NORA A primeira gota atinge meu ombro. Em poucos segundos, estou encharcada e confusa. Meus olhos vagam para a entrada da casa onde cresci, o lugar que José Luiz escolheu pensando em construir uma família com minha mãe. A mesma casa que agora está pegando fogo. Eles disseram que o incêndio começou no meu quarto. No meu quarto! — Nora, volta pro carro! —Zé grita, olhando-me sobre o ombro, parado ao lado de quem acredito ser o chefe do corpo de bombeiros. Eu balanço a cabeça, incapaz de desviar os olhos das chamas alaranjadas. O fogo foi controlado e não chegou na parte inferior, mas o andar de cima foi consumido, principalmente, meu quarto. Onde o incêndio começou. Minha mente lembra. Não faz sentido. Caminho até meu padrasto, continuo usando o vestido da festa, então os movimentos

