Capítulo 3

1936 Words
A noite havia acontecido da forma mais perfeita possível, o jantar estava bom e meus olhos nunca abandonaram aquela aliança em meu dedo que parecia ser notável demais, Daniel ficou mais aliviado e parou de transpirar excessivamente, ele me levou para ver a lua cheia num cais que havia na cidade onde sentar na ponte e colocar os pés na água era a minha coisa favorita no mundo, fiquei feliz por seu esforço apesar de que ele achava o lugar perigoso e m*l frequentado. Provavelmente a Valerie havia sugerido aquilo, e eu lhe agradeci internamente por poder ficar ali por alguns minutos olhando para a lua em silêncio com ele quieto ao meu lado, mesmo que meus pensamentos excessivos continuassem me perturbando eu pude refletir sobre como aquele casamento parecia ser o certo a se fazer, e ver que as pessoas que eu amo ficariam felizes por isso era tudo o que importava. Por isso quando foi ficando tarde pedi que o Daniel me deixasse em casa para que eu pudesse descansar e amanhã ir visitar meus pais para lhes contar as boas novas, não foi nenhuma surpresa ver meu noivo insistindo para passar a noite como se colocar um anel no meu dedo pudesse me deixar decidida a fazer coisas além de dormir com ele. Mas isso não alterava nada, por isso, dormi sozinha aquela noite, estava tão cansada que não esperei pela Valerie chegar do trabalho, e como se eu soubesse o que aconteceria a seguir, fechei os olhos sabendo que teria um pesadelo com aquela mulher novamente assim como eu vinha tendo nos últimos dois anos. - Se algum dia você olhar para outra pessoa como olha para mim, você será morta. – apesar da ameaça eu podia ouvi-la rindo, tentei piscar algumas vezes e identificar onde eu estava, parecia tudo extremamente azul. – Vou ignorar que aquela garota flertou com você e me concentrar nas minhas cambalhotas, agora liga a câmera pois eu vou tentar dar uma estrelinha aqui. Como o mar? Eu estava em uma praia? Respirei fundo tentando sentir o cheiro do lugar mas eu estava tão desnorteada que era difícil saber, levei minha mão a cabeça e depois olhei para ela vendo que não havia sangue dessa vez assim como das outras, eu não estava machucada e a mulher não parecia desesperada. Não soava como os outros pesadelos, parecia um sonho bom. - Amor! – procurei por ela ao ouvi-la me chamar, pelo visto eu era seu amor e de alguma forma aquilo não soava estranho. – Você viu isso? Eu consegui fazer uma estrelinha! – ela estava tão animada com aquilo que eu queria ficar feliz por ela mas era tudo tão confuso. Por que eu não conseguia ver o seu rosto ou falar com ela, por que tudo tinha que ser um completo borrão? - Princesa, presta atenção em mim... – sua voz foi ficando distante a cada vez mais e eu queria andar em sua direção mas não conseguia. – O que você diria se eu falasse que quero construir uma família com você? Meu peito se apertou mas não era algo r**m, parecia mais como se eu estivesse sendo inundada por um sentimento novo... Aquilo era felicidade? Abri meus olhos lentamente me acostumando com a claridade, estiquei minha mão apanhando meu celular sobre a cômoda constatando que já passavam das 8, larguei o aparelho pela cama e fechei meus olhos novamente refletindo sobre o sonho que havia acabado de ter. Era um alívio que não tivesse sido nada envolvendo machucados e desespero, mas ainda sim era confuso que aquela moça sempre estivesse presente neles como se fosse algo importante para mim, talvez pudesse ser coisa de outras vidas ou algo inexplicável que as vezes é melhor apenas se conformar. Apesar de não ter que trabalhar pois era sábado eu ainda tinha compromissos então deixei a preguiça de lado e tratei de tomar banho e me arrumar para sair, desci as escadas assim que estava pronta e me deparei com a Valerie na cozinha como de costume. - O que a noiva quer para o café da manhã? – a ouvi dizer antes que eu pudesse chegar a porta da sala, dei meia volta e caminhando até ela me estiquei um pouco para alcançar sua bochecha para deixar um beijo ali. – Dormiu bem? - Dormi sim. – murmurei com um sorriso nos lábios. – Eu não vou comer em casa, marquei de sair com o Theo para comer pois ele tá largando do plantão por agora. - Tudo bem, mas antes me deixe ver o anel. – ela pediu soltando a faca que cortava algumas frutas para pegar minha mão, aguardei seu olhar minucioso inspecionar tudo até que ela sorriu orgulhosa me deixando feliz. – Você e Daniel serão um casal perfeito, não tenho dúvidas disso maninha. Assenti com a cabeça concordando com ela, realmente éramos perfeitos um para o outro. - Pensei que ele dormiria aqui então fiquei no trabalho para não atrapalhar a comemoração de você. – segurei minha ânsia de vômito ao vê-la piscar para mim toda maliciosa, não havia nada pior do que sua irmã mais velha querer saber da sua vida s****l e apoiar ela. - Esse é o momento perfeito para que eu saia. – murmurei lhe acenando um tchau e saindo o mais rápido possível antes que ela falasse mais alguma besteira. Apesar de ter carro as coisas na cidade eram muito próximas umas da outra então eu sempre optava por caminhar e aproveitar a vista e o ar fresco. Em poucos minutos já avistei o hospital e meu melhor amigo parado na entrada, eu sempre o agradecia mentalmente por não me obrigar a entrar naquele lugar, não sei desde quando mas em algum momento percebi que eu