Capítulo 2

1001 Words
Rebeca recolheu a mão imediatamente e a limpou na sua blusa. — Não encoste em mim com essa sua mão suja de tráfico e essa boca que fuma maconha. A gente não fez nada de errado, só se perdeu por causa do puto do gps. Libera a gente. — Quem é o gostosão? — Carolina abraçou a amiga por trás. — Ele vai matar a gente? — Não se preocupa, Carol. Cão que ladra, não morde. Mas esse aí nem para latir presta. — Tá tirando uma com a cara do chefe? — O da metralhadora preparou a arma, as pessoas em volta se afastaram. — Tu tá ficando doida? — Abaixa a arma, Dudu — Miguel só precisou mandar uma vez e o da metralha se pôs no seu lugar. Denis também guardou seu revólver. — A gente quer nosso celular de volta — disparou Rebeca. — Os dois marginaizinhos pegaram. Isso e nosso carro. A gente vai embora, não chamamos a polícia e fingimos que nunca estivemos aqui. — Então você está negociando comigo? — Miguel sorriu, seus olhos brilhando de divertimento. — Você acha que está em uma boa posição para isso? — Sim, nós estamos com sono, estávamos indo para casa, não queremos nos envolver com nada de gangue que vocês fazem aqui. — Dudu e Denis — chamou Miguel. — Entreguem-me os celulares das meninas. — Tá na mão chefe — Denis entregou os dois iPhone para o chefe. — Esse é o seu? — ele mostrou um à Rebeca. — Sim, pode me devolver... Miguel jogou o celular no chão, sacou sua arma e atirou no dispositivo, que ficou fumaçando. Depois o homem guardou a arma tão rápido que foi como se não a tivesse tirado. — E esse é o seu? — O chefe do morro ergueu o celular da Carolina, que estendeu a mão para pegar. — Vai pegar. Ele arremessou o iPhone na piscina. Carol tentou ir pular, mas Rebeca a conteve. — Você deve se achar muito engraçado né, seu arrombado? Não havia necessidade disso. — Vai saber — ele deu de ombros. — É bem possível que alguém poderoso viesse bater à nossa porta, não é? Considerando quem é seu pai. — Ela é riquinha? — Denis quis saber. — É burguesinha, só o filé? — Dudu lambeu os beiços e esfregou as mãos. Outras pessoas se aproximavam para escutar a conversa. — Vamos entrar — chamou Miguel. — Conversar com mais privacidade. — Não. Fala o que você quer aqui mesmo — Rebeca segurou sua amiga firmemente para ela não se afastar. — Seja rápido e nos libere, queremos nosso carro. — Nada disso. O carro fica. É nosso agora. — Fala sério, ladrão. O que a gente fez demais? — Vocês entraram no meu morro — Miguel del Rey abriu os braços, um sorriso de dentes perfeitos no rosto, quase uma afronta. — Você pode andar para onde quiser em Paris, Dubai, Londres, Nova York, as cidades que sua laia é acostumada, mas no Rio de Fevereiro é assim. Você está no Brasil agora, esse pedaço de mundo é o meu pedaço de mundo. Ninguém entra ou sai sem a minha permissão, você está entendendo? — f**a-se — Rebeca deu de ombros. — Você não é dono do mundo, nem sequer de um pedaço de merda dele. A jovem cuspiu no chão, diante dos pés do chefe do morro. O barulho de várias armas sendo engatilhadas se ouviu, Carolina se tremeu toda, mas Rebeca não olhou ao redor, seus olhos azuis estavam presos nos verdes mar de Miguel. O homem de um e noventa de altura sorriu, olhando para baixo com a cabeça inclinada para o lado como se descobrisse uma criatura curiosa. — Gostei de você, Rebeca Diamantino — disse ele. — Como você sabe quem eu sou? — Reconheci na hora, mas pensei que era engano. Depois que você disse o seu nome e os meus vigias mandaram a foto do seu carro... só podia ser uma riquinha que pode limpar a própria b***a com um maço de dólares. — Nojento — Rebeca fez cara de nojo. — Não pega na minha b***a — resmungou Carolina, sem saber direito o que estava acontecendo. — Você não respondeu minha pergunta — insistiu a outra jovem. — Como um vagabundo como você o meu nome? — Porque eu a vi nas notícias — Miguel abriu o celular no i********: e mostrou uma postagem salva. A loira aparecia nas imagens de óculos escuros e cabeça baixa, roupa de grife e bolsa cara, sendo levada por dois polícias. Na matéria, lia-se: “Recém-chegada ao Brasil, filha de CEO da tecnologia é presa após ser acusada de roubo em shopping no Rio de Fevereiro.” Rebeca leu à notícia envergonhada. — Olha lá — Denis riu —, a patricinha bandidinha. — E atava se achando melhor que nós — Dudu riu mais ainda. — Isso foi um engano — defendeu-se a jovem. — Não — disse Miguel. — Nós dois sabemos que não foi. Você é bilionária, minha flor, fez isso porque gosta de emoção. Por isso foi para o baile funk em uma cidade que não conhece. — Mentira — Verdade, princesa — ele segurou o queixo dela com uma mão grande, que poderia esconder totalmente o rosto dela. — Quer emoção? Fica no meu morro. — Nunca que eu ficaria em meio a toda essa balbúrdia — ela bateu na mão dele e indicou os arredores, paredão de som, churrasco, mesas atoladas de cerveja. Gente brincando e dançando, transando em áreas mais escuras. — O que você chama de balbúrdia eu chamo de a melhor parte da vida — Miguel continuou sorrindo, provocando-a em cada sílaba. — Devolve meu carro, por favor, eu quero ir embora daqui. — Vocês não vão a lugar nenhum — o sorriso sumiu, seu rosto ficou sério, então pareceu um chefe de morro de verdade. — Levem as duas para dentro da mansão.
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