O sol ainda não havia dissipado por completo a neblina que cobria as ladeiras do Morro do Príncipe. A fumaça das granadas lançadas minutos antes ainda pairava no ar, dando ao cenário uma aura de guerra. Miguel del Rey estava na rua principal, ladeado por seus homens armados, todos atentos à movimentação. O barulho do motor ecoou, abafado pela tensão que se instalava. O carro preto subiu devagar, como se a cada metro avançado o motorista perdesse mais coragem. Quando finalmente parou diante do grupo, o homem atrás do volante tremia. Suava tanto que parecia ter corrido uma maratona. — Eu... eu só queria saber no que vocês estão me metendo — gaguejou, sem encarar Miguel diretamente. Heitor Diamantino, sentado ao lado da filha, abriu a porta com calma ensaiada, como se cada gesto fosse medi