tinha um absurdo medo de hospitais e só de pensar em entrar em um meu coração se apertava. - Olivia! – Theo caminhou até mim em passos preguiçosos e debruçou-se sobre meu corpo sem se importar com seu peso. – Eu devo te amar muito para aceitar sair com você as 9 da manhã depois de um plantão. - Definitivamente me ama. – murmurei o abraçando lateralmente para que pudéssemos caminhar juntos pela calçada. – Como foi a noite lá dentro? - As mesmas coisas de sempre, idosos rebeldes que se recusavam a usar fraldas, adolescentes que não querem ser medicados e o ponto alto da noite foi uma criança que vomitou duas vezes na minha roupa. – fiz uma careta de nojo o encarando de soslaio me perguntando se ele havia tomado banho antes de se encontrar comigo. – Estou vendo sua cara Hastings, eu tomei muitos banhos essa madrugada, e por falar nisso, o que você andou fazendo? – seu sorriso malicioso foi surgindo lentamente me fazendo revirar os olhos. Por que todo mundo está interessado na minha vida s****l de repente? - Nós não fizemos nada. – murmurei cortando qualquer pensamento m*****o que ele estivesse tendo, me desvencilhei dele passando a andar na frente. – Ele até queria, mas eu não achei que era o momento certo. - Você está esperando o casamento para ter a sua primeira vez? – Theo questionou horrorizado enquanto tentava acompanhar meus passos, neguei com a cabeça também achando aquilo um absurdo. – Se fosse eu já teria avançado naquele homem e rasgado suas roupas como um leão faminto por uma carne de qualidade e... – arqueei a sobrancelha o encarando de soslaio, Theo sorriu sem graça e abaixou as mãos que imitavam as garras felinas que ele usaria para atacar meu noivo. – Eu disse isso com todo respeito amiga. - Definitivamente senti o respeito. – falei irônica enquanto o empurrava suavemente para dentro do nosso destino. - E não é a minha primeira vez, o acidente ferrou minhas memórias mas eu tenho quase certeza de que transei antes. Como eu costumava sonhar muito com coisas irreais, eu não tinha muita certeza se alguns dos sonhos quentes que tive eram reais ou não, mas a sensação de que alguém havia passeado sua boca por meu corpo definitivamente era algo que eu mantinha comigo. Pode ter sido há muito tempo no colegial, ou algum caso de trabalho, mas virgem definitivamente eu não era. - Sinto muito que aquele acidente tirou de você tantas memórias... – sorri para ele negando com a cabeça, apesar de ser algo triste que me deixava brava as vezes eu sempre seria grata por aquele acidente ter me feito conhecer a pessoa que se tornaria meu melhor amigo. O Theo não me ajudou somente nas noites infernais em que eu precisava de morfina por conta das fortes dores, mas ele também me apoiou, me ajudou com a fisioterapia e com o tempo nos tornamos amigos inseparáveis, e por isso eu não me sentia tão m*l com o acidente. Eu tinha um cara incrível como melhor amigo. - Pelo menos eu tenho você. – o trouxe pra perto em um abraço, eu adorava o fato de que ele era um pouco menor que eu, me permitia beijar sua bochecha sempre que eu desejava. – Obrigada por ter vindo comigo vê-los. - Pode contar comigo sempre. – Theo murmurou de frente as lápides dos meus pais. – Muito bom revê-los senhor e senhora Hastings. – o observei se curvar de um jeito esquisito, era notável o quanto ele ficava perdido com aquilo mas eu sempre seria grata por seu esforço. Eu não costumava visitá-los muito mas eu prometi que no dia em que me casasse eles seriam um dos primeiros a saber e ali estava eu cumprindo a promessa que fiz quando criança. - Mãe, pai... – respirei fundo olhando para as lápides mas antes que eu pudesse continuar a falar o Theo me cutucou na costela com o cotovelo. – O que foi? – o observei se abaixar e pegar um papel que estava no chão um pouco sujo. – Não mexe no lixo, Theo! – o adverti mas quando ele se levantou e me mostrou o papel fiquei perplexa por alguns segundos. “Não faça isso!” - Isso não é bizarro? – Theo questionou se encostando em mim para olhar o papel, virei ele de um lado a outra constatando que aquilo era tudo que havia escrito ali. – Será que é uma mensagem subliminar dos seus pais para você não se casar? O olhei incrédula me perguntando se ele não costumava filtrar as coisas que dizia. - Ou... – fiz uma pausa. – Pode ser que esse papel voou de qualquer lugar e veio parar aqui, e não uma mensagem subliminar. – Theo não pareceu ter gostado da minha teoria então deu de ombros. Aquilo não deveria ser nada demais, então amassei o papel para jogar fora, mas acabei levando minha mão ao bolso da jaqueta o colocando ali, depois eu me desfaria dele. - Como eu estava dizendo, mãe e pai, eu irei me casar. – murmurei respirando aliviada. – Eu adoraria que estivessem aqui no dia para que pudéssemos compartilhar desse momento único, mas tenho certeza que a Valerie representará vocês muito bem... – um vento gélido passou por mim fazendo todo meu corpo arrepiar de repente. – Daniel é um cara incrível e eu sei que vocês adorariam ele. Eu não sabia mais o que dizer, então respirando fundo olhei para o Theo que sorriu compreensivo. - Seus pais te amam e com certeza estão te observando de onde quer que estejam. – eu não tinha muita certeza sobre o que acontecia depois da morte mas sorri grata por suas palavras de conforto.
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