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Quando aqueles jovens saíram de casa mais cedo, eles jamais imaginaram que iriam parar na delegacia de polícia de Cattleya e justamente por se envolverem em uma confusão com o filho do delegado. Confusão essa que fora causado por Gregory, filho de Max, delegado da cidade. Que encarava todos com uma certa raiva no olhar. Gregory estava acompanhado de mais quatro amigos, além dos quatro filhos de Christian, as duas jovens filhas de Henry, o casal filho de Josué e Sarah, além dos três homens que se envolveram por estar com as Sotelli, somando assim 16 envolvidos que praticamente destruíram a festa de aniversário da cidade.
Gregory era conhecido por sempre aprontar e o seu pai dar um jeito de esconder tudo que o filho e seus amigos faziam. Max Wilson, era delegado de Cattleya há muitos anos, era um morador do povoado antes de se tornar a cidade e tinha uma certa desavença com Christian desde que eram jovens e a sua transferência para a cidade quando ela foi fundada trouxe de volta aquela inimizade que existia entre os dois. Alguns daqueles que estavam ali e que tinham se envolvido na confusão estavam machucados, sujos de lama ou com a roupa amarrotada, e dentre eles estavam Sebastian, Dominic e Pierre, além de Gregory, que se encontrava em uma situação bem pior que os outros.
— Depois de uma linda cerimônia de a******a, as moças agora se encontram aqui, parecendo dois moleques sujos de lama. — Max disse, encarando Amelie e Esmeralda.
— Tudo isso aconteceu graças ao seu filho, delegado. — Esmeralda retrucou.
— Você quem cuspiu no meu rosto e depois pisou no meu pé. Não se faça de sonsa, Sotelli. — Esmeralda virou o rosto, ignorando o rapaz.
— Porque você assediou ela primeiro, seu babaca. — Sebastian disse enfurecido.
— Eu só a chamei para dançar. Não sabia que dançar era crime. — Gregory respondeu.
— Nada de bagunça na minha sala, um de cada vez. — Max se irritou. — Você começa Gregory. — O delegado falou, permitindo que o seu filho falasse como tudo aconteceu.
— Mas é claro que ele ia permitir que o filho falasse primeiro e acreditar nesse escroto. — Cristal falou para Jason, mas o delegado a ouviu.
— O que disse Cristal? — Perguntou, encarando com desdém.
— Acho que quem deveria falar era a Esmeralda, ela quem foi assediada pelo i****a do seu filho e ele só levou o que merecia. — Sem medo, Cristal deixou clara a sua opinião.
— Você quer ensinar como devo fazer o meu trabalho, mocinha? — Perguntou levantando-se de sua cadeira.
— Sim, já que você não faz…
— Fica quieta, Cristal. Você só vai piorar as coisas. — Jason tapou a boca da jovem com a mão, impedindo que ela continuasse insultando o delegado.
— Você sabia que o que está fazendo é desacato e que eu posso deixá-la presa? — Ameaçou.
— Vai prendê-la por falar a verdade? Isso é já é abuso de poder. — Amelie falou.
— Vejo que as Sotelli e as Stewart não têm a educação que eu imaginei que tinham e vocês não entendem nada de lei para querer dizer como eu devo trabalhar.
— Aí é que você se engana, não sei se o delegado consegue lembrar, mas nossos pais são advogados e nos ensinaram bastante coisa, inclusive sobre facilitar as coisas para a família, coisa que o senhor está fazendo. — Lizzie disse com uma voz calma e suave.
— Vocês só estão piorando as coisas. — Jason alertou novamente.
— Não seja tão t**o, Jason! Parece mais nervoso do que nós mulheres. — Cristal bufou irritada.
— Vocês estão muito ferrados. — Gregory disse rindo.
— Cala a boca i*****l, só abre a boca pra dizer bobagens, também é filho de quem é. — Esmeralda falou e só então percebeu que xingou o delegado involuntariamente.
— Vocês deveriam ficar quietos, a cada vez que abrem a boca só nos deixa mais encrencados. — Sebastian disse.
— Não seja tão frouxo, doutor Guzmán! — Respondeu Esmeralda irritada.
