CAPÍTULO 59 GRINGO NARRANDO Desci a rua da boca tão acelerado que a moto quase derrapou na poeira do beco. O motor ainda roncava quando eu cortei ele no tranco, tirei o capacete e senti a raiva queimando dentro de mim como se eu tivesse engolido gasolina acesa. O movimento tava no corre normal do morro: rádio chiando, vapor passando com tijolo na mão, cheiro de baseado misturado com o feijão de alguma cozinha aberta. Mas minha cabeça não via nada disso. Tava focada em uma pessoa só. Piru. Aquele filho da putä tinha passado do limite. Quando cheguei perto da boca, já deu pra ouvir o burburinho: menor cochichando, gente comentando baixinho, clima pesado. — O Piru tomou foi dois socão do chefe… — Arrebentou a boca dele na hora, mano… Eu nem parei. Entrei direto. A porta da sala do M

