Capítulo 32

940 Words
Controle Olyver estava deitado no sofá, olhando para o teto, mas não via nada além dela. A casa estava silenciosa. Alice já tinha ido para o quarto havia algum tempo, e o som mais constante vinha da respiração calma dela do outro lado do corredor — um som que ele conhecia bem agora, mesmo sem ouvir diretamente. Era estranho como, em tão pouco tempo, aquela presença tinha se tornado parte do ritmo dele. Ele passou a mão pelo rosto devagar. O que Alice tinha feito naquela noite… não tinha sido pequeno. Não tinha sido ingênuo. Tinha sido corajoso. Ela tinha se aproximado dele não por medo, não por obrigação, mas por escolha. Tinha criado um momento só deles, pensado em cada detalhe, e, acima de tudo, tinha confiado. Vendá-lo. Tocá-lo. Conduzir. Aquilo mexera com ele de um jeito que poucas coisas na vida tinham mexido. E talvez fosse isso o mais perigoso. Olyver não era um homem que perdia o controle facilmente. Pelo contrário. Sempre fora treinado para comandar, decidir, antecipar. Mas naquela noite, sentado no sofá, sentindo ainda a memória dos dedos dela sobre sua pele, ele percebeu o quanto desejava algo que não podia apressar. O corpo respondia. Sem pedir permissão. Ele fechou os olhos e respirou fundo, tentando organizar os pensamentos. Lembrou-se do jeito como Alice tinha perguntado antes de cada gesto. Do tom baixo da voz dela. Do cuidado. Do carinho quase reverente. — Droga… — murmurou para si mesmo. Não era só desejo físico. Era algo mais fundo, mais perigoso. Era a vontade de protegê-la, de ser escolhido por ela de novo e de novo. Era a sensação de pertencimento que ela despertava sem sequer tocar. Ele ouviu passos leves no corredor. O coração dele acelerou imediatamente. A porta do quarto se abriu devagar, e Alice apareceu, encostada no batente. Estava de pijama, simples, confortável. Os cabelos soltos. O rosto tranquilo, mas os olhos atentos. — Você ainda está acordado — disse ela, em voz baixa. Olyver se sentou no sofá no mesmo instante. — Estou — respondeu. — Não consegui dormir. Ela hesitou por um segundo antes de entrar um pouco mais na sala. — Eu… — começou — queria saber se você está bem. Ele sorriu de leve. — Estou. Só pensando. Alice mordeu o lábio inferior, um gesto pequeno que ele conhecia bem. — Pensando no quê? Ele não mentiu. — Em você. O rosto dela ficou levemente corado, mas ela não desviou o olhar. — Eu fiquei com medo de ter ido longe demais — confessou. — Não fisicamente… mas emocionalmente. Olyver se levantou devagar, mas parou a alguns passos dela, respeitando o espaço. — Você não passou de nenhum limite — disse com firmeza. — Pelo contrário. Você me mostrou algo muito bonito. Ela respirou aliviada. — Mesmo assim… — continuou ela — eu queria te chamar para dormir comigo hoje. Olyver sentiu o corpo inteiro reagir. — Alice… — começou, já prevendo o esforço que aquilo exigiria. Ela levantou a mão rapidamente. — Não é o que você está pensando — disse. — Não agora. Eu não estou pronta. Eu só… não queria dormir sozinha hoje. Olyver fechou os olhos por um instante, inspirando fundo. Ela estava sendo honesta. Clara. Cuidadosa. E o desejo… bem, o desejo não tinha sido convidado, mas estava ali, pulsando forte, quase c***l. — Se você me chamar — disse ele, com a voz mais baixa — eu vou. Mas preciso que você saiba que… não é fácil para mim. Alice assentiu. — Eu sei. E não quero te machucar. Nem confundir você. Ele abriu os olhos e a encarou. — Você não me machuca — disse. — Você me desafia. Ela sorriu, nervosa. — Então… talvez seja melhor não hoje. Olyver soltou um pequeno riso, sem humor. — Talvez seja — concordou. — Porque agora… eu preciso de um banho gelado. Alice riu de leve, um riso tímido, quase cúmplice. — Desculpa — disse ela. — Não peça desculpa por despertar algo bom — respondeu ele. — Só por não estar pronta para lidar com isso ainda. Ela se aproximou um pouco mais e, com cuidado, segurou a mão dele. — Obrigada por se controlar — disse. — Por respeitar. Ele apertou os dedos dela de leve. — Eu faço isso porque te respeito. E porque quero que, quando acontecer… seja inteiro. Não apressado. Alice engoliu em seco. — Boa noite, Olyver. — Boa noite, Alice. Ela voltou para o quarto, fechando a porta com cuidado. Olyver ficou ali por alguns segundos, respirando fundo, sentindo o eco da presença dela no ar. Depois foi para o banheiro. A água fria caiu sobre o corpo dele como um choque necessário. Ele apoiou as mãos na parede do box, inclinando a cabeça para frente, tentando afastar as imagens, os pensamentos, o calor que insistia em não ir embora. Mas ela estava em todo lugar. No toque que não tinha acontecido. No beijo que tinha sido apenas imaginado. Na confiança que ela lhe dera. — Controle — murmurou. — Só controle. Quando voltou para o sofá, ainda molhado, enrolado na toalha, sentiu-se mais calmo. Não livre do desejo, mas capaz de conviver com ele. Deitou-se novamente, agora olhando para a porta do quarto dela. Alice não tinha saído da cabeça dele. E talvez não saísse tão cedo. Mas, naquela noite, Olyver entendeu algo importante: amar Alice não era sobre ter. Era sobre esperar. Sobre proteger. Sobre suportar o próprio desejo sem transformá-lo em pressão. E, estranhamente, isso o fazia querer ainda mais. Não o corpo dela. Mas o momento em que ela estivesse pronta para escolher.
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