A noite tinha sido leve, agradável… cheia de risadas, histórias e aquele clima gostoso de amizade. O vinho foi se tornando companhia constante, e quando perceberam, já era tarde demais para voltar cedo.
Na volta para casa, Pablo e Sophia estavam em sintonia. Trocaram olhares cúmplices durante todo o caminho, como se o mundo ao redor nem existisse. Assim que entraram, o silêncio da casa foi preenchido apenas pela presença dos dois.
Ele a puxou pela cintura, e ela sorriu, já sabendo o que viria. O beijo foi lento no começo, carregado de carinho, e depois mais intenso, como se aquele momento fosse só deles. A conexão entre os dois parecia mais forte do que nunca.
Depois, deitados juntos, ainda próximos, Sophia fez um carinho no peito de Pablo e levantou.
— Vou tomar um banho… já volto — disse ela, com um sorriso suave.
Pablo assentiu, ainda envolvido naquele momento.
Assim que Sophia entrou no banheiro e o som do chuveiro começou, o silêncio tomou conta do quarto novamente. Foi então que o celular dela, que estava sobre a mesa ao lado da cama, acendeu com uma notificação.
Pablo olhou por alguns segundos… hesitou.
Mas a curiosidade falou mais alto.
Ele pegou o aparelho.
Na tela, uma mensagem de Mateus.
O coração de Pablo acelerou.
Ele abriu.
A mensagem era direta:
“Gostei muito de hoje… mas confesso que não consegui parar de reparar na Sophia.”
Pablo sentiu o corpo gelar.
Seus olhos ficaram fixos na tela, relendo aquelas palavras como se elas pudessem mudar.
Um misto de surpresa, incômodo e algo mais… talvez insegurança… começou a crescer dentro dele.
O som do chuveiro ainda ecoava no banheiro.
E, pela primeira vez naquela noite perfeita, Pablo já não se sentia tão tranquilo assim…
Pablo ficou alguns segundos olhando para a tela, ainda tentando entender o que tinha acabado de ler. Aquela mensagem não saía da cabeça.
Ele respirou fundo.
Sem pensar muito, apagou a conversa.
Colocou o celular exatamente no mesmo lugar, como se nada tivesse acontecido, e se recostou na cama. Quando Sophia saiu do banho, com os cabelos ainda molhados e aquele sorriso leve de sempre, ele tentou agir normalmente.
— Já deitou? — ela perguntou, se aproximando.
— Já… tô cansado — respondeu ele, forçando naturalidade.
Sophia deitou ao lado dele e encostou a cabeça em seu ombro. Ficaram em silêncio por alguns segundos, mas ela percebeu.
— Você tá estranho… aconteceu alguma coisa?
Pablo hesitou por um instante.
— Não… é coisa do trabalho — disse, desviando o olhar.
Ela o encarou por um momento, como se tentasse ler algo além daquelas palavras, mas acabou apenas assentindo.
— Tá bom… mas se quiser falar, você sabe, né?
— Sei.
Mas ele não falou.
E naquela noite, o sono não veio fácil.
Pablo ficou horas olhando para o teto, a mente repetindo aquela mensagem como um eco insistente. “Não consegui parar de reparar na Sophia…”
Cada palavra parecia ganhar mais peso com o passar do tempo.
Era só um comentário? Ou tinha algo por trás?
E Sophia… será que percebeu? Será que retribuiu?
Esses pensamentos começaram a corroer a tranquilidade que ele sentia até então.
Na manhã seguinte, ele levantou mais cedo que o normal. m*l tomou café direito. Sophia ainda tentou puxar conversa, mas ele estava distante.
— Você tem certeza que tá tudo bem? — ela insistiu.
— Tô, amor… só preocupado com umas coisas do banco.
Mas nem ele acreditava mais nisso.
No trabalho, a situação não foi melhor.
Pablo, que normalmente era centrado e resolvia tudo com facilidade, se viu disperso. Errou detalhes simples, perdeu o foco em reuniões e, várias vezes, se pegou encarando o nada.
A imagem de Sophia… e a mensagem de Mateus… não saíam da cabeça.
