Poucos minutos depois, uma xícara de café no meio de um silêncio constrangedor, Bela está sentada em frente a mim com a mesa no meio e suas mãos agarradas à bolsa que ela trouxe. Os anos a favoreceram, ela parece mais bonita, mas um pouco suspeita.
— Como tem estado? — mutismo interrompido, obtendo toda a sua atenção. — Se poder responder.
— Por que não pude? — aproxima-se da secretária e toma a xícara de café nas mãos.
— Não sei, é porque o teu namorado não gosta? — levanta uma das sobrancelhas perfeitas.
Não perceba que você não gosta do homem.
É mais do que isso, explico à minha consciência.
— Tem problemas com Douglas? Se assim for, pode ir à Califórnia consertar as coisas, com ele, Bela. — diga o meu nome outra vez. — Se me trouxe aqui para me fazer pagar algum tipo de vingança, É melhor eu ir. — faz uma tentativa de se levantar.
— Não, espere. — Estendo por cima da secretária, colocando uma das minhas mãos na dele. — A minha intenção não é ofendê-la, longe disso.
— Não é perceptível — senta-se novamente. — O que quer de mim? — cruza os braços à espera de uma resposta.
Esta mulher deve ser informada de que certas coisas não são perguntadas.
Concordo com a minha consciência.
— Você é minha secretária.
Ela vê Caio agindo como um púbere e eu sou motivo de riso para ele por toda a vida, eu rosno internamente enquanto vejo Bela duvidar.
— Caio, eu não consigo. Trabalhei os últimos anos da minha vida numa perfumaria, lidando com mulheres que procuram ficar mais bonitas, não vendendo casas. — explica movendo as mãos no ar.
— Como já disse, posso ensinar — repito mais uma vez. — Além de não estarem a vender, seriam a minha secretária, são dois trabalhos diferentes, não acham?
— Você é insistente, já disseram? — beba da xícara de café. Feche os olhos apreciando isso.
— Sim. E eu sempre consigo o que quero — pisca um pouco atordoado com a veracidade das minhas palavras. — E antes que você pergunte a eles, Desejo-lhe que fique estática no seu lugar — Sendo minha secretária.
Eu explico para que você não pense que eu sou um perseguidor, embora eu esteja sendo um, já que desde que eu tinha sua folha com dados na minha mão eu não parei de planejar como obtê-la, para tê-la ao meu lado. De uma vez por todas, derrotei o i****a do Douglas.
— É uma competição entre ele e você? — Eu me sinto confusa.
— Competição? Do que está falando? — Bela escurece um pouco mais o olhar.
Seu rosto parece doer ou sou eu quem vê m*l, mas eu juraria que ela carrega mil penalidades, o que elas seriam? Se ela tivesse tudo o que ela quer nesta vida. Uma boa família, amigos, dinheiro, saúde e está com o homem que acredita perfeito. Não percebo porque está triste.
— Você e Douglas — respondem após alguns segundos. — Sei que nunca se deram bem, anos atrás eu verifiquei — Eu deitei na minha cadeira com a memória das minhas palavras avisando-o do que Douglas era. — Naquela época eu não entendia do que você estava falando, Caio. Hoje lamento não te ter ouvido.
— Eu ainda não entendo. — n**a várias vezes movendo o cabelo escuro.
— Não importa. O que me interessa é que, se houver uma competição entre os dois, não lhe digo…
— Não há — curto. — Não estou interessado na má qualidade do seu namorado, no entanto, pode ver como ele engole seco. — Quero que seja a minha secretária. — seguro com ferocidade.
— Você parece uma criança caprichosa — tentando tirar o foco do assunto. — Não tenho ideia do que fazer nesses casos, ou como manter uma agenda, seria loucura aceitar.
— O teu pai tinha empresas, como não sabe de nada? Além disso, estudaste e recebeste-te, se bem me lembro.
— Você tem uma memória melhor do que eu — me dá um sorriso triste. — Douglas não gostava que ela esteja trancada entre quatro paredes o dia todo, então eu nunca me exercitei e deixei meu lugar na companhia de meu pai para ele. — sua declaração me deixa atordoada.
Eu permaneço em silêncio, um pouco chocado com o que ela diz. Eu aprendi muito vagamente de seu afastamento dos negócios de sua família, sua irmã cuida de tudo e n**a que Bela é gerida por Douglas, no entanto, preferi não saber. Eu não estava interessado em possuir as informações pessoais de Bela, para quê? Se a paixão que eu tinha com ela na faculdade tivesse sido perdida no tempo.
A intenção não é sentir pena, mas explicar o motivo da minha recusa. — pegue o cartão que fiz para ela e tire-o olhando para ela com cuidado. — Não vou mentir, é importante ser a sua secretária, no entanto, não quero ser um obstáculo na sua vida.
Estique sua mão na minha direção e passe-me o cartão. Eu a vejo e depois o pedaço de plástico onde seu nome está gravado. Eu n**o com relutância. Eu não vou desistir, acho que empurrando a mão dele em sua direção.
— É teu, diz o teu nome, pertence.
— É uma lembrança? Você dá a cada mulher que aparece para a posição um presente? — levanta uma de suas sobrancelhas com diversão.
— Apenas uma é digno do meu tempo, é o meu melhor presente. — pegue a dica. Suas bochechas se tornam dois tomates. — Eu quero ter você aqui todas as manhãs, ao meu lado, me ajudando a administrar esta empresa, Bela.
— Não é...
— Ele não confiava em mais ninguém, eu não tenho outra mulher em mente que lhe confiou a minha empresa. — pisca rapidamente.
Ela permanece em silêncio, processando o que eu digo, eu aproveito esta oportunidade para me levantar, cercar a mesa, aproximar-se dela, eu me agachei ao lado dele e sem esperar eu levo sua mão delicada entre a minha. Seus olhos estão nervosamente fixos em mim.
— Eu preciso de você. — Eu imploro enquanto trago a mão dela para mais perto dos meus lábios e deixo um pequeno beijo nela novamente.
A tensão é palpável no ar. Ela percebe e eu percebo, nós dois encontramos dilemas diferentes e tentamos processar o que acontece entre os dois. Minha respiração é agitada quando vejo como ela morde seus lábios e quando ele treme ao meu toque.
Quero beijar, mas a mão a dela por isso.