A casa estava estranhamente silenciosa naquela noite. O vento frio cortava o ar, e a neve que havia caído durante o dia agora cobria as ruas e os jardins, criando um manto branco que parecia engolir tudo ao seu redor. Eu estava sentada na sala de estar, com a televisão ligada em um volume baixo, tentando me distrair da sensação de vazio que tomava conta da casa. Desde que Emily havia saído, havia um peso no ar, como se algo estivesse prestes a acontecer, mas eu não conseguia decifrar o que era.
Enquanto eu tentava ignorar a inquietação que me rondava, ouvi, de repente, um som vindo da casa ao lado. Não era o som de uma porta batendo ou de passos na neve, mas sim algo mais estranho, algo que eu não conseguia identificar de imediato. Parecia o som de algo sendo arrastado, seguido por um latido abafado, mas era tão baixo e distorcido que eu não conseguia distinguir com clareza.
Fiquei em silêncio, tentando entender o que estava acontecendo. A casa ao lado estava quieta, mas o som continuava, como se algo ou alguém estivesse se movendo lá dentro, mas de forma estranha, como se estivesse tentando se esconder. Meu instinto me disse para ir até a janela e olhar, mas eu hesitei. Eu não sabia se deveria me meter naquilo. Afinal, eu m*l conhecia os vizinhos, e a última coisa que queria era parecer uma curiosa ou intrometida.
Mas, por algum motivo, eu não consegui evitar. Levantei-me da cadeira e fui até a janela, afastando a cortina com cuidado para não fazer barulho. Lá fora, a rua estava silenciosa, coberta por uma camada espessa de neve. Nenhuma movimentação, nenhum sinal de vida. Mas o som... o latido... Ele ainda estava lá, mais forte agora, como se o cachorro estivesse se aproximando de mim. Eu não sabia o que estava acontecendo, mas meu coração começou a bater mais rápido, uma sensação estranha subindo pela minha espinha.
Eu me aproximei mais da janela, tentando ver melhor. Mas, em vez de ver algo fora de lugar, vi Emily. Ela estava na rua, um pouco mais distante, olhando para a casa deles. Ela estava parada, como se estivesse esperando algo. Ou alguém. Mas o que realmente me chamou a atenção foi a expressão em seu rosto. Era uma mistura de angústia e raiva, algo que eu nunca havia visto nela antes.
O latido continuava, mas agora eu podia sentir algo mais. Havia uma tensão no ar, algo que tornava tudo ainda mais sombrio. Emily parecia perdida em seus próprios pensamentos, completamente alheia ao mundo ao seu redor, enquanto a casa ao lado continuava em silêncio, exceto pelos latidos distantes. De repente, ela se virou e começou a caminhar na direção da rua, sem olhar para trás. Era como se algo tivesse a impulsionado a sair dali, e não havia nada que eu pudesse fazer para impedir.
Eu não sabia se deveria ir atrás dela, mas uma sensação de urgência me impediu de agir. Algo estava errado. Eu podia sentir isso no fundo do meu estômago. O latido agora estava mais alto, mais desesperado, como se o cachorro estivesse se aproximando da casa, mas não havia nenhum sinal dele por ali.
De repente, o som parou. O silêncio tomou conta da casa, e eu fiquei ali, observando a rua deserta e a figura de Emily se afastando cada vez mais. O latido havia desaparecido, e a paz que se seguiu parecia falsa, forçada. Olhei novamente para a casa ao lado, mas nada se movia. Não havia mais nada além da neve caindo suavemente e da luz fraca da rua refletindo nas fachadas das casas.
Eu me afastei da janela, sentindo um nó no estômago. Algo havia acontecido ali, algo que eu não podia entender. Emily havia saído, e o silêncio era a única resposta que restava.
E, no entanto, eu sabia que a calma era apenas temporária. Algo ainda estava prestes a acontecer. Algo sombrio.