O celular de Miguel vibrava em sua mão suada. O olhar dele refletia a mesma chama incandescente que tremia nos céus. Os helicópteros rugiam como monstros metálicos acima do Morro do Príncipe, suas hélices cortando o ar da manhã. Ele inspirou fundo, endireitando os ombros. Tentava manter a compostura diante dos homens, diante das meninas, diante de si mesmo. Mas a verdade era clara: Heitor Diamantino não era um inimigo qualquer. Não era só um pai desesperado, mas um homem de guerra - e tinha acabado de transformar um morro inteiro em campo de batalha. Ainda segurava o celular no ouvido quando o som de outro helicóptero, diferente, mais leve, cortou o ar. — Caralho... — murmurou Dudu, correndo até a beirada do terraço. — Olha só essa p***a, já chegou os urubu da televisão. Do céu, um

