cap 02 partiu Brasil

451 Words
SOLANGE — Clarissa: Ele disse que te ama? E você… você simplesmente transou com ele? — minha irmã pergunta chocada. — Solange: Vocês queriam que eu falasse o quê? — Emma: Que você o ama também?! — Emma indaga como se fosse óbvio. Nego com a cabeça, suspirando pesado. — Solange: Eu não amo o Matthew, e vocês sabem disso — me jogo na cama. — Clarissa: Então por que você se arriscou tanto por causa dele? — minha irmã me encara, confusa. — Solange: Eu não me arrisquei por causa dele, Clari. Eu me arrisco por mim. Papai não me puniu porque eu via o Matthew… ele me puniu porque eu faço o que eu quero, porque eu gosto do que ele considera um absurdo — reviro os olhos. — Emma: Tudo isso é por causa daquele teu conceito de “o amor não existe e não é pra mim”? — ela imita minha voz e eu jogo o travesseiro nela. — Clarissa: Espera ela chegar no Brasil… aposto que esse conceito muda rapidinho — gargalha. — Solange: Se eu não me apaixonei pelo Matthew, que é um gostoso, quem dirá pelos carinhas do Brasil? — Emma: Não cospe pro alto, que cai na testa, amiga — ela alerta, e eu faço uma careta. — Solange: Vocês são duas chatas — mostro a língua, fazendo as duas rirem. Minha irmã respira fundo, triste. — Clarissa: Ainda não acredito que você vai embora amanhã… Eu não quero que você vá. Meu peito aperta. — Solange: Por favor, meninas… vamos deixar pra chorar amanhã no aeroporto — peço, tentando segurar as lágrimas. — Então hoje a gente vai aproveitar essa última noite da melhor forma possível. — Clarissa: E qual seria a melhor forma? — ela pergunta como se fosse óbvio. — Solange: Noite das meninas, né, Emma? Quero chegar causando no Leblon. — Emma: Leblon? — ela franze o cenho, me fazendo rir. — Solange: Um bairro famoso e chique do Rio. Minha tia mora lá — dou de ombros. Passamos a noite fazendo hidratação facial e capilar, comendo horrores, chorando vendo filme clichê… até pegarmos no sono. Amanhã cedo eu partiria para o Brasil. (...) Despedidas nunca foram o meu forte. Me fazem chorar, e eu odeio demonstrar fraqueza. Mesmo decepcionada comigo, minha mãe veio ao aeroporto se despedir — diferente do meu pai, que nem teve a decência de acordar pra me dar um simples “tchau”. Não demorou muito para o voo ser anunciado. Me despedi em meio a lágrimas e abraços apertados. Dei meia volta, caminhando para a sala de embarque com o coração pesado por deixar toda a minha vida para trás.
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