A criada sai, junto com Elisa do quarto, e ambas descem as escadas, a criada vai para a cozinha, enquanto ela encontra com seu pai o pretendente e sua avó Adelaide no salão Fiori, ainda não estavam sentados nas cadeiras, estavam esperando a jovem chegar.
- boa noite, pai. Ela cumprimenta serena, como a lua.
- noite tranquila senhor. Bruno foi cordial em uma postura impecável.
- boa noite a todos. Senhora Adelaide cumprimenta balançando a cabeça para cima e para baixo.
- minha filha, conheça Bruno Rossi.
Lorenzo os apresenta.
ele pega a mão de Elisa e beija sentindo seu perfume de jasmim.
Ela observa atentamente, ele estava com um terno preto, camisa branca e gravata borboleta, calças pretas, sapato de couro fino, seus cabelos eram pretos, e seus olhos da mesma cor, seu maxilar forte, um belo nariz afilado, sobrancelhas finas arqueadas, aparentemente mais velho que Léo.
-estou honrado em conhecê-la senhorita Fiori. Você superou minhas expectativas, se me permite dizer, está deslumbrante. Ele disse com a voz grossa olhando para os olhos dela.
- muito obrigada, é um prazer conhecê-lo. Fala nervosa.
Adelaide chega mais perto da neta e pigarreia, e logo Lorenzo apresenta.
- senhor bruno, esta é minha mãe Adelaide Fiori.
Ele solta a mão de Elisa e pega a mão da avó e com o mesmo gesto, beija a mão da bela senhora de vestido preto.
- encantado senhora Fiori. Ele apenas sorri.
Ambos sentam nas cadeiras, Bruno observa tudo atentamente ao redor, a música clássica de Mozart pairava no ar, o lustre de cristal acima da mesa bem no meio, iluminava a mesa de jantar suavemente.
o aroma de comida posta a mesa, frutas e legumes cozidos expostos em bandejas de vidro, jarras de água e de sucos naturais, uma garrafa de vinho italiano e o prato principal, carne de carneiro cozido com batatas cenouras orégano e cebolinha, o aroma invade o olfato de Elisabetta, fazendo a inspirar sentindo o aroma de olhos fechados, Bruno sorriu a admirando.
Lorenzo senta ao centro, Bruno à direita e Elisa à esquerda, e Senhora Adelaide senta ao lado dela, encarando desconfiada Bruno à todo momento, Os pratos de porcelana e talheres de prata, estavam postos em seus lugares reluzentes sob a luz dourada, O salão Fiori brilhava com velas nos candelabros à mesa, Após serem servidos, Lorenzo pergunta enquanto espeta as batatas com seu garfo no prato.
- que tal contarmos sobre seus interesses senhor Rossi?
- Certamente, tenho uma frota de navios, estou esperando sair o projeto do meu próximo navio para exportação de relíquias de luxo, gosto de navegar pelo grande canal e apreciar a arquitetura veneziana. Fala abertamente olhando para Elisa.
- Interessante, aprecio dar voltas de barco ao pôr do sol. Ela serve-se uma taça de suco de laranja.
" ele é lindo, porém sinto que há algo de errado nele" pensa consigo mesma
- O que acha sobre as mudanças na sociedade veneziana, senhor Rossi?
Senhora Adelaide perguntou bem plena ao levar uma garfada de carne a boca.
- Acredito que devemos preservar nossas tradições, e nos adaptar ao que o futuro nos reserva, principalmente para nossos descendentes seguintes. Ele enche uma taça de vinho e levanta em direção à senhora sentada ao lado dela.
- Concordo plenamente. pontua Lorenzo com um semblante tranquilo, cortando um pedaço de carne com garfo e faca. Ela come um pouco apreensiva a carne em meio ao caldo, enquanto bruno a observa atentamente, deixando a nervosa, sua mão fraqueja a ponto de deixar cair a faca no chão, ela rapidamente pega outra enquanto a criada ligeiramente corre para pegar aquela que caiu.
Era de costume que durante o jantar os familiares responsáveis pelo casamento queiram saber sobre o futuro noivo, o que não parecia nada desconfortável para Bruno, ao contrário de Elisa que parecia inquieta durante todo o jantar
" tem algo bem errado aqui, posso sentir."
Lorenzo toma um gole de vinho da taça, e ergue a frente encarando a taça logo em seguida, balança a taça em movimentos rotatórios leves, fala em um tom passivo.
- esse casamento será vital para nossas famílias, acredito que o senhor Rossi pense o mesmo.
Ele arqueia as sobrancelhas mostrando um sorriso simpático olhando em direção ao Bruno que estava comendo com postura firme, ele limpa a boca com o guardanapo, olha rápido para o relógio ponteiro atrás de Lorenzo, mantendo sua voz firme.
- sim, uma união, será uma união sagrada vital para a sociedade.
Elisa que até então estava comendo uvas, para e levanta o olhar atônita em direção ao pai.
Bruno encara de longe os lábios vermelhos e o pescoço da jovem, o que ele achava bem atraente em uma mulher, ela pensa um pouco, logo se pronunciou.
- concordo, mas acho importante o amor e o respeito.
Senhora Adelaide que estava quieta pois havia acabado seu jantar, refletia sobre a situação da família.
" Ah minha querida neta, um dia você entenderá".
- Veja bem, é uma tradição importante em nossa família.
Bruno complementa tentando ser compassivo com ela, que abaixa o olhar em direção às uvas no prato, ela não ousaria fazer contato direto com ele. - um casamento requer respeito, compreensão e confiança.
Lorenzo após tomar outro gole, pondo a taça na mesa, ele arruma sua postura com uma expressão serena. - concordo plenamente senhor Rossi.
Ela levanta seu olhar estreitando em direção à Bruno, que por sua vez estava degustando o vinho suave.
"ele está tranquilo demais para uma pessoa que iria se casar com uma desconhecida"
Mas ao contrário do que ela pensava, Bruno estava se manipulando todos ao redor, atuando calculista para que seu plano tivesse sucesso.
Elisa estava irritada sentindo-se oprimida e incapaz, sentindo uma faca atravessando seu peito desde o início.
- e o amor? Pessoas não deveriam se casar por amor? ela pergunta diretamente a Bruno, que a observa friamente já estando impaciente.
"Ela entenderá o lugar dela quando se tornar minha!" ele pensou.
Adelaide olhou para a postura indiferente de Elisa, a avó entendia os sentimentos da neta, pois viu qual ambiente a moça cresceu, um lugar cheio de amor, pois o casamento de Lorenzo e Isabella foi feito com base no amor que sentiam um pelo outro, ela não queria que fosse diferente para sua neta, mas a situação não era a mesma de antes.
- O amor vem após o casamento. Ela enfatizou colocando sua mão no ombro dela, porém teimosa, Elisa insiste. - mas em um casamento por amor trás maiores ideais e valores conjuntos, não é isso que importa?- Ela pergunta diretamente para Bruno, pela primeira vez ignorou as palavras de sua avó que ficou surpresa com tal atitude, jamais tinha agido dessa maneira, sempre foi muito educada com ela, sempre seguindo seus conselhos