MARCCO O bar estava cheio, quente, barulhento. O tipo de lugar onde a pele absorve luz antes do ar, onde o cheiro de bebida derramada se mistura com perfume caro e juventude demais. Não era um ambiente para um homem da minha idade. Não era um ambiente para o homem em que eu tinha me transformado. Mas quando Symon me chamou, eu fui. No automático. No impulso. No vazio. Eu tinha passado anos me anestesiando. Anos aceitando pouco. Anos casado com uma mulher que só me queria pelo sobrenome. Karen havia parado de me tocar antes de parar de me amar – se é que amou algum dia. E eu, já cansado demais, aceitei. Aceitei porque, na época, estava sozinho demais, faminto de mais, sofrendo demais. A solidão deixa qualquer homem suscetível a erro. E eu errei. Casei errado. E me tornei frio.