— Eu salvei você de ser agredida por esse merdinha e é assim que você me agradece? Sua m*l agradecida. — Retrucou.
— Já chega! — Max gritou, chamando a atenção de todos.
— Não consegui entrar em contato com o Christian Sotelli e nem com o Henry Stewart. — Um policial disse, entrando na sala do delegado.
— Não vai precisar entrar em contato com os familiares deles por essa noite, o grupinho está preso por agressão física, danos públicos e desacato. O Gregory e seus amigos também serão presos pelos mesmos motivos, exceto pelo desacato.
— Você não pode fazer isso, pai. Eles que começaram.
— Eu sou o delegado e decido o que devo fazer, e vocês não são nenhum santo, eu os conheço. Também quero deixá-los separados, não quero ser surpreendido por mais agressões. — Max disse.
— Temos um problema, senhor Wilson. Só temos duas celas vazias, como vamos deixá-los em celas separadas? — Perguntou o policial, vendo aquele enorme grupo.
— Deixe o meu filho e os amigos deles em uma cela e os outros em outra. — Deu de ombros.
— E as moças? — Voltou a perguntar.
— Coloque-as na mesma cela que eles, são todos família, soldado Enrique, não fará muita diferença, é só até amanhã. Depois resolvemos o que faremos. Daqui a pouco o dia amanhece. — Disse.
— A sua pose vai acabar quando nossos pais chegarem aqui. Eles não vão facilitar para você, delegado. — Amelie ameaçou.
— Seu filho também será denunciado por assédio e agressão física contra a Esmeralda, podem ficar cientes. — Lucca encarou com fúria o delegado, fazendo-o lembrar de Christian.
Max estava adorando ter os filhos de Christian e de Henry sob sua custódia, afinal, eram os filhos dos homens mais conhecidos e que toda a cidade os tinha como pessoas importantíssimas, até mais que algumas autoridades e isso deixava-o com bastante raiva. Aqueles jovens também tinham a mesma popularidade que seus pais e que ele considerava algo fútil e s*******o.
— Viram onde vocês nos colocaram? Isso é o que dá não guardar a língua dentro da boca. — Jason reclamou, após entrar na cela, olhando diretamente para Cristal, que estava calma e tranquila.
— Jason, não reclame, todos nós temos culpa, não fique bravo com as meninas. Entramos juntos nessa e sairemos juntos também. — Jenna falou pela primeira vez.
— Mas ele tem razão, se elas tivessem ficado quietas, nós já teríamos saído daqui. — Sebastian concordou com Jason.
— Não íamos sair coisa nenhuma. O delegado tem uma certa desavença com o meu pai, ele não iria permitir que saíssemos daqui sem ele falar com o nosso pai e ter a chance de enfrentá-lo mais uma vez. — Charlotte afirmou.
— Mesmo se chamássemos um advogado? — Pierre chamou a atenção de todos com o seu sotaque francês.
— Sim, o delegado Max é esperto e astuto, posso até estar enganada, mas algo me diz que não houve nenhuma ligação para nossos pais. Saímos todos juntos, eles estariam com o ouvido colado no telefone. — Charlotte disse com convicção.
— Não estariam nada, Lotte, hoje é aniversário de casamento deles, com certeza estão aproveitando que estão sozinhos em casa. — Cristal lembrou.
— Não vamos nos alterar mais, nada do que fizermos vai mudar a nossa situação, pelo contrário, só vamos complicar as coisas ainda mais. Rapazes não joguem a culpa nas meninas, elas não têm culpa de estarem certas a respeito do caráter do delegado e as meninas, por favor, sejam gratas a nós que não deixamos o pior acontecer a vocês. Até mesmo quem não tinha nada a ver com a confusão acabou preso por tentar proteger vocês. — Lucca disse.
— Vamos ver isso apenas como uma experiência interessante para nossas vidas. — Amelie disse de forma positiva.
— Claro, e que experiência, quase quarenta anos e daqui há alguns dias, possivelmente estaremos juntos novamente, fazendo algum serviço comunitário, porque até onde eu entendo, o que fizemos pode nos levar a isso. — Dominic encarou Sebastian e respirou fundo.
