Paulo O escritório ainda estava quase vazio quando cheguei. O sol da manhã atravessava as cortinas translúcidas como lâminas douradas, recortando o ar em faixas de luz que me irritavam. Tudo naquele lugar me irritava. As paredes impecáveis. O cheiro discreto de madeira nova. O silêncio confortável que parecia sempre apertar minha garganta. E, acima de tudo, o nome dele gravado em cada detalhe. Nicolas Vasconcelos. Meu sócio. Meu "amigo". Meu atraso de vida. A sala dele ficava no final do corredor, com aquela porta pesada que parecia anunciar poder só por existir. E toda vez que eu a via, lembrava do dia em que assinamos o contrato como iguais e do dia em que ele começou a crescer mais rápido do que qualquer homem deveria crescer. Ele nasceu com estrela. E eu, com sombra. Respire

