"Uma das minhas irmãs irá padecer" aproximo-me um pouco mais da grade encostando o meu rosto no ferro suspirando pela pontada que as feridas nas minhas costas dão, acenando para Paika, ela acabou por se aconchegar em cima das demais depois que eu me levantei. .
"Se assim o rei ordenar, todas vocês terão o mesmo fim" Xanks solta um suspirar, como quem diz: ‘diga-me algo novo’ e volta a abrir o pergaminho procurando a linha para continuar a leitura.
"Paika precisa estar viva para ser executada, não concorda?" Pergunto em um sussurro, o alvoroço no castelo não impediria os demais vampiros de me ouvir se eu me excedesse.
"Aproveite a deixa para me pedir mantos e vestimentas também, fique a vontade para reclamar do nosso serviço de estalagem, Bruxa" a resposta irônica me fez querer influenciar os pequenos ramos de mato, que cresciam nas juntas das celas da frente, a crescerem e multiplicarem dentro do seu corpo sufocando-o.
"Em Luisia tú não seria julgado pelos pecado de seus pais, os covens não deixariam crianças vampiras morrerem de frio e pneumonia" insisti, mesmo que fosse uma ocasião extremamente rara um vampiro transformar uma criança..
" Então, diga-me: onde estão tais crianças agora? Que não voltam para o seio de suas famílias? Erraram o caminho de casa durante décadas e ainda não chegaram?" O riso contido e zombeteiro me fez ranger os dentes, a língua lambendo os lábios fez o arrepio frio que me atormentava ter um segundo motivo para os tremores que começaram a se propagar aos meus membros expostos ao vento que vinha da a******a da cela da frente.
Franzi o sobrolho meditando nas suas palavras, as crianças capturadas durante a guerra dos anos de prata foram devolvidas em comícios pacíficos. As trocas eram realizadas para ambas as partes se beneficiarem. Tenho certeza de que há documentos oficiais que provam isso, não temos permissão para requisitar uma consulta, pois ainda somos aprendizes. Ele está tentando enganar-me semeando dúvidas nos meus pensamentos? Ou os lords enganavam suas proles?
"Como pode ter tamanha certeza em afirmar tal fato? Estavas lá? Em espírito, talvez?" Minha resposta ácida não levará a lugar algum, sei disso. Papai dizia-me que há uma navalha na ponta da minha língua que eu amolo todos os dias para não perder a prática. Balancei a face arrependendo-me do meu gênio altivo, enterrei meu orgulho com pesar antes de abrir a boca novamente "Perdoe-me, como podes ver" balanço brevemente as correntes nos meus pulsos "Minhas condições ditaram minhas palavras. Não peço que tire nossos colares, apenas uma infusão de ervas para que a minha irmã não morra nos meus braços" não foi tão difícil como imaginei, mas amargo, pedir algo para um sugador de vida.
O demônio Xanks não responde, ele finalmente tira os olhos dos pergaminhos que lê e olha-me, estudando minha face. E eu o odeio por achá-lo atraente, esses olhos vermelhos céticos e atentos, a forma desleixadamente atraente que sua túnica está amassada perto da costela, mostrando músculos tão pálidos quanto nuvens de verão, não deveriam me atrair.
O resultado de separem ambos os sexos em Luísia chegou dias atrás, libido descontrolado, o cavaleiro demônio que liderou nossa caminhada humilhante até aqui, e impediu que seu subordinado me chicoteasse, também fora apreciado por meu libido reprimido.
Volto ao meu lugar desesperançosa, provavelmente não precisaríamos da infusão para Paika, a frota de elite do rei acabara de chegar, a armadura em prata pura e as estaturas de por medo até na bruxa mais experiente. No passado, seus cavaleiros devastaram covens inteiros, demônios imponentes e sanguinários. Atrás deles, carruagens brilhosas e robustas com emblema do reino passaram pelo portão do castelo. Os nobres vampiros vieram assistir ao desempenho agradável das aprendizes? serem postas contra o metal da guilhotina e decapitadas como um espetáculo?
Por mais forte que pensasse ser, Catarina sentiu medo, aquele ardor em seu peito que colidia com dunas congelantes caminhou por seu corpo fazendo-a tremer. Ela não queria morrer, sua própria mana era o epítome da vida. Ailim foi injusta, ela não tinha culpa de nascer no seio de uma guerra. A deusa a recompensaria na próxima vida? Se ela pudesse escolher, seria um pássaro com grandes asas potentes, livre para conhecer o mundo.
Cat arrependia-se de ter seguido as regras do Coven, ela deveria ter conhecido o homem que Ailim reservou para aquecer a sua cama quando completasse maior idade. A casa Isador reivindicava os usuários de Mana curativa mais habilidosos, seu pai era prova disso. Catarina poderia ter se esgueirado pelo coven e invadido a ala da matriarca, os pergaminhos eram de fácil acesso.
Ela se sentou no mesmo lugar de antes e aconchegou Paika contra si, as outras meninas resmungaram numa tentativa falha de cochilo. Os dias de confinamento eram piores que o percurso, durante a caminhada elas tinham que estar em movimento, pensar sobre o que o futuro reservava poderia ser adiado pela ação de pôr um pé na frente do outro.
Já neste lugar úmido elas tiveram muito tempo para raciocinar, não precisam conversar entre si para saber que o fim era inevitável. Com os colares minando a Mana, elas eram tão úteis quanto um ser humano.
"Catarina?" Loe, chama-me em um sussurro tocando meu ombro, sua doce voz não é tão brincalhona como costumava ser, ela é a mais jovem irmã das aprendizes. Sua Mana fora a mais afetada já que estamos nas masmorras, longe do chão. Mesmo em nossas terras, Leo andava sem quaisquer calçados, preferindo o contato direto com a terra. Os dominantes de barro preferiam manter laços estreitos com suas Manas. Loe tem uma afinidade promissora, uma raridade para sua casa. Os zumbis de pedra que ela controlava eram magníficos, exigia exímia concentração para mantê-los em pé "Estou com medo" sem abrir os olhos arrebatei sua mão do meu ombro e agarrei forte.
O sol dava indícios que apreciaria a qualquer momento, não me incomodei em abrir os olhos, nossa cela estava escura, a escassa luz que adentrava pelo corredor iluminava pouco mais que um palmo da grade. Todas nós encostadas umas nas outras desconfortavelmente no amontoado que fizemos no canto.
"Eu também estou" deixo escapar não me importando que os guardas escutem, não estou acima delas por ser herdeira da casa Isador, se eu tivesse sido capturada sozinha já teria me entregado ao desespero "Estamos juntas, o que quer que aconteça tu não estarás só" tranquilizo, eu poderia dizer que aa coisas ficariam bem, que não havia nada a temer, mas eu estaria mentindo.