Esfreguei devagar o braço ferido por cima da camisa de dormir, nervosa. Era que eu não sabia o que esperar — qual seria a reação de Andre quando ele saísse dali e me mostrasse aqueles olhos azuis grandes, avermelhados de tanto chorar. Ou melhor, eu não sabia como eu ia reagir quando o visse e de repente sentisse coisas que tinha passado mais de um ano a tentar não voltar a experimentar. Engoli saliva, impaciente. Ele saiu e se sentou sobre os calcanhares perto de mim, os nós dos dedos apoiados no tapete. — Antes, eu tinha medo de não voltar a ver a mamãe — Disse-me ele baixinho, numa voz muito baixa — Agora sei que nunca mais a vou ver. E o meu pai tem culpa de ela estar morta. Eu disse-lhe que devíamos voltar para a buscar, mas ele não quis ouvir! A culpa é dele! — Não, Andre, não diga

