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1141 Words

HELENA O céu arde em tons de laranja e lilás, pincelado como se alguém tivesse derramado tinta aquarela sobre o fim de tarde. O Vidigal respirava naquele horário. Gente voltando do trabalho, crianças correndo nas vielas, vendedores ambulantes tentando faturar o último trocado do dia. Era a hora que a comunidade pulsava — e eu amava observar isso. Caminho pela rua com uma sacola de pão numa mão e o Miguel, ou melhor, o meu Beni, saltitando ao meu lado com um brigadeiro na outra. O açúcar sujando a bochecha dele, os olhos brilhando como quem carrega o mundo inteiro na alma. — Mamãe, olha! Eu fiz um aviãozinho com o guardanapo! — ele diz, erguendo o papel amassado no ar, como se aquilo fosse a maior invenção do planeta. Sorrio, meu peito se aquece só de olhar. — Você é muito criativo, m

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