Ivy O vento da noite bate no meu rosto assim que saio do prédio. É um vento úmido, pesado, carregado daquele cheiro de asfalto quente depois de horas de sol. O estacionamento está quase vazio, mas as luzes dos postes criam sombras longas no chão — sombras que dançam, sombras que lembram memórias que eu tentei varrer da minha pele. Piso firme, determinada a não olhar para trás. Determinada a não esperar o som dos passos dele. Mas meu corpo sempre sabe antes da minha mente. Sempre. É humilhante admitir, mas é verdade. A temperatura do ar muda dois segundos antes de eu ouvir o barulho da porta automática atrás de mim. De repente, tudo parece mais estreito. Mais denso. Como se alguém tivesse apertado o mundo para caber só nós dois. — Ivy. O nome sai baixo. Quase um sussurro. Quase um

