Ivy A noite terminou, mas meu corpo não. Eu subi para o quarto tentando deixar para trás o cheiro dele, a voz dele, o calor dele na cozinha — mas foi inútil. Cada passo que eu dava nos degraus parecia carregar a memória do que aconteceu ali embaixo. A lembrança não vinha como lembrança; vinha como toque. Como respiração. Como um arrepio que começava na nuca e descia até o estômago. Eu queria dormir. Eu precisava dormir. Mas o corpo… o corpo tinha outros planos. Abri a porta do quarto com força, como se o barulho pudesse silenciar o que ardia dentro de mim. A luz estava apagada, a cama arrumada demais, e o silêncio parecia zombar de mim. Caminhei até a janela e abri, deixando o vento frio bater no meu rosto. Queria que me gelasse por dentro. Não adiantou. A pele ainda queimava onde

