HELENA Dizem que o tempo cura tudo. Mentira. O tempo não cura. Ele ensina a esconder. Ensina a disfarçar a dor, a camuflar o vazio, a colocar a saudade dentro de uma caixinha bem escondida no peito, onde ninguém mais consegue ver. Mas esquecer? Não. Esquecer nunca foi uma opção. Nunca aconteceu. Já se passaram cinco anos desde que o Luan morreu. Cinco longos anos. E ainda hoje, tem dias em que acordo esperando que ele entre pela porta. Com aquele sorriso meio torto, voz rouca, rindo como se tudo tivesse sido só um plano, uma encenação m*l elaborada. Um jeito estranho dele tentar me proteger — como sempre fazia. Mas ele não aparece. Nunca apareceu. Aceitar foi um processo dolorido, arrastado. A saudade virou rotina, e o choro virou hábito silencioso. Me peguei tantas vezes sentada n

