Fiz tudo o que eu podia, nesse momento eu estava sentada do lado do homem que levou um tiro por mim mesmo sem me conhecer. E que a algumas horas atrás eu descobri ser o famoso AK, dono do morro da Providência. Como eu sempre digo, toda desgraça pra p***e é pouco.
Eu estava quase pegando no sono ali mesmo quando ele começou a se mexer acordando e eu despertei, ele fez uma expressão de dor e começou a murmurar alguns palavrões. Rapidamente eu peguei o remédio que tinha na caixinha e dei a ele que tomou sem reclamar.
AK: Quem é você? - Perguntou desconfiado ao voltar pra si. Como que eu explicava agora? Bufei.
Gabriela: Meu nome é Gabriela, a gente estava no meio do tiroteio e…eu ia levar um tiro se você não tivesse entrado na frente, queria te agradecer. - Falei sem jeito. Eu não sabia nem como falar com ele, ele podia querer me m***r a qualquer palavra meia errada.
AK: Você é médica? - Perguntou enquanto olhava pro curativo em sua barriga.
Gabriela: Não exatamente, eu sou veterinária. - Ele concordou balançando a cabeça.
AK: Ta com medo de mim, por que? - Se aproximou ficando frente a frente comigo, a centímetros do meu rosto.
Gabriela: Eu não tenho medo de você. - Engoli seco. Ele fez menção de vir pra cima de mim e eu me encolhi no chão onde eu estava. m***a.
AK: Você mente muito m*l, todo mundo tem medo de mim. – Riu satisfeito. Ele se levantou indo em direção a cozinha e pegando um copo de água.
Gabriela: Bom, já ta tarde, eu vou indo. - Olhei no meu celular que estava quase descarregado e vi que já eram 1h da manhã. Quando eu abri a porta dei de cara com o mundo desabando em água. Eu não acredito nisso.
AK: Acho que você vai ter que ficar aqui por mais um tempo. - Veio até mim. - Dorme ai, tem um quarto sobrando. - Falou sem interesse e eu revirei os olhos.
Gabriela: Eu não quero atrapalhar, posso ficar no sofá mesmo até a chuva passar. - Fechei a porta e voltei pra dentro.
AK: Você quem sabe, eu vou deitar. - Subiu as escadas sem dizer mais nada.
Cara a*******e, sempre fazendo questão de me lembrar do por que eu odeio esse lugar, só quero ir pra minha casa logo e esquecer que esse dia aconteceu.
Deixei a minha bolsa em um canto qualquer e me deitei no sofá encarando o teto, eu não conseguiria dormir nem tão cedo, apesar de estar morrendo de sono meus pesadelos ainda me atormentam.
[…]
Acordei no susto com o AK me balançando desesperadamente.
Gabriela: O que aconteceu? - Me sentei no sofá rapidamente.
AK: Ta ficando doida mina? Você começou a gritar do nada e eu vim ver o que estava acontecendo. - Meu Deus, que vergonha.
Gabriela: Nossa, me desculpa, acho que eu tive um pesadelo. - Ele negou com a cabeça com um meio sorriso debochado.
AK: Achei que só crianças tivessem pesadelos. -Subiu as escadas me chamando logo em seguida. Bufei.
Gabriela: Você se surpreenderia. – Respirei fundo.
AK: Vamos pro meu quarto, você deve dormir melhor lá do que aqui nesse sofá. – Saiu andando e fez menção para que eu seguisse ele.
Gabriela: Eu já disse que não quero incomodar, pra onde você está me levando? - Fui atrás dele. – Quanto mais longe eu ficar de você melhor. – Resmunguei baixo, mas não o bastante para que ele não escutasse.
AK: Teu problema é que tu fala demais, fica na sua ai. - Ele entrou em um quarto e eu fui logo atrás. Fechou a porta e deitou na cama como se eu não estivesse ali. - Você não vem? Aproveita antes que eu mude de idéia, sua tentativa de deboche me irrita.
Nem questionei mais nada, eu estava extremamente cansada e praticamente virada. Me deitei ao lado dele na cama tomando certa distância e fechei os meus olhos deixando o sono me levar e simplesmente ignorando a circunstância de onde eu estava.
[…]
Eram 4h da manhã e eu acordei ouvindo uns barulhos, não sei o que estava se passando na minha cabeça quando eu resolvi deitar na cama desse homem, eu só posso estar ficando louca.
Rolei meus olhos pelo quarto e parando pra colocar reparo ele é enorme, parei meus olhos no homem que poderia ser de longe a pessoa que eu mais odeio no mundo. Ele estava na sacada fumando, ainda era noite, mas o céu estava lindo.
Me levantei bocejando sem fazer barulho e me aproximei devagar parando ao seu lado.
AK: Outro pesadelo? - Me olhou de relance e eu neguei.
Gabriela: Ainda ta doendo muito? - Me referi ao tiro e ele negou. Senti o olhar quente dele sobre mim, mesmo sem olhar diretamente pra ele, aquilo queimava a minha pele de dentro pra fora e eu com certeza fiquei vermelha, com vergonha e extremamente constrangida sem ele precisar dizer nem uma palavra.
Continuei da forma que eu estava, eu não cederia a uma provocação se é o que ele está pensando, sou completamente diferente de qualquer mulher que ele já conheceu. Eu nunca me envolveria com um envolvido.
Eu nunca tinha visto a favela dessa forma, aqui seria lindo se não fosse tão sangrento. Parei no tempo ali admirando tudo.
Senti uma mão descer sobre a minha b***a com uma certa brutalidade e me assustei na hora me virando e ficando de frente pra ele.
Gabriela: Você está ficando maluco? Tira a mão de mim. - Falei mais alto e ele negou com deboche. Segurou no meu pescoço com força e me beijou bruscamente sem dar nem tempo de eu fazer alguma coisa.
Me desfiz ali retribuindo aquele beijo e deixando todo o d****o que ele parecia estar sentindo exalar sobre nós. Já faziam meses que eu não beijava ninguém, hoje em dia os caras acham que assim que o beijo acaba vão te levar pra cama e comigo não é bem assim, eu não estou disposta a isso.
Sua língua invadia a minha boca de um jeito feroz que me fazia sentir coisas que eu nunca tinha imaginado antes. Por um minuto eu me tornei outra pessoa ali envolvida com ele. E não parou por ai.
Com um único movimento ele me colocou em seu colo, eu não conseguia ter reação pra nada daquilo, eu só deixava a brisa dele me levar. Ele deitou me no chão e veio ficando por cima de mim, mas na mesma hora eu recuei.
Eu não sabia se estava pronta pra isso, e nem se eu queria continuar parecendo uma alienígena quando algum homem toca em mim. Empurrei ele de cima de mim com aquilo rondando a minha cabeça.
Não sei se quero que a minha primeira vez depois de um quase a***o seja com um traficante. Eu não posso ir tão contra os meus princípios assim.
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@alexiaautora_