A casa de Anne virava uma verdadeira bagunça quando suas filhas e as filhas de Marina se reuniam para sair juntas e além delas, ainda tinha Jenna. Seis mulheres se arrumando para sair, dentro de uma casa que era imensa, ficava minúscula. Independente do lugar que fossem, se iam para o mesmo evento, elas sempre planejavam de se arrumarem e saírem juntas. As seis jovens eram como irmãs e a amizade que tinham facilitava para estarem sempre juntas e unidas. O vigésimo aniversário de Cattleya prometia ser o melhor ano de todos e claro que todas estavam bastante eufóricas para ver como tudo iria acontecer, principalmente por serem representantes de seus pais.
Christian adorava o fato de seus filhos estarem todos crescidos e poderem representar a ele e sua esposa, assim ele tinha um tempo para ficar com sua amada como ficava quando as crianças eram apenas bebês. E naquela noite as duas filhas responsáveis por fazerem a a******a das festividades, eram Amelie e Esmeralda, que pareciam estar com os nervos à flor da pele. Era uma responsabilidade imensa e estariam diante de várias pessoas, porém não precisavam falar muito, já que só precisavam falar sobre as exposições de animais e produtos produzidos na região, contudo, isso ainda era muita coisa e não tinha como não ficar nervosa.
Marina e Anne observavam as filhas se ajudando, enquanto arrumavam cabelos e faziam maquiagens, completamente orgulhosas das mulheres lindas que tinham colocado no mundo e quem as chamavam de mãe. Vê-las sempre fazendo coisas juntas era algo normal, desde criança era daquela forma. Anne sorriu, lembrando que com a idade de suas filhas, ela já era mãe de todos.
— Do que está rindo? — Marina perguntou, desconfiada.
— Estava aqui pensando como nossas filhas são diferentes de nós duas.
— Como assim?
— Marina, enquanto na idade dela nós já éramos mães, elas nem namoram ainda. — Marina caiu na gargalhada.
— Mas Anne, nossas vidas eram completamente diferentes das delas e estamos falando de mais de vinte anos, muitas coisas mudaram. Casamento, família, não é mais a prioridade para os jovens de hoje, e agradeça à Deus que nossos filhos são jovens bastante responsáveis e não como muitos por aí. — Marina alertou.
— Você tem razão, mas eu quero ver meus filhos felizes e com pessoas que os amem de verdade. Não quero vê-los sofrendo decepções amorosas e muito menos que fiquem sozinhos. — Anne declarou.
— Eu já sinto muita dor em ver a minha Amelie mendigando a atenção do Thomas. Ela manda mensagens para ele todos os dias e quando ele responde são apenas palavras vagas e mesmo assim nem sempre ele responde. Meu maior desejo era que ela o esquecesse e se apaixonasse por quem realmente gosta dela.
— Eu sinto muito por isso. Como mulher eu sei o que ela deve sofrer amando o meu filho e não ser correspondida. Vamos aguardar a volta dele e ver o que o destino tem guardado para os dois. — Marina assentiu. — Amanhã completamos vinte e cinco anos de casadas, vamos comemorar como todos os outros anos? — Anne perguntou.
— Bom, hoje nós não vamos até a cidade, iremos aproveitar que estamos só nós dois em casa e ter a nossa comemoração particular, mas amanhã segue o mesmo ritual de todos os outros anos: Festa na piscina, muita comida, churrasco e diversão em família. Acredito que é por isso que hoje você e o Christian não irão participar da festa também. — Anne sorriu de lado.
— Você está certa, ficaremos em casa e teremos uma ótima noite. Mas amanhã é inevitável, teremos que ir. — Falou.
— Mamãe, pode fechar o meu vestido? — Charlotte pediu a ajuda de Anne.
— Você comprou outro? O que iria usar hoje não era um azul? — A jovem sorriu.
— Esse eu ganhei do Senhor Pierre, gostou? — Perguntou e Anne olhou para Marina, que sorriu.
— Senhor Pierre, é? O que fez para que ele te desse um vestido tão lindo como este?
— Fui uma boa assistente e levei muitas clientes para ele. Não é nada disso que a senhora está pensando.
— Eu não pensei em nada, apenas me preocupo com você.
— Não há com o que se preocupar, mãe. Eu não sou boba e sei me cuidar.
— Ótimo saber disso! Agora agilizem, está ficando tarde e a Esmeralda e Amelie não podem chegar atrasadas.
— Será que esse Pierre vai fisgar uma Sotelli, Anne? Será que o seu primeiro genro está a caminho? — Marina perguntou, saindo do quarto em seguida, sendo acompanhada por Anne.
