No Jardim Atlântico, o ar era diferente. Não cheirava a pólvora, mas a dinheiro e a um poder limpo e institucionalizado. No último andar de um prédio comercial de fachada espelhada, Breno supervisionava seu império. A placa na porta dizia "Vértice Segurança e Consultoria", mas todos ali sabiam que o verdadeiro negócio era a extorsão. Ele estava no meio de uma ligação, os pés sobre a mesa de vidro, rindo de algo que um político lhe dizia, quando um dos seus homens, um ex-policial de rosto duro, entrou na sala sem bater. — Chefe, temos um problema. Breno ergueu uma mão, pedindo um momento. — Deputado, te retorno em cinco. — Ele desligou, o sorriso desaparecendo. — O que foi? — Deixaram uma entrega. Na calçada, lá na frente. Uma van velha, sem placa, havia parado por menos de dez

