Capítulo 7

1177 Words
Lobo O sangue quente correndo em minhas veias não me deixa dormir um segundo sequer. Já na casa que sempre deveria ser minha, mas me sinto deslocado. Com o coração acelerado de pura euforia, me viro novamente com a arma na mão socando em minha cabeça incontáveis vezes. — Merda, merda! — ofego, sozinho, no escuro. Meus pensamentos retornam em Isis, quando me viu pronto para matar corvo e o avisou. Ainda tentei pegar o filho da p**a correndo, mas estava tão nervoso que m*l conseguia concentrar minha visão na mira do rifle. Meu celular toca, na euforia do momento atendo sem olhar quem era. — Se está fora do morro, quer dizer que fez o que tinha que ter feito, certo? Lobo: Não… — respondo a ligação do outro lado. — Acho que estou depositando confiança demais em você, já que não consegue manter sua promessa em terminar logo com isso, já fazem 5 anos. Lobo: Eu já estava muito perto! — Alguma distração depois de tanto tempo? Teve tudo que pediu, armamento, tempo e poder. Me diz o que tanto virou sua cabeça em questão de poucos dias. Lobo: Eu vou resolver isso, não se preocupe. — Espero que logo, Lobo. Não vou te dar mais um ano para que isso aconteça. Quero corvo morto, tanto quanto você. Mas ainda sim você sabe, que o que quero mesmo é pacificar aquela favela. Lobo: E você vai! — Estou contando com isso. Ou não terei outra escolha a não ser te expulsar da corporação. O filho da p**a desliga a ligação antes mesmo de eu responder. 5 anos… 5 anos que eu espero pelo momento certo para fazer o que faria quando me infiltrei dentro daquele morro e conquistei a posição que estava até ontem. 5 anos que minha vida virou de ponta cabeça e eu jurei matar o causador daquilo. 5 anos perdido, por água abaixo, por causa de uma maldita feiticeira que se mete demais onde não é chamada. Foi tão fácil conquistar a confiança de homens que se acham superiores e todos, até mesmo um sniper treinado como eu. Fazia o serviço sujo, longe de todos e sozinho, cresci sozinho dentro daquela merda de hierarquia que sempre tive nojo, me nomearam chefe da facção justamente por eu ser cabeça, não ser emocionado por qualquer b****a quente que aparecesse na minha frente, e com isso, eu fiz o que tinha que ser para mim a corporação que sempre fui apaixonado, BOPE. Não fui expulso da corporação, nunca fui um procurado da justiça. Estava onde queria e quando queria por que era justamente isso que tinha acontecer. As regras sempre foram claras, a mídia teria que distorcer minha imagem de bom moço para que eu saísse como errado e eles, de fato acreditassem que eu era um fora da lei em achar que estava do lado deles, mas água e óleo não se misturam, assim como eu não me misturo com traficantezinho de merda como aqueles. Burros ao ponto de acreditar que um cara como eu, que sempre agiu sozinho, fosse expulso e procurado sem motivo algum. Acreditam fielmente naquilo que passava em todos os noticiários, que foi fácil demais conquistar a confiança de cada um deles ali dentro. 5 anos… — p***a, maldita, filha da p**a do c*****o! — estremeço ao saber que a cada minuto que passa a imagem de Isis não sai da minha mente. Ela não deveria tomar tanto a minha nessa proporção, é uma qualquer que conheci um dia e me fez falhar, mas eu nunca falho. Pego outro celular só pra mandar uma mensagem pra ela, alertar do perigo que ela corre por ter decidido ajudar logo ele. Lobo: Faz parte da vida ser cobrado pelas consequências de suas escolhas, Isis. E você, escolheu o lado errado. Espero que sua família consiga reconhecer seu corpo, se caso eu deixar que você tenha um velório digno. Ela fica on-line rapidamente, visualiza a mensagem e começa a digita, para, digita de novo, para e digita de novo. Isis: Lobo? Lobo: Não, seu pior pesadelo. Eu te avisei para não se meter onde não era chamada, que era pra sair do meu caminho o quanto antes e o que você fez? Justamente ao contrário. Me diz, quer ser enterrada junto com seu amigo, já que decidiu que seria uma boa ideia me delatar para ele? Isis: Você iria matar corvo na minha frente, o que esperava que eu fizesse? Lobo: O que eu pedi pra tu fazer, se meter na p***a da tua vida, garota mimada. Você ferrou com tudo, maldita do c*****o! Isis: Pode ser. Mas não me arrependo de ter gritado naquele momento. Lobo: É, e tu vai se arrepender profunda por isso, anote isso na sua mente. Isis: Por que queria matar ele? Lobo: Se eu não te falei antes o que fazia aí dentro desse morro, não vou te conta o motivo agora. Mas quero que saiba algo, Isis. Muita coisa pode corromper um homem, mas o crime jamais iria me corromper. Acreditou naquela toda ceninha de ex sniper da BOPE expulso da corporação? Como pode ser tão burra! Isis: Me liga! Antes de eu fazer isso, ela já estava ligando, então atendi. Isis: O que você quer dizer com isso? Lobo: Está perto deles, não está? Então coloca no viva voz pra esse bando de cuzao ouvir, principalmente o corvo! Ae seu filho da p**a, tu escapou por hoje, por causa da feiticeira que será enterrada juntinha com tu quando eu colocar minhas mãos em vocês dois, então é bom que vocês durmam com as janelas bem trancada, por que o lobo m*l está indo pegar vocês. Desligo, sinto meu corpo relaxar aos poucos. 5 anos atrás, minha esposa estava saindo de casa com meu filho mais velho e o mais novo sendo gerado em seu ventre. Era um dia normal a princípio, ela iria levar meu primogênito na escola e voltaria para casa antes de eu chegar no serviço. Mas isso não aconteceu, ela não voltou, nenhum dos dois. Soube pelo noticiário da tv quando saía do batalhão para ir pra casa. “Câmeras de seguranças flagraram essa manhã um carro sendo assaltado por dois meliantes na avenida Brasil, um deles foi reconhecido como Corvo, sendo um dos integrantes do tráfico organizado de uma das grandes comunidades do Rio de Janeiro. Os fugiram do local levando o celular da vítima. Testemunhas contam que foram parados assim que o sinal fechou, e não tiveram chance de se opor. O crime foi registrado pela delegacia legal do estado, deixando duas vítimas fatais, uma gestante e uma criança que os corpos ainda não foram identificados. A perícia aguarda algum familiar das vítimas no local…” O carro branco todo furado, foi a última coisa que eu vi antes de sair de casa e decidir que a morte dele seria dolorosa, e lenta. Mas agora, com a mente no lugar vejo que não posso deixar nenhuma ponta solta, não quando essa ponta solta se chama Ísis. Que comece os jogos.
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