— Eu não sei, mas preciso conhecer esse francês, quero saber como ele é, conhecê-lo pessoalmente. Acho que devemos saber com quem nossos filhos estão trabalhando. Mas a minha maior preocupação é a Esmeralda, o oftalmologista, que é o mentor dela na clínica, está pegando no pé dela. Minha filha está pulando refeições e isso me preocupa. Você sabe, a Esmeralda sempre teve problema com alimentação e com o estômago. Não contei nada disso ao Christian, ou ele a tirava de lá ou iria tirar satisfação com o tal médico.
— E a Esmeralda iria se sentir muito m*l se o pai fizesse isso, afinal, ela já é uma mulher adulta.
— Vou aguardar mais um pouco, a residência dela logo termina, mas se isso começar a afetar a saúde da minha filha, quem vai até esse tal médico serei eu.
Dez minutos depois, às seis jovens saíram do quarto e caminharam em direção à sala, onde Jason e Lucca, acompanhados dos casais Sotelli e Stewart esperavam ansiosos.
— Estou começando a pensar na ideia de faltar a essa festa. Acho que preciso acompanhar minhas filhas. — Christian disse, levantando-se e vendo o quão lindas as jovens estavam.
— Eu concordo com você. — Henry falou, fazendo o mesmo movimento que Christian.
— Pai, não precisa de tudo isso. — Esmeralda abraçou Christian sorridente.
— Também acho que deveria ir e fazer aquela a******a, como fazem todos os anos. Eu estou nervosa. — Amelie falou, deixando um beijinho na bochecha de Henry.
— Nós já fizemos isso por mais de vinte anos, está na hora de vocês assumirem essa tarefa. — Respondeu.
— Deixem de conversa, os dois não precisam ficar querendo nos controlar porque já somos adultas e não vamos fazer nada que precise se preocupar e também é melhor nós irmos logo, não podemos deixar as pessoas nos esperando por muito tempo. — Cristal falou, com seus olhos fixos nos de Jason, que a olhava sem reação. O vestido violeta que estava usando realçava ainda mais a cor dos olhos nela e de sua pele.
— Você está linda, Amelie. — Lucca disse, ao se aproximar da jovem. E os olhos dele brilhavam, o que foi percebido por Marina e Henry.
— Obrigada, você também está muito lindo, Callu! — O chamo pelo seu nome embaralhado, era algo que só ela fazia.
— Obrigado, só você me chama de Callu. — Sorriu.
— É uma forma carinhosa e única de falar com você. — O coração de Lucca errou algumas batidas e suas bochechas adquiriram uma tonalidade avermelhada.
— Que acham de irmos logo, está ficando tarde. — Jenna os chamou.
— A Jenna tem razão. Vocês irão com dois motoristas, não queremos que se arrisquem na volta pra casa. — Christian disse.
— Pai, aqui ninguém bebe, não ao ponto de ficar embriagado. — Charlotte deu de ombros.
— Mesmo assim, ficarei mais tranquilo se tiver alguém com vocês, alguém da minha confiança. — Henry riu.
— Christian, nossos filhos cresceram, são todos adultos, não há com que se preocupar.
— Às vezes um pouco de cuidado, mesmo sendo todos adultos não é nada demais, Henry. Você deveria pensar assim também. — Respondeu, vendo os oito jovens saírem de casa.
O cuidado que Christian tinha com seus filhos era algo que ele havia aprendido com seu pai, ele agia da mesma forma que foi educado, quando seu pai teve que ser pai e mãe dele e de Isaac e tudo em relação aos seus filhos era responsabilidade dele.
— Esmeralda, você está tão inquieta, isso tudo é nervosismo por ter que abrir a festa deste ano? Estaremos juntas, não precisa ficar tão nervosa. — Amelie perguntou, colocando a mão sobre a da amiga.
— Não, sobre isso eu estou até que calma. É que eu estou com o meu estômago irritado novamente. — Respondeu.
— Você ficou sem se alimentar mais uma vez? Sabe muito bem que isso te deixa doente. — Lucca preocupou-se com a irmã.
— Ah, eu só não tive tempo de almoçar e acabei só comendo uma maçã e algumas uvas, só isso.
— O tal do doutor Guzmán pegou no seu pé de novo? — Charlotte, que estava no mesmo carro que eles perguntou.
— Desde o primeiro dia de residência que ele nunca soltou o meu pé, Lotte. Não sei se irei resistir por muito tempo.
— Isso está parecendo um amor secreto. — Amelie afirmou, deixando Esmeralda envergonhada.
— Lie, não brinca com isso, eu nunca vou gostar de um cara como o doutor Guzmán e nem ele de mim. — Falou nervosa.
— Eu não conheço esse doutor, mas se ele não for capaz de se apaixonar por você, ele com certeza tem algum problema, porque você é muito linda, Memê. — Lucca falou.
— Eu concordo com o Lucca. — Charlotte sorriu encarando a irmã.
