SOLANGE
— Clarissa: Ele disse que te ama? E você… você simplesmente transou com ele? — minha irmã pergunta chocada.
— Solange: Vocês queriam que eu falasse o quê?
— Emma: Que você o ama também?! — Emma indaga como se fosse óbvio.
Nego com a cabeça, suspirando pesado.
— Solange: Eu não amo o Matthew, e vocês sabem disso — me jogo na cama.
— Clarissa: Então por que você se arriscou tanto por causa dele? — minha irmã me encara, confusa.
— Solange: Eu não me arrisquei por causa dele, Clari. Eu me arrisco por mim. Papai não me puniu porque eu via o Matthew… ele me puniu porque eu faço o que eu quero, porque eu gosto do que ele considera um absurdo — reviro os olhos.
— Emma: Tudo isso é por causa daquele teu conceito de “o amor não existe e não é pra mim”? — ela imita minha voz e eu jogo o travesseiro nela.
— Clarissa: Espera ela chegar no Brasil… aposto que esse conceito muda rapidinho — gargalha.
— Solange: Se eu não me apaixonei pelo Matthew, que é um gostoso, quem dirá pelos carinhas do Brasil?
— Emma: Não cospe pro alto, que cai na testa, amiga — ela alerta, e eu faço uma careta.
— Solange: Vocês são duas chatas — mostro a língua, fazendo as duas rirem.
Minha irmã respira fundo, triste.
— Clarissa: Ainda não acredito que você vai embora amanhã… Eu não quero que você vá.
Meu peito aperta.
— Solange: Por favor, meninas… vamos deixar pra chorar amanhã no aeroporto — peço, tentando segurar as lágrimas. — Então hoje a gente vai aproveitar essa última noite da melhor forma possível.
— Clarissa: E qual seria a melhor forma? — ela pergunta como se fosse óbvio.
— Solange: Noite das meninas, né, Emma? Quero chegar causando no Leblon.
— Emma: Leblon? — ela franze o cenho, me fazendo rir.
— Solange: Um bairro famoso e chique do Rio. Minha tia mora lá — dou de ombros.
Passamos a noite fazendo hidratação facial e capilar, comendo horrores, chorando vendo filme clichê… até pegarmos no sono. Amanhã cedo eu partiria para o Brasil.
(...)
Despedidas nunca foram o meu forte. Me fazem chorar, e eu odeio demonstrar fraqueza. Mesmo decepcionada comigo, minha mãe veio ao aeroporto se despedir — diferente do meu pai, que nem teve a decência de acordar pra me dar um simples “tchau”.
Não demorou muito para o voo ser anunciado. Me despedi em meio a lágrimas e abraços apertados. Dei meia volta, caminhando para a sala de embarque com o coração pesado por deixar toda a minha vida para trás.