Lucas Eu fiquei parado diante da porta por longos segundos, segurando a caixa de pizza com uma mão e a garrafa de vinho com a outra. O corredor estava silencioso, mas dentro de mim havia um barulho que não cessava: ansiedade, culpa, uma estranha saudade de algo que nunca tive por completo. Era noite. E eu sabia que ela não tinha jantado. Toda vez que Nicolas aparecia na vida da Ivy, ela esquecia até de respirar, quanto mais de comer. Toquei a campainha antes que meu cérebro me fizesse recuar outra vez. A porta abriu devagar, revelando Ivy com o rosto cansado, a pele ainda quente daquele tipo de choro que não escorre, o que só arde por dentro. Meu peito apertou. — Trouxe paracetamol — eu disse, erguendo a caixa de pizza. — E Rivotril. Apontei para a garrafa de vinho. Ela riu. Um

