A queda
Ao lado de fora do meu quarto ouço o som do tilintar de espadas. Levato-me da cama recobrando a consciência e saio de baixo dos lençóis com o coração martelando em meu peito. Ando poucos passos em direção a porta, e antes mesmo de chegar até lá a porta se abre violentamente.
Logo a minha frente, um homem que nunca vi antes vem rapidamente em minha direção com os olhos ardendo em ódio e empolgação doentia. Me empurrando para atrás até bater minhas pernas contra a cama, ele rapidamente avança.
Com o coração acelerado eu sufoco um grito surpreso quando o homem cai encima de mim segurando minhas duas mãos sobre minha cabeça.
_Você vai vir comigo quietinha e se comportar muito bem durante o nosso caminho princesa.
[ quem esse bastardo pensa que é?! ]
Ergo uma sobrancelha pra ele e faço a minha careta tradicional de quem não gosta de receber ordens.
_Sinto muito, mais se comportar não é uma palavra que eu tenha no meu vocabulário!
Rapidamente dou uma joelhada na virilha do homem que se encolhe seguido de murmúrios de dor. Levanto-me e tomo sua espada deixada no chão e bato com o cabo em sua testa. Correndo pelos corredores do castelo quase sem fôlego, a procura dos aposentos dos meus pais acabo batendo bruscamente em alguém.
_Perdão senhor...
O homem que eu colidi agora aponta sua espada sorrindo ferozmente pra mim.
_Olha só, vejo que essa visita me rendeu um bom troféu!
Seu sorriso malicioso me da calafrios pelo corpo e eu rapidamente me preparo para oque virá a seguir.
_Vamos ver oque posso tirar de você!
Ele avança em minha direção e eu me esquivo do golpe de sua espada, me erguendo de volta e apontando minha lâmina diretamente pra ele. Com uma sequência de golpes defendo todos eles, me esquivo, abaixo e corto sua coxa com minha espada, em seguida dou uma joelhada em seu estômago, coloco minha perna direita atrás de sua panturrilha e o derrubo no chão. Pronta pra correr caio no chão perdendo minha espada, quando me viro vejo o homem segurando meu tornozelo e me escalando ate chegar em meu tronco.
O homem coloca suas mãos em meu pescoço e começa a me sufocar. Sem perder tempo, passo meus braços dentre os espaço dos seus e tiro suas mãos da minha garganta me sentindo aliviada por respirar. O chuto no estômago, alcanço minha espada e enfio em seu peito. Começo a correr novamente rezando em pensamentos para que meus pais estejam bem. Quando viro a esquina paro bruscamente a poucos centímetros de ser atinjida por uma flecha. Eu avanço sem medo de outras flechas que podem me acertar correndo rapidamente na direção dos soldados que estão atacando, vou para o lado e dou dois passos na parede pegando impulso para dar um mortal e parar atrás dos meus atacantes. Acerto o primeiro cortando sua perna, o segundo com uma cotovelada em seu seu nariz e cortando sua mão esquerda e o terceiro enfio a espada em seu coração.
Voltando a correr ja me sinto completamente esgotada, a luta contra os soldados me esgotou quase por completo e minha falta de sono não ajudou muito.
De repente os cabelos da minha nuca se arrepiam e eu fico paralisada. Encosto em uma parede e me concentro em encontrar o motivo dos meus arrepios, aponto minha espada assim que o sinto se aproximar. Ele logo bate em minha espada e olhamos um para o outro. E atacamos. Me esquivo do primeiro golpe, quase perco equilibrio pra esquivar do segundo, e ele aponta a espada pra mim.
_ Onde está seu homem pra lhe defender agora? Ele olha profundamente em meus olhos com ar de superioridade e sinto minha raiva se intensificando dentro de mim.
_Eu não preciso de um homem pra acabar com você! Eu digo essas palavras com o ódio intenso em cada letra.
_Como quiser. Ele diz isso sem tirar os olhos de mim e me sinto cada vez mais brava.
Com um movimento rápido bato em sua espada e me levanto de uma só vez. Ele parece surpreso e um tanto até impressionado...? Começamos nossa luta. Nenhum dos dois se rendendo e atacando com todos os golpes que conhecemos ficando cada vez mais cansados. E ele me derruba.
_Desista. E considerarei poupar sua vida. Sinto algo dentro de mim crescer. A raiva em minha voz fala por si só.
