Capítulo 7

750 Words
Rebeca Diamantino se levantou de repente e se afastou, Carolina permaneceu ressonando alto, completamente apagada. — O que você está fazendo aqui? — Perguntou em um sussurro para não acordar a amiga. — Você disse que ninguém ia pisar aqui, daí você vem e faz isso? Qual é a tua, cara? — Não precisa se alvoroçar não, madame — Miguel del Rey mostrou as mãos, provando que não tinha nada para amordaçá-la ou subjugá-la. Considerando o seu tamanho, só as suas mãos seriam o bastante. — Não vim aqui por maldade, só queria ver se estava tudo bem. — Está sim. Pode ir. Não fica entrando assim do nada não, ô, assombração. — Por acaso a patricinha está se esquecendo que essa suíte é minha? — Mas suas convidadas estão aqui agora. E essa daí está pelada — apontou para Carolina. — Um movimento errado, ela tira os cobertores e se mostra como veio ao mundo. Sai daqui. Ou você está querendo ver, seu tarado? — Você não me irrite. — Vai fazer o quê? Ele levou a mão à cabeça e suspirou, exasperado. — Você não tem noção do perigo não é, menina — Miguel disse, quase em um sussurro. — Menina, não, pois já sou mulher — Rebeca ergueu o queixo. — E muito bem crescida, obrigado. Um paredão lá fora aumentou o som de repente e ela deu um pulinho ao sentir o grave bater. — Que susto. O dono do morro soltou um risinho baixo para não acordar Carolina. — Muito engraçado — a loira levou a mão ao peito, sentindo seus batimentos acelerados. — Por que não vai lá embaixo mandar desligarem essa bomba? — Não posso — ele disse, simplesmente, como se não mandasse em tudo. — Eu prometi uma grande festa quando estivesse de volta em casa. Agora não posso ir lá e mandar que parem com tudo. Embora eu tenha vontade. — Eles se esqueceram que em breve podem ser invadidos? — Indagou Rebeca, percebendo que, apesar da situação, queria manter uma conversa com ele. — É bom que esqueçam se conseguirem. Só por essa noite, não faz m*l. Eu cobro muito deles. Se alguém tem que perder a diversão por causa da guerra que está para começar, que seja eu. — Então você não consegue dormir por causa da preocupação — percebeu ela. — Fica antecipando o ataque e isso tem te deixado maluco. — Sendo sincero, sim. — E por que vocês não atacam primeiro? — Problema com nosso contrabandista de armas, não temos os melhores calibres para todo mundo, nem munição o bastante. Caso contrário, o Morro Peneirinha já seria meu. — E seus contatos internacionais? — Rebeca passou por cima de Carolina deitada no colchão no chão e se sentou na beiradinha da cama. — Não puderam fazer nada para ajudar? — Digamos que nossos homens lá fora são um pouco irresponsáveis — Miguel também caminhou até a sua cama e se sentou do lado dela, perto o bastante para sentir o seu cheiro. — É por isso que eu vivo viajando para resolver essas coisas, mas um bom príncipe sempre retorna para casa. — Com certeza — ela sorriu. A loira o analisou bem, olhos claros mesmo no escuro, atraindo qualquer pequena iluminação presente no ambiente. Seus lábios eram bem desenhados, o nariz, como se modelado a mão pelo próprio Criador, assim como seu maxilar quadrado. Ele ficava lindo com aquela barba, e também ficaria ótimo sem ela. E ficaria perfeito sem a roupa, ela não evitou o pensamento. — Sabe, seu dono do morro — Rebeca mordeu o lábio inferior, provocativa. — Está parecendo que o senhor não veio aqui para verificar se suas visitas estavam confortáveis. — Vim pelo o quê então? — Miguel a olhava com intensidade, um desejo quase palpável. — Veio só para flertar com a patricinha bandidinha, como chamaram aqueles seus vagabundos. — E se foi por isso? — Ele colocou a mão sobre a perna dela, fazendo arrepios correrem pelo seu corpo. Ela ficava molhadinha, de novo. — O que vai fazer sobre essa questão? — Bom... Ela nem teve tempo de pensar na resposta, um barulho mais alto do que o dos paredões veio lá de fora. Gritos começaram, uma agitação diferente se iniciou. Ouviram passos correndo pelos corredores e subindo as escadas. Três batidas fortes na porta do quarto. Miguel se levantou de repente e já estava diante dela. Rebeca engoliu em seco quando ele puxou a arma.
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