Lá estava ele, o dono do morro Miguel del Rey, ainda com a camisa rasgada e ensanguentada, coberto de fuligem e sangue seco, mas de pé, segurando uma metralhadora pesada apoiada em uma caixa de munição improvisada. Um dos seus braços estava enfaixado, mas o olhar dele estava fixo no helicóptero da imprensa. — Não... Miguel, não faz merda, p***a! — Rebeca Diamantino exclamou sozinha, a voz ecoando pelo escritório silencioso. O som atravessou alto a televisão antes mesmo que a câmera captasse: uma rajada de metralhadora cortou o céu, os disparos riscando a fumaça que ainda subia das casas destruídas. — Aaaaah! — o grito de Lívia Corrêa acertou a alma de Rebeca durante a transmissão, alto e real, as palavras seguintes poderiam ser as últimas da repórter em vida. — O helicóptero está sen

