa, mas sei lá, não encaixa comigo. Ele não é feio, mas também não é lá essas coisas; é arrumadinho. Eu não vejo problema, mas eu não sou de forçar as coisas — não adianta eu forçar ficar com alguém sendo que eu não tô afim. Se ele quisesse amizade, seria mil vezes melhor, mas ele não quer, e isso que fode com tudo. Lore: — Que bom... — falo sem jeito e dou um sorriso leve, querendo me sair daquela situação meio constrangedora. Gengibre: — A saída de amanhã tá de pé ainda? — eu solto um suspiro, colocando o cabelo pra trás. Lore: — Sei não, hein... — ele me olha calado e eu logo termino de formular a frase. — Amanhã eu tenho compromisso, posso não. Quem sabe outro dia a gente vê isso. — tento ser o mais legal possível. Porque tem vezes que eu não consigo; quando eu não quero ficar com alguém, eu não consigo fingir — minha vontade é dar um fora e pronto, mas não é assim. Ele me ajudou muito e é super gente boa; não tem por que fazer diferente. Ergo a sobrancelha. Gengibre: — Que compromisso amanhã? — pergunta. Lore: — Ih, não devo nada a tu não, bofe. — não consigo me segurar; meu jeito não deixa eu não soltar essa pra ele. — Quando eu tiver tempo eu te aviso, mas eu não posso nem hoje nem amanhã. — a cara dele muda, ele parece ficar sem graça. — Mais uma vez, obrigada por me ajudar aqui. Agora eu preciso ir. Gengibre: — Já é, obrigada pela patada. — ele responde. Lore: — Não é isso, Gengibre. — respiro fundo. — Não é questão disso, cara. É porque eu tô te explicando que não vou conseguir ir hoje e amanhã porque vou estar ocupada. Se você quiser sair comigo mesmo, vai entender. — ele fica calado por um tempo. Gengibre: — Foi m*l, te entendo. — coça o topo da cabeça. — Vou meter o pé; quando tu tiver afim tu me chama. — eu fico calada, vendo ele se virar para sair, e eu faço o mesmo, me viro e entro dentro de casa. Milena: — Baile amanhã ainda tá de pé, né? — pergunta assim que entro em casa e fecho a porta. Ando até ela e sento no sofá ao seu lado. Lore: — Já tinha até me esquecido desse baile. — concordo com a cabeça. — Ah, sim. Lore: — Claro, já confirmei minha presença e tô precisando me divertir, porque agora moro sozinha com a minha amiga, sem ninguém pra mandar em mim. — ela sorri. Milena: — Como eu tava com saudades dessa Lorena! — abro um sorriso e reviro os olhos. — Vamo ver em quantos dias a gente não se mata. Lore: — Se tu me aguentar. — encosto a cabeça no sofá. Meu pescoço tava doendo demais de tanto ficar abaixando pra carregar caixa. Milena: — Tô pedindo a Deus forças. — eu sorrio e n**o com a cabeça. Lore: — p**a. — olho pra ela e mostro o dedo do meio. Milena: — v***a. — me xinga. E assim se começa mais uma fase da minha vida! Que venham mais e mais fases. Esse é só o começo.
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