— Isso para vocês, que vão e podem pagar um bom advogado e eu como ficarei nessa história? Eu sou apenas um enfermeiro que precisa ajudar em casa, como vou pagar um advogado? — ficou preocupado.
— Não precisa se preocupar, você se envolveu na confusão para impedir que aqueles homens fizessem alguma coisa com a minha irmã e com a Memê e depois ainda me salvou de ser acertada com um garrafa, nem nós e nem nossos pais iremos deixá-lo para a traz, como a Jenna disse, entramos nessa juntos e sairemos juntos. — Lizzie tocou o ombro de Dominic, acalmando o enfermeiro que ficou mais relaxado com a forma que ela falou com ele.
Passar a madrugada naquela cela não era exatamente o que os jovens queriam. Todos ali queriam estar de volta para suas respectivas casas e poder dormir sossegado em suas camas confortáveis e quentinhas, no entanto, nem tudo é como desejamos, então pela manhã eles teriam um grande problema a resolver. Além do problema judicial que haviam se envolvido, eles teriam que enfrentar seus pais, que haviam lhes dado uma tarefa simples, que era cuidar dos negócios da família para que tudo ocorresse bem, porém, acabaram se envolvendo em uma grande confusão, além de alguns prejuízos para seus próprios pais e empresa.
— Você se machucou em algum lugar? — Lucca perguntou, sentando-se ao lado de Amelie, que já tinha tirado seus saltos.
— Não estou sentindo dor em nenhum lugar, então acredito que não estou machucada. — Sorriu. — Eu fiquei com medo de você se machucar. — Revelou.
— Estou bem, nada que em dois ou três dias não melhore. Pior ficou o estado do Gregory, o doutor deu uma bela lição nele. — Lucca disse. — Aliás, que história é essa que ele é namorado da Memê, você sabia disso? — Perguntou baixinho, para que só ela o ouvisse.
— Ele não é, a Memê mentiu para tentar afastar o i*****l do Gregory e o doutor não desmentiu e ainda a defendeu dele, eu achei isso muito fofo da parte dele. — Lucca riu.
— Mas ele é o doutor que vive pegando no pé dela na clínica, a Memê vive reclamando dele, todo dia ele faz algo novo para deixá-la irritada. Será que existe alguma coisa entre os dois? — Amelie olhou na direção do médico, que estava de braços cruzados e sua expressão era de muita irritação.
— Por trás de muita implicância sem motivos, sempre haverá algum tipo de sentimento. Eu acredito que ele se sente atraído pela Memê, mas tem algo que o bloqueia de expressar o que sente. — Afirmou Amelie com cuidado para não ser ouvida.
— Você tem razão e tem mais um casal que vive de alfinetada um com o outro, mas quando deixar o que realmente sentem, vão ser como fogo e gasolina. — Lucca riu, encarando Amelie.
— Jason e Cristal! — Sorriu.
— Sim, eles parecem cão e gato, mas no fundo se gostam muito. — Afirmou. — Pelo jeito a Lizzie se deu muito bem com o Dominic.
— A Lizzie faz amizade muito fácil e o Dominic, apesar de não conhecê-lo muito bem, ele aparenta ser uma boa pessoa. Pelo menos ele não parece tão preocupado como antes. A Lotte parece bastante confortável com o chefe dela.
— Ele também parece ser uma boa pessoa. Sem falar que tem um soco bem forte, praticamente desmontou um dos caras que estavam com o Gregory. — Respondeu.
— Será que teremos alguns casais se formando depois dessa noite? — Amelie perguntou baixinho sorrindo.
— Você anda passando muito tempo com a mamãe, não é? Ela é quem adora juntar casais. — Respondeu.
— Bobo, eu só estava brincando e se acontecer vai ser bastante interessante. Agora se ajeita e me empresta seu ombro. — Pediu, repousando sua cabeça no ombro dele.
Cristal observou Jason por algum tempo e ficou ainda mais irritada por gostar tanto dele e ele só lhe desprezar.
— O que eu te fiz para você me tratar tão m*l assim? — Perguntou, ao sentar-se ao lado do moreno.
