Grego Narrando
Encosto com a moto em frente ao meu barraco, desço diretão cumprimentando os cria da contenção, entro em casa já ouvindo uma discussão, apresso meus passos já sentindo que é hoje que eu dou uma coça na Melissa.
Priscila — Para de ser maluca garota, se o grego te pegar mexendo nas coisas dele, ele vai te espancar e eu não vou poder te defender... ___ ouço a minha mãe falando com ela em tom de repreensão
Melissa — Haha, olha minha cara de preocupada, eu quero dinheiro, se eu for lá pedir na boca, ele não vai dar, então nada mais justo do que pegar do quarto dele ué, sei que ele tem um monte na gaveta, não vai nem sentir falta, outra coisa, eu nem tenho medo dele___ fala altiva e eu entro pela porta da sala no mermo momento, quando ela me vê, arregala os olhos.
— Repete na minha cara o que você falou ___ brado de forma rude e no mermo instante, ela corre pra se esconder atrás da nossa mãe — Coe, tu não é a braba? Fala na minha cara p*****a, tu não tem medo de mim, e queria pegar o meu dinheiro, rata dou o papo na maldade encarando ela.
Melissa — Seu dinheiro não, nosso dinheiro, porque tudo que era do meu pai, é meu... ____ rebate de forma arrogante e eu dou risada.
— O dinheiro que o chefe deixou, eu entreguei todo pra Priscila, tudo que eu construí depois que ele morreu, não tem nada a ver contigo, pegou a visão ____ vejo a merma engolindo seco e olhando pra mãe de forma raivosa — Nem adianta tu querer embaçar pro lado dela, porque quem deu o papo pra merma não contar pra tu foi eu, porque eu sei bem o tipo de corja que cê é, ia querer torrar o dinheiro em dois tempos...
Melissa — Você não poderia agir assim, não poderia, é meu direito ter a metade do que era do meu pai, até se eu quiser o comando do morro, eu posso, porque eu sou a filha legítima dele... ____ fala e eu gargalho alto
— Tu tem certeza disso aí? Tu se garante tanto assim? Então liga lá pro Marques, pede pra ele me tirar do comando, e colocar tu no lugar, quero só ouvir o que ele vai falar pra tu, vamos lá ___ falo puxando o celular do bolso e ela n**a com a cabeça — Ué mano, não era tu que era a boazona, pode tudo, sustenta as gracinhas agora pilantra, sua rata do caralhoo...
Melissa — Você vai deixar ele falar assim comigo, mãe? ___ pergunta chorosa e a Priscila sai da frente dela
Priscila — Eu falei que não iria me envolver, tu procurou, você assuma suas responsabilidades, já não é mais uma criança, você já tem 20 anos, sabe o que faz ___ fala sentida, mas não deixa se abalar.
Melissa — VOCÊ É UMA v***a, RIDÍCU... ___ eu nem deixo ela terminar de falar, dou um pulo na sua direção e meto um tapão com as costas da mão no seu rosto, fazendo a merma cair no chão com o impacto.
— Nunca mais sua desgraçada, nunca mais tu levanta a voz pra minha mãe, se eu ver mais uma vez tu xingando, ou desrespeitando, não vai ser mais tapa, tu desce direto pro desenrolo, e se eu ver qualquer coisa fora do lugar no meu quarto, ou em qualquer canto dessa casa, eu arranco as suas mãos... ____ brado na maldade e ela me olha com raiva com as mãos no rosto, só que dessa vez ela não retruca e fica quieta.
Passo pela minha coroa e dou um beijo na testa dela. Pelo jeito que me olha, já sei que tá preocupada, mas nem dou trela. Só dou as costas e subo direto pro meu quarto.
