📖 MARLA — A LOIRA QUE VOLTA DO INFERNO PARA ACENDER OUTRO A ladeira do morro nunca pareceu tão longa. A noite tava pesada, cheia daquela neblina fina que o morro solta quando tá prestes a sangrar. As janelas tremulavam com luz de TV velha, os becos respiravam fofoca, e o som da boca estalava lá no alto aquele ritmo seco de plástico sendo cortado, rádio chiando, vida pulsando no crime. Eu subi devagar. Não por medo. Mas porque eu queria que o morro me visse voltar. Queria que cada viela, cada janela, cada p**a que riu da minha cara pensasse: “A loira platinada tá diferente…” A peruca caía até minha cintura, brilho frio sob a luz fraca dos postes quebrados. A maquiagem era outra, o olhar também. Eu era a mesma mulher na certidão… Mas por dentro? Uma arma nova. No bolso, o radinho