_Mais eu não considerarei poupar a sua! Me levanto novamente e avanço contra ele. Em um unico golpe ele lança pra longe minha espada e esta prestes a me golpear. Eu rolo para o lado e desvio de sua lâmina e me atiro em cima dele. Nós dois caimos. Eu estou encima dele com sua espada em minhas mãos pressionada contra seu pescoço.
_Faça. Ele diz com a voz rouca quase como um sussurro.
Eu estou com odio ardendo meus olhos, mas ao mesmo tempo meu coração sabe oque é certo.
_Faça! Ele aumenta o tom de voz. _Vai me dizer que esta pensando em ter misericórdia da pessoa que matou pessoas inocentes em seu próprio castelo?
_CALE-SE! Meus olhos estão ardendo mais não me atrevo a deixar que ele veja minhas lágrimas. Eu inspiro profundamente e saio de cima dele, mas ainda com a espada apontada para seu pescoço.
_Vamos! Eu sei que você esta com o gosto do ódio em sua boca! Apenas faça! Me odeie! Em sua voz sinto que é isso que ele quer, e vejo uma pequena faisca de tristeza e arrependimento em seus olhos.
_Eu não vou matar você, e, eu não vou odiar você. Por que, para odiar você eu teria que me importar com você. E eu não me importo.
Dito isso me afasto com a espada e com um último olhar o vejo sem entender oque acabou de acontecer. E desapareço nos corredores novamente a procura dos meus pais.
Chego ofegante até o salão principal. E oque vejo me despedaça e me paralisa por completo. As lágrimas que havia segurado ja estão pingando por todo chão, minha espada cai no chão com um barulho forte. Dou um passo a frente relutante, e sem querer pisei no sangue que banhava todo o chão. Os eventos da noite começam a passar pela minha minha mente como flashes. Me sinto desamparada, minhas mãos estão tremendo em punhos fechados ate sentir que minhas unhas raspam com força nas minhas palmas furadas com leves cortes. A cena mais aterrorizante e pertubadora de toda a minha vida esta diante dos meus olhos.
Quando saio dos meus devaneios me encontro de joelhos na poça de sangue segurando meu irmão mais novo Filip em meus braços. Suas bochecas molhadas com minhas lágrimas e a vermelhidão de seu rosto pelas sujeiras de sangue. Afago seus cabelos ainda macios e negros como a noite sorrindo me lembrando das boas memórias juntos.
Olho envolta com os olhos encharcados e fecho meus olhos com todas as minhas forças. Coloco minhas mãos no chão e desabo novamente. Não aguentando mais segurar eu grito com todas as minhas forças.
_Me perdoem, eu cheguei... tarde. Eu cheguei tarde demais. Soluçando sinto que tudo que eu me importava foi tirado de mim. _Por favor, sem vocês eu não consigo. Me perdoem, me perdoem, me perdoem.
Seguro minha mãe em meus braços. Beijo suas duas bochechas, sua testa, e a abraço com todas as minhas forças.
_Me perdoe mamãe eu não fiz o bastante. Eu sinto muito. Eu te amo. Digo essas palavras sem mesmo entender se falei corretamente por conta dos meus soluços. De repente sinto algo mecher em meus cabelos e me assusto. Uma voz fraca em meu ouvido susurra.
_Esta tudo bem...você precisa ir. Eu a abraço com mais força como se ela fosse desaparecer. _Querida você precisa ir.
_Eu não vou te deixar aqui! Vou te tirar daqui!
Tento ergue-la em meus braços. Mas em vão. Ele geme de dor e eu paro imediantamente.
_Minha garotinha. Ela toca minha bochecha e eu me inclino para seu carinho nao querendo que acabe. _Valerie...voce tem que ir agora. Eu a olho espantada.
_Eu ja disse que não vou te deixar aqui!
_Valerie vá. Por favor...
_Por favor...eu não posso, eu nao posso deixar você. Não me obrigue a isso por favor, eu vou lutar por você, pela nossa familia. Pelo Filip.
_Valerie, você não tera por quem lutar se estiver morta. Vá e procure ajuda.
_Por favor mãe...
_Vá agora! Eles estao vindo, você precisa sair daqui depressa! Consigo sentir a tristeza em sua doce voz.
_Eu vou voltar. Digo relutante em ter que tira-la dos meus braços. E vou rapidamente para saída.
_Valerie... Me viro para trás e as lagrimas voltam aos meus olhos. _Eu te amo. E ela da oque parece ser o seu ultimo suspiro.
Estou correndo em direção ao celeiro e logo me encontro fora dos portões do castelo, com nada mais que minha espada, minha camisola e meu capuz. E então eu estou cavalgando, para longe do castelo, e indo para cidadela.