Tiro a roupa e entro no banho, deixando a água cair pesada nas costas. Se aquela desgraçada tivesse erguido a voz pra retrucar comigo, eu já tava me preparando pra descer a porrada nela.Tô esgotado já. Menina mimada do caralhoo, mas cê se mimou sozinha, porque nem o chefe nem a Priscila nunca deram moleza. Só que parece que aprendeu tudo ao contrário do que foi ensinado, papo dez. Se o chefe ainda estivesse aqui, tinha endireitado ela na paulada faz tempo. Essa mina me tira do sério.
Saio da ducha, desligo o registro, enrolo a toalha na cintura e meto marcha pro quarto.
Já trajado daquele jeitão, jogo um perfume e me encaro no espelho. O pai tá um nojo. Hoje o dia tá propício pra comer várias bocetas diferentes, descontar minhas neuroses füdendo gostoso, papo reto.
Volto pro banheiro, escovo os dentes, e faço gargarejo com um enxaguante bucal de menta.
Saio do banheiro e sigo pra cômoda. Pego minha Glock, enfio na cintura, celular já meto no bolso. Dou um último confere no visual e parto.
Descendo as escadas, ouço o barulho do feijão cozinhando na pressão. Fora isso, silêncio total. No último degrau, vejo minha coroa largada no sofá, assistindo novela. Vou até ela e sento do lado, só pra sentir o clima antes de meter o pé.
Priscila — Como você tá lindo filho... ___ fala disfarçando, mas eu percebo seu tom de voz embargado
— Cê tá de neurose, por causa da Melissa, isso mermo? ___ pergunto e ela suspira fundo
Priscila — Eu sinceramente não sei onde errei com aquela menina, totalmente ingrata, ela tem de tudo e mesmo assim nada tá bom, eu acho que se o Henrique estivesse aqui, tudo seria mais fácil, ele saberia lidar melhor com a situação, porque eu sinceramente, não sei... ____ fala limpando as lágrimas que insistem em cair dos seus olhos, eu fico até sem reação tá ligado
— Pô, tu não tem que ficar se culpando não, pegou a visão, Melissa é grandinha e sabe o caminho que tá seguindo, se é isso que ela quer, deixa ela quebrar a cara sozinha mermo, vai curtir a sua vida coroa, vai viajar, ficar longe disso tudo um pouco, acredito que vai ser bom pra tu ___ dou o papo serinho pra merma que fica por alguns segundos pensativa
Priscila — Quem sabe... Eu tenho desejos que conhecer alguns lugares, pode ser que eu vá sim, vai ser uma boa pra distrair a mente, mas e a Melissa? ___ fala apreensiva e eu dou de ombros
— Ela sabe se virar sozinha, a proteção tu sabe que ela tem, agora vai depender dela onde que a merma vai se enfiar, dentro do morro é uma coisa, fora dele, não está no meu controle, pegou a visão ____ falo e ela concorda
Priscila — Eu vou pensar direitinho então, e eu vou avisando tá bom meu lindo ____ fala e eu dou um beijo na sua cabeça
— Cê vai ficar bem sozinha, eu vou meter o pé pro asfalto, mas logo tô de volta, Jae ____ dou o papo e ela concorda
Priscila — Pode ir tranquilo, eu vou deixar comida no microondas caso você chegue e queira comer ____ fala e eu concordo levantando e me espreguiçando
— Jae coroa, tô metendo o pé, qualquer coisa só me acionar que eu volto ____ falo e ela concorda.
Me despeço dela e dou as costas, saindo de casa sem olhar pra trás. Subo na moto, giro a chave e meto marcha com os cria, cortando as ruas do morro no rajadão.
A ideia da minha coroa viajar? Melhor coisa que ela faz. Pelo menos tira a cabeça das neurose e não fica se desgastando com a p*****a da Melissa. Aquela ali, do jeito que é, é bem capaz de arrumar treta até fora do morro. Mas deixa eu avisar logo: eu não vou pular na bala por ninguém. Se ela fizer merda, que aguente as consequências.E boa pra nós. Sem leme, sem massagem....
Contínua...