— Ficou grata pelos elogios, mas acho melhor mudarmos de assunto, não estou em busca de romance, muito menos com um rabugento igual o doutor Guzmán.
Até chegar na cidade, todos permaneceram em silêncio. Cattleya estava toda enfeitada e o espaço para festas, onde estava acontecendo a feira agropecuária, já tinha um grande número de pessoas, turistas de todas partes e alguns rostos bastante conhecidos e outros nem tanto.
— Eu me sinto com os nervos à flor da pele e nem sou eu que vou subir naquele palco e dar início às apresentações da festa. — Lizzie disse, se aproximando de sua irmã.
— O papai me ensinou a fazer isso e eu ensinarei você, logo você também perde o medo. — Amelie acalmou sua irmã. — Não saia de perto da Cristal e da Charlotte, a Memê e eu seremos rápidas.
— Venha Lizzie, teremos que ir até as barracas da fábrica e elas ficam ao lado das barracas da vinícola. Temos que verificar como estão as vendas e se estão precisando de ajuda. — Cristal a chamou.
— Agora eu entendo por que nossos pais nos deixou como responsáveis de tudo, não viemos para nos divertir e sim para trabalhar. — Charlotte reclamou, causando risada em todos.
— E você acha que se não fosse a trabalho, o tio Henry e o tio Christian deixaria vocês virem sozinhos? — Jason perguntou, em tom divertido.
— Ah, mas já somos adultos, sabemos nos comportar muito bem e não somos pessoas que se deixam influenciar por qualquer um, nunca nos metemos em confusão ou algo do tipo. — Continuou.
— Vocês sabem, isso é só proteção. Nossos pais só querem nosso bem. Lotte, não fique zangada, de todos, você e a Jenna são as únicas que não vieram a festa para trabalhar.
— Mas teremos que ficar juntos, o que resume em ajudarmos vocês. — Jenna retrucou a voz de Lucca.
— Você tem razão! — O caçula de Christian e Anne riu, coçando a nuca.
Onde passavam, o grupo de jovens chamava a atenção de todos. A beleza e o sobrenome que carregavam deixavam todos curiosos.
— Há dois anos que não participo das festividades da cidade e só estou aqui porque me arrastou, doutor Guzmán. Porque tanto interesse nessa festa? — Dominic perguntou, vendo o oftalmologista bastante curioso, olhando para todos os lados.
— Eu também gosto de me divertir nas horas vagas, Dominic. E aqui não precisa de formalidade, me chame apenas de Sebastian.
— Tudo bem, Sebastian. O que quer fazer então?
— Quem são eles? Percebi que estão chamando a atenção de bastante pessoas.
— Ah, são os filhos das famílias Sotelli e Stewart. — Respondeu.
— Sotelli? A família da Esmeralda?
— Exatamente! E aquela de vestido violeta é a Cristal, ela é gêmea com a Esmeralda, a de vestido verde é Charlotte, ela também é gêmea com outro, mas esse está viajando, é o Thomas Sotelli. O loiro é o Lucca, irmão mais novo delas.
— E os outros três? — Sebastian perguntou curioso.
— São os irmãos Ortiz, ele é diretor na fábrica de laticínios da família Sotelli e ela é professora na escola que também carrega o sobrenome da família da Esmeralda. E a outra jovem, a de rosa é a Lizzie Stewart, herdeira da vinícola e irmã da Amelie. Só lembrava da Lizzie quando era adolescente, não imaginava que ela tinha se tornado uma mulher tão bonita. — Dominic disse, observando a filha mais nova de Henry.
— No quesito beleza, as três famílias estão bem servidas. — Sebastian expressou sua opinião.
— Está incluindo a Esmeralda também? — Perguntou.
— Claro, ela também é uma linda mulher. Você não acha?
— Sim, elas sempre foram lindas! Têm um bom DNA. — Sebastian riu.
— E a Esmeralda, será que não vem? — Mostrou-se bastante interessado na moça.
— Onde um Sotelli, um Stewart e um Ortiz está, todos estão, Sebastian. É como se fosse um regra das famílias. A Esmeralda e a Amelie estão lá no palco principal, elas irão abrir a festa e apresentar as atrações desse ano. As famílias delas são os maiores produtores da região e também são os patrocinadores da festa.
— Interessante. Acho que quero começar pelas barracas agropecuárias me parece bastante legal. — Dominic assentiu e o seguiu.
Os dois começaram com as barracas menores, deixando a da família Sotelli e Stewart por último. Sebastian, apesar de ser bastante frio e indiferente com Esmeralda na clínica, tinha se mostrado bastante interessado pela família dela.
— Eu sabia que o vestido iria lhe cair bem! — Charlotte virou-se, se surpreendendo com seu chefe.
— Senhor Boutin, que surpresa! — Falou com um sorriso no rosto.