A desconfiança começou a crescer de forma silenciosa, mas constante.
E, pela primeira vez em muito tempo, Pablo sentiu que algo dentro dele estava começando a mudar… talvez não só em relação ao amigo, mas também ao casamento.
No dia seguinte, o telefone tocou logo pela manhã. Pablo olhou a tela e viu o nome de Mateus. Por um instante, pensou em não atender… mas acabou deslizando o dedo.
— Fala, irmão! — a voz de Mateus veio animada do outro lado. — Tô indo pra casa de praia hoje, pensei em vocês dois virem também. Vai ser bom, relaxar um pouco… o que acha?
Pablo ficou em silêncio por um segundo. A mensagem da noite anterior ainda ecoava na cabeça dele. A desconfiança não tinha ido embora.
Mesmo assim…
— Pode ser — respondeu, tentando soar normal. — Vou falar com a Sophia.
Quando contou a ela, Sophia sorriu na hora.
— Ah, eu topo! Vai ser ótimo sair um pouco.
Pablo apenas assentiu.
Horas depois, os dois já estavam a caminho. O clima no carro era tranquilo por fora, mas por dentro Pablo estava atento a cada detalhe, cada palavra, cada gesto.
Ao chegarem na casa de praia, foram recebidos por Mateus com a mesma energia de sempre. E, ao lado dele, estava a mesma mulher da noite anterior.
Bonita, confiante… chamava atenção com facilidade.
— Que bom que vieram! — disse Mateus, abraçando Pablo e depois Sophia.
A mulher sorriu.
— Prazer de novo — disse ela, olhando diretamente para Sophia.
Pablo observou tudo.
O jeito que Mateus olhava… o jeito que Sophia respondia… até o tom das conversas.
Nada parecia fora do normal.
E talvez fosse isso que mais o incomodava.
Durante a tarde, enquanto bebiam e conversavam perto da piscina, Pablo se manteve mais quieto. Seus olhos, porém, estavam sempre atentos.
Mateus fazia piadas, Sophia ria.
A mulher tocava no braço de Mateus, se aproximava dele com naturalidade.
Mas, em alguns momentos… Pablo teve a impressão de que o olhar de Mateus demorava um pouco mais em Sophia.
Talvez fosse coisa da cabeça dele.
Ou talvez não.
Sophia, por outro lado, parecia completamente à vontade, como sempre. Conversava, ria, se movimentava sem qualquer sinal de desconforto.
E isso só aumentava o conflito dentro de Pablo.
Ele queria confiar.
Mas a dúvida já tinha sido plantada.
E agora, ali, naquele cenário perfeito de sol, praia e risadas… Pablo não conseguia simplesmente relaxar.
Ele estava ali.
Presente.
Observando tudo.
Esperando, talvez, por algo que confirmasse… ou destruísse de vez aquilo que começava a crescer dentro dele.
A tarde foi passando devagar, com o som do mar ao fundo e o barulho das risadas preenchendo o ambiente. Tudo parecia perfeito… menos dentro de Pablo.
Ele segurava o copo, mas quase não bebia. Seus olhos iam de um para o outro o tempo todo.
Mateus falava, gesticulava, brincava… e Sophia ria com naturalidade. Aquela leveza dela, que antes o encantava, agora começava a incomodar.
Em um momento, Sophia levantou para ir até a cozinha pegar mais gelo. A mulher que estava com Mateus foi junto, dizendo que ajudava.
Ficaram só Pablo e Mateus na área da piscina.
Um silêncio curto, mas pesado.
— E aí… tá quietão hoje, hein — disse Mateus, dando um gole na bebida.
Pablo forçou um sorriso.
— Só cansado.
Mateus o encarou por um segundo, como se percebesse que tinha algo ali, mas não insistiu.
— Relaxa, cara… aproveita. Trouxe vocês pra isso.
Pablo assentiu, mas por dentro estava longe de relaxar.
Quando as duas voltaram, conversando e rindo, ele observou novamente. Reparou no jeito que Sophia se aproximava, no sorriso dela… e, por um instante, cruzou o olhar com Mateus.