Na manhã do dia seguinte, ao acordar, Júlia recebeu um forte abraço de sua amiga Jade, o que lhe deixou mais confiante e lhe fez se sentir mais acolhida. Após fazer sua higiene e colocar uma roupa de Jade, já que nem mesmo roupas tinha mais, Júlia desceu enquanto Jade terminava de se arrumar, na sala, ela encontrou Heitor, que assim que a viu, foi até ela.
— como está?
— nem sei te explicar como estou, mas bem, sei que não é. — disse ela, então Heitor se aproximou e a abraçou para lhe dar o alento que ele sabia que ela merecia, ela suspirou e se aconchegou ainda mais nos braços dele, apreciando o inebriante perfume dele, sua pele chegou a arrepiar e seu corpo estremecer, Heitor até notou aquela reação, mas nada disse, apenas seguiu a abraçando, também era gostoso para ele, aquele corpo pequeno e curvilíneo em seus braços. — obrigada por tudo senhor Heitor.
— não tem que agradecer Júlia, você é da família, me sinto na obrigação de cuidar de você.
— e eu me sinto na obrigação de agradecer, não tem ideia do quão seu apoio e da Jade tem sido importantes pra mim. — disse ela, sua voz já tremula por conta do choro que ameaçava lhe tomar, Heitor ao perceber, lhe afastou um pouco de seu corpo, segurou o rosto dela em suas mãos e disse.
— Júlia, não chore mais, está segura aqui, vai ficar tudo bem, vou buscar resolver tudo, começando por aquele infeliz, nessa manhã vamos a delegacia, ok? você precisa prestar queixa daquele desgraçado.
— tudo bem. — disse ela enquanto encarava perdidamente os olhos dele, estando perto dele esquecia de tudo e tudo que focava era nele.
— por enquanto você vai ficar morando aqui, não quero arriscar sua segurança. — disse ele, ela apenas assentiu com a cabeça, já havia até mesmo perdido as palavras, suas mãos tremiam e suavam, a língua deslizou pelos lábios, ele olhou com atenção aquela cena e sorriu. — só lembrando que você não pode mais me beijar. — ele brincou a deixando sem graça, então ela se afastou.
— mas eu não...não ia te beijar, só estava atenta ao que estava dizendo. — ele riu, em seguida disse.
— só estava te lembrando, o café da manhã está na mesa, vamos?
— mas e a Jade? — ela perguntou.
— ela já está pronta?
— não, estava se arrumando ainda.
— então vai demorar, ela sempre demora. — ele disse a fazendo rir, então seguiram para a sala de jantar, onde sentaram e deram início ao café da manhã, ela ainda sem graça com o ocorrido de minutos atrás.
Na delegacia, Júlia se viu em uma sala com o delegado e um escrivão, onde contou todo ocorrido, por vezes perdeu a fala, tão abalada havia ficado por relembrar detalhes daqueles tenebrosos ocorridos, o delegado ficou indignado com a situação, e prometeu que trataria de tentar resolver aquele assunto o mais breve possível. Ainda muito abalada, Jade saiu daquela sala, encontrando com Heitor e Jade, que assim que viu a amiga, foi até ela e a abraçou.
— e então amiga?
— contei tudo, agora tenho que ir ao iml, fazer o exame de corpo de delito para registrar a queixa por agressão, mas as outras acusações já foram registradas e já vão começar a busca por ele.
— pai, o senhor pôde acompanhá-la? não vou poder, tenho prova na faculdade hoje. — pediu Jade, ela estudava no período da tarde e já passava das onze da manhã.
— não se preocupe querida, ficarei com ela.
Ao chegarem no iml, Heitor a acompanhou até a recepção, Júlia informou o que estava ali pra fazer e entregou a atendente a guia dada a ela na delegacia.
— está vazio agora, pode me acompanhar.
— posso acompanhá-la? — Heitor questionou.
— não, pois não poderá entrar junto a ela, não se preocupe, sei que deve estar preocupado com sua namorada, mas não precisa se preocupar, o exame é rápido. — disse a moça os deixando sem graça.
— não, não somos namorados, ela é amiga da minha filha, estou a acompanhando. — aclarou ele.
— ah, perdão senhor, não olhei as informações da guia direito. — disse a moça enfim checando as informações, se dando conta de que Júlia estava ali para comprovar a agressão que o ex namorado havia lhe feito. — desculpem mesmo, sinto muito. — disse ela direcionando seu olhar a Júlia que nada disse, apenas baixou a cabeça, estava envergonhada por estar passando por tal situação.
— vou te esperar aqui Júlia. — disse Heitor, segurando o ombro lhe dando de certa forma, apoio e forças pra passar por aquilo.
Júlia seguiu até a sala onde faria o exame, a moça que a acompanhava abriu a porta e entrou junto a ela, o responsável por realizar o exame estava sentado em sua mesa a frente do computador e assim que as viu levantou-se.
— ela veio para fazer um exame de corpo de delito.
— tudo bem. — ele respondeu e a moça logo saiu fechando a porta atra de si. — antes de darmos início ao exame físico, vou fazer algumas perguntas ok?— Júlia apenas assentiu com a cabeça e sentou-se na cadeira indicada por aquele homem.
Após responder todas as perguntas, Júlia já estava em prantos, aquilo para o exame era de grande avalia, afinal de contas, indicava o tamanho do dano psicológico causado pela agressão.
— poderia tirar a jaqueta por favor. — pediu aquele homem, o que deixou Júlia um tanto apreensiva.
— eu vou ter que tirar a roupa toda?
— senhorita, não se preocupe, sou totalmente profissional ok, isso vai depender de onde ficaram as marcas em seu corpo.
— por todo o corpo. — ela contou, o desgraçado havia a agredido com tapas, socos e chutes.
— então preciso que tire o máximo possível de roupas, sei que é doloroso ver e mostrar estas marcas, e que deve estar tentando cobri-las, escondê-las o máximo possível, de si mesma e dos outros, mas é necessário, para que com isso possa colocar este meliante atrás das grades. — Júlia assentiu e um pouco mais calma, ela começou a se despir, ao fim, estava apenas de sutiã e um pequeno short que havia colocado por baixo do vestido, graças a isso, estava se sentindo menos desconfortável, o medico legista deu início ao exame, vendo o desconforto dela, evitou ao máximo tocá-la, mas analisou com os olhos cada marca deixada no corpo dela e eram várias. — já é o suficiente, pode se vestir.
Com o fim do exame, Júlia caminhou pelos corredores em direção a recepção, estava se sentindo tão humilha, o único homem até então que havia visto Júlia em roupas íntimas era seu ex e por conta dele, havia tido que se mostrar para um desconhecido, ainda que entendesse que era necessário, não deixava de ser incômodo e desconfortável.
— como foi? — Heitor questionou assim que a viu, as lágrimas em seus olhos eram a reposta para a pergunta dele, então a abraçou.
— foi horrível, tive que ficar apenas de roupas intimas.
— agora vai ficar tudo bem Ju.
— Heitor, eu só quero sair daqui.
— tudo bem, só vou perguntar quando o laudo fica pronto. — ela assentiu, então foi até o balcão onde a moça de antes passou a Heitor as informações necessárias, em seguida saíram daquele local.