— Já disse para me chamar de Pierre! — O sotaque francês soou forte.
— Eu ainda vou demorar um tempo para me acostumar a chamá-lo assim, pelo seu nome. — Sorriu. — Está sozinho?
— Sim! Será que você poderia me apresentar um pouco da feira agropecuária? Estou um pouco perdido. — Perguntou sorridente.
— Claro, mas eu não posso me afastar muito dessa barraca, não quero me separar dos meus irmãos. — Disse e ele assentiu.
— Por mim tudo bem! — Respondeu.
Abrir as festividades em comemoração ao aniversário de Cattleya foi mais fácil que Amelie e Esmeralda esperavam e durou bem menos do que elas imaginavam.
— Você fala muito bem, Amelie. Se não der certo como empresária, pode tentar o meio artístico. — Esmeralda brincou com a jovem.
— Não, deixa eu comandando a vinícola mesmo. — Riu. — Você nem imagina como eu estava por dentro, estava a beira de um colapso nervoso. — Disse tocando o braço da amiga, fazendo um pouco de drama.
Esmeralda se distraiu com Amelie e acabou não vendo o degrau que tinha no seu caminho e acabou tropeçando, mas antes que pudesse cair de cara no chão, ela foi segurada por alguém, que ela só descobriu quem era quando o encarou.
— Gregory? — Chamou o nome do rapaz com uma certa decepção.
— Acho que dessa vez eu te peguei. — Brincou.
— Eu agradeço por não deixar que eu caísse, mas agora já pode me soltar. — Pediu, tentando afastá-lo.
— Mas assim está tão bom, princesa. Não gosta do meu abraço? — Com um sorriso malicioso, o rapaz a puxou para mais perto do seu corpo.
— Eu já pedi para me soltar, Gregory. Eu vou gritar e vai ser pior para você. — Ameaçou.
— Você sabe que ninguém vai fazer nada comigo. Deixa de ser boba e vamos nos divertir um pouquinho, eu adoro essa música, vamos dançar.
— Solta a Esmeralda, Gregory! Não é porque você é filho do delegado que pode fazer esse tipo de coisa. — Amelie se aproximou, tentando tirar a amiga dos braços do rapaz.
— Amelie, você também pode se divertir com um dos meus amigos. — Disse.
— Eu não quero e a Esmeralda também não. É melhor você soltar ela, antes que eu chame o Lucca e o Jason.
— Pode chamar quem quiser, a Esmeralda já me deu muitos foras, eu impedi que ela caísse e se machucasse, acho que eu mereço uma dança como recompensa. — Continuou apertando a moça contra o seu corpo.
— Me solta, seu babaca!
— Gregory, pelo menos uma vez na vida, aja como homem e solta a Memê! — Amelie pediu.
— Só depois que eu me divertir um pouquinho. — Passou o nariz no pescoço dela, causando-lhe náuseas.
— É melhor você soltar ela agora mesmo. — Uma voz gutural, que Esmeralda estava bastante familiarizada, soou bem irritada atrás deles.
— E você, quem é para querer me dar ordens? — Gregory indagou.
— Meu namorado! Ele é meu namorado e você não vai gostar de vê-lo irritado. — Em um momento de desespero, Esmeralda mentiu, causando surpresa em Dominic que acompanhava Sebastian, em Amelie e principalmente no próprio Sebastian.
— Exatamente, é melhor você largar a minha namorada ou…
— Ou o quê? — Perguntou.
— Eu não iria gostar de estar na sua pele. — Ameaçou.
— Gregory, eu acho que o seu pai não gostaria de saber que o filho dele causou confusão no primeiro dia de festa da cidade. Solta a Esmeralda, ela já tem compromisso e cá entre nós, ela nunca gostou de você. — Dominic aconselhou ele.
— Cale a boca, seu enfermeiro de merda, nem status e classe você tem para falar assim comigo. — Dominic fechou os punhos com bastante raiva, ele poderia ser humilde e vir de uma família pobre, mas não iria suportar que o tratassem daquela forma.
— Você não pode falar assim com as pessoas, seu babaca, i****a. — Amelie xingou.
— Eu disse para você me soltar! — Nesse momento, Esmeralda cuspiu no rosto do rapaz e pisou em seu pé, assim conseguindo se soltar do aperto dele.
— Sua v***a, você cuspiu em mim? — Ergueu a mão para bater na filha de Christian, mas logo foi golpeado por Sebastian e em seguida os dois entraram em luta corporal, assim como Dominic com os amigos de Gregory.
Logo um grande tumulto se instalou no local e assim, tanto os filhos de Christian, como as filhas de Henry e os irmãos Ortiz estavam envolvidos na confusão. Imediatamente a polícia apareceu e controlou toda a confusão, levando todos os envolvidos para a delegacia.