A Casa Nova

824 Words
Na manhã seguinte, a neve continuava a cair suavemente, cobrindo a cidade com seu manto branco e silencioso. As ruas, agora mais geladas, estavam quase desertas. Eu, que ainda tentava me acostumar com o ambiente estranho, decidi sair para uma nova tentativa de explorar a área. Eu precisava de algo que me distraísse, algo que quebrasse a monotonia daquele lugar. E, quem sabe, talvez fosse a chance de ver Emily novamente ou até mesmo encontrar algo que valesse a pena nesse fim de mundo gelado. Ao sair, vi que a casa ao lado estava com a porta entreaberta. Era a casa de Emily. Quando ela me viu, ela estava no jardim, segurando a coleira do Rex, que parecia mais animado do que nunca. — Ei, Megan! — ela gritou, com uma expressão que parecia um pouco mais genuína do que antes. — Você está saindo novamente? Eu sorri, tentando parecer mais à vontade do que realmente estava. — Só dando uma volta. — respondi, balançando a cabeça. — Estou tentando me acostumar com esse lugar. Ele é... diferente, né? Emily deu um meio sorriso e acenou com a cabeça, mas antes que pudesse dizer mais alguma coisa, uma voz masculina surgiu de dentro da casa. — Emily, você não vai ficar o dia todo aí fora, vai? — Era uma voz grave, com um tom descontraído, mas autoritário. Emily olhou para a porta e, ao ver o olhar dela, percebi que a relação com aquele cara era um tanto estranha. Não havia muito afeto em sua expressão, mais uma sensação de obrigação do que qualquer outra coisa. — Eu já estou indo, Alex. Só vou terminar de dar a volta no Rex. — Emily respondeu sem entusiasmo, já começando a se afastar de mim. Foi então que o rapaz apareceu na porta. Ele era alto, com cabelos escuros e uma expressão séria. Seus olhos, porém, pareciam penetrantes, como se estivesse sempre analisando tudo ao seu redor. Quando me viu, parou por um momento, como se estivesse me avaliando. Algo no olhar dele me deixou desconfortável, mas também havia algo de intrigante. — Oi, você deve ser a nova vizinha, né? Megan, certo? — Ele disse com um sorriso que não parecia completamente genuíno. — Isso. — respondi, tentando disfarçar a estranheza. — Eu me mudei ontem. Ele assentiu, ainda me observando com atenção. — Eu sou Alex, irmão da Emily. — disse ele, estendendo a mão. Seu aperto de mão foi firme, quase firme demais, como se estivesse escondendo algo atrás daquela cordialidade. Eu o encarei por um momento, sentindo uma curiosidade crescente, mas também uma sensação estranha. Algo não estava certo com ele, eu podia sentir isso, mas não conseguia identificar o que era. — Legal te conhecer, Alex. — falei, tentando soar mais natural do que realmente me sentia. Alex deu um sorriso breve e então olhou para o cachorro, que estava se esfregando nas pernas de Emily. — Se precisar de alguma coisa, é só chamar. Somos só nós aqui, mas se quiser companhia, é só aparecer. — ele disse, ainda com aquele sorriso sutil no rosto. Eu não sabia exatamente o que pensar sobre ele, mas não pude deixar de notar uma tensão no ar. Algo em Alex parecia... sombrio, como se ele estivesse escondendo algo. Quando ele olhou para mim novamente, vi algo nos olhos dele que me fez estremecer por dentro. Era uma escuridão disfarçada por um sorriso, algo que me fez sentir que não estava lidando com a pessoa que ele queria que eu visse. — Obrigada, eu vou pensar nisso. — disse, tentando desviar a atenção. Alex apenas assentiu, mas antes que pudesse continuar a conversa, Emily já estava puxando a coleira do Rex, com pressa de voltar para dentro. — Vamos, Rex! — Emily gritou, e o cachorro, como sempre, obedeceu. Eles entraram rapidamente na casa, deixando-me sozinha com Alex na porta. Eu fiquei ali por um momento, tentando decifrar o que estava acontecendo. Alex parecia ser o tipo de pessoa que escondia muito mais do que mostrava. Seu sorriso, aquele olhar frio, não eram sinais de alguém amigável, pelo menos não para mim. Mas havia algo nele, uma intensidade no jeito como ele olhava para mim, que me fazia querer saber mais. Não era apenas uma atração, era uma necessidade de entender o que havia por trás daquela fachada calma. Fui embora dali, mas não pude deixar de pensar nele enquanto caminhava pela rua. O que ele queria realmente? E o que estava escondendo? Algo me dizia que Alex não era apenas um simples vizinho. Ele era uma presença sombria, e eu sentia que algo estava prestes a acontecer, algo que mudaria tudo ali. O vento cortava meu rosto enquanto eu me afastava, mas eu não conseguia afastar os pensamentos sobre ele. E, pior, eu sabia que, de alguma forma, Alex estava mais ligado a minha nova vida do que eu gostaria de admitir.
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