— Aqui não é o lugar para falarmos sobre isso. — Jason respondeu com uma certa resistência.
— Eu acho que é o lugar certo sim, aqui você não foge de mim como sempre faz.
— Cristal, o que você quer de mim? — Perguntou irritado.
— Eu quero de volta o Jason que era carinhoso e que ficava feliz em me ver quando éramos mais jovens. — Disse triste.
Vê-la daquela forma sempre o deixava de coração partido.
— As pessoas mudam, Cristal. Mas isso não tem nada a ver com a forma que nos tratamos hoje em dia.
— Eu não aceito essa sua mudança. Droga, eu gosto de você, custa gostar de mim só um pouquinho? — Jason engoliu seco, queria poder dizer que também gostava dela e talvez bem mais que ela dele, mas tinha medo das consequências, no entanto, ele não podia deixar que Cristal ficasse irritada e piorasse a situação em que se encontravam.
— Tenta só se acalmar e ficar quietinha, quando sairmos daqui conversamos sobre isso e prometo que respondo todas as suas perguntas. — Ela sorriu e seus olhos brilharam esperançosos.
— Promessa é dívida, Ortiz! — Agarrou o braço dele e se aconchegou ao corpo dele, permitindo-se sentir o calor dele.
— Você não precisa me agarrar, Cristal. — Reclamou.
— Você disse para eu ficar quieta, só estou fazendo o que me pediu, não reclame. — Falou e continuou abraçada a ele.
Do outro lado da cela, Sebastian continuava na mesma posição e olhava Esmeralda com uma cara de poucos amigos. Havia se metido naquela confusão por causa dela, ela era uma verdadeira pedra no seu sapato e até mesmo fora da clínica os seus caminhos se cruzavam. Mas ela não parecia estar bem, parecia estar com frio e bem mais pálida do que de costume e o instinto protetor dele começou lhe deixar irritado com ele mesmo.
Esmeralda sentiu algo quentinho ser colocado sobre ela e antes que olhasse para os lados e descobrisse quem havia feito, ouviu a voz da pessoa que mais lhe tirava a paciência.
— O que você está sentindo? Não parece nada bem.
— Não estou sentindo nada, aliás eu não lhe pedi a sua jaqueta. — Retrucou.
— Você não pediu, mas eu quis lhe emprestar. Você está trêmula e muito pálida, o que tem? — Indagou.
— Não é nada demais, não precisa se preocupar comigo. A cela é gelada e é madrugada, é normal que eu sinta frio. — Revelou.
— Tudo bem, não vou insistir nisso.
— Lhe agradeço por isso. — Disse e pela primeira vez gostou de sentir o cheiro dele naquela peça de roupa, e era simplesmente maravilhoso o cheiro que ele tinha. — Desculpa por tê-lo chamado de frouxo e obrigada por não permitir que o Gregory me agredisse. — Foi sincera em suas palavras.
— Não foi nada, jamais permitiria que um homem batesse em uma mulher na minha frente. Quero me desculpar também, por ter chamado você de m*l agradecida. — Falou.
— Está tudo bem, eu exagerei um pouco mesmo. — Ele sorriu de lado.
— Espero que possa me indicar um bom advogado. — Esmeralda sorriu fraco.
— Isso não é algo que você tem que se preocupar, falarei com o meu pai. Vamos arcar com as despesas dos advogados e livrar vocês dessa, tudo aconteceu comigo e com a Lie, nossos pais sabem agradecer de forma correta quem é gentil conosco.
— Certo, obrigado.
— Isso é o mínimo que podemos fazer por vocês. — Disse baixinho, sentindo seu corpo se aquecendo com a jaqueta dele e de certa forma com o calor de seu corpo.
Sebastian a observou pegar no sono e olhou em volta daquela cela. Naquela noite havia conhecido pessoas que pareciam ser muito legais e de corações grandiosos, apesar das mulheres daquele grupo serem bastante explosivas. Ele sorriu, lembrando que nem durante sua adolescência e juventude havia conhecido jovens como aqueles e que nunca se envolveu em brigas, muito menos dormiu em uma delegacia de polícia.