Capítulo 6

1103 Words
Rebeca Diamantino se viu extremamente preocupada consigo mesma. Quando esse sentimento nascia, era difícil de largar dele. Era uma sensação que não sentia há anos, desde que se entregara a alguém que a fez se arrepender de amar demais. Entretanto, aquilo não era amor, mas sim desejo, uma luxúria que ela desejava matar. Saciando-se, entregando-se a prazeres da carne que seu corpo pedia, transmitindo sinais elétrico pelo seu cérebro e seu corpo, liberando todo tipo de neurotransmissores e hormônios que a faziam querer uma coisa: f***r. Diante daquele homem, todo errado, mas perfeito, ela faria tudo, menos se entregar. — Pois vocês podem dormir no chão — disse Miguel del Rey —, porque eu não chegarei perto desses lençóis, nem para trocar ou jogar fora, seria mais fácil eu tacar fogo. — Que é isso? — Rebeca olhou com ar falso de chocada. — Faria isso com os seus próprios sobrinhos? Tem tanto espermatozoide aí que engravidaria até uma senhora de noventa anos. Miguel riu de verdade, ele ficou completamente desarmado. Carolina também riu. — Eu não entendi. — Calma, amiga. Quando você estiver de ressaca, eu explico. — Já que estão acomodadas — ele uniu as mãos. — Durmam bem. Eu vou trancar a porta por fora. — E os lençóis? — Já falei, durmam no chão. — De jeito nenhum — Rebeca não aceitaria mais esse desrespeito depois de ter seu carro e celular perdidos. Com uma ligação, poderia ter cinquenta de cada, o problema real era a humilhação. — Queremos pelo menos colchões e lençóis limpos. Você colocou seu ar-condicionado no volume “era do gelo”? — Por falar em volume — disse Carolina —, abaixa o volume do som, mano. — Obrigada — a loira ficou surpresa por ela finalmente ter dito algo relevante. Deu um beijinho na cabeça da morena. — E vocês se acham no direito de exigir tudo isso? — Ele ficou olhando para as duas, um sorrisinho de canto na boca. — Se eu fizer isso, poderei esquecer vocês pelo resto da noite? — Promete que ninguém vai pisar aqui enquanto a gente estiver dormindo? — Rebeca estava de fato preocupada sobre essa questão, mesmo que ele prometesse que na sua facção não tinha e**********s, ela achava que não conseguiria pregar os olhos à noite toda. — Eu durmo pelada — Carolina voltou ao modo bêbada s*******o de novo. — Agora não, filhinha — disse a loira. — Papai e mamãe estão conversando. — Está certo — Miguel decidiu com um sorrisinho quase irresistível. — Vou providenciar isso pelo conforto das madames. — Valeu, cara — Rebeca estava realmente grata. — Quando os “gambé” chegar na gente, vou dizer que vocês foram da hora. — Como você fala português tão bem? — Eu sou brasileira, fofo. Só tenho carinha de alemã mesmo, ou americana, como alguns dizem. A propósito, eu falo cinco línguas. Moy yazyk ochen' opyten. O dono do morro sorriu diante da surpresa. — YA khotel by znat' vash yazyk kak sleduyet — respondeu ele. — Eu falo seis. A loira ficou vermelha com a sua resposta. — Russo é a minha favorita — Miguel revelou. — E quanto a sua? — Nunca parei para pensar — Rebeca foi sincera. — Mas no dia que eu descobrir, com certeza virei de Paris correndo para te contar. — Se você não tivesse essa linguinha afiada, eu te ofereceria emprego como um dos nossos contatos internacionais. — Vocês têm contatos de fora aqui, nesse morro? — ela arqueou a sobrancelha. — Me engana que eu gosto. — Nossa rede não é pequena — disse Miguel. — Mas ainda não é o reino que eu quero. — Eu vou dormir — Carolina ameaçou se jogar na cama suja de fluídos corporais novamente. — Não, não — Rebeca a segurou. — Você disse que ia fazer o que mesmo, pequeno príncipe? — Eu vou providenciar os... Volto já — ele saiu andando apressado. — Dá um chá para ele, amiga — a morena falou. — Você está louca — ela não queria gostar, mas gostava da ideia. — Se você não der, eu dou. Para os dois gêmeos. — Amiga — a loira riu. — Você vai sentir tanta vergonha quando estiver sóbria. — Vou não. — Tenho certeza de que vai. Minutos depois descobriram que o “providenciar” de Miguel era mandar os dois marginais juvenis que as interceptou na rua fazer as coisas por ele. Dudu trouxe o colchão de casal e Denis, os lençóis branquinhos. — Tá aí, suas frescas — disse o primeiro. — Se vira aí com isso. Nós não vai arrumar pra vocês não. — Com nojinho da cama — o segundo também olhou para elas com desaprovação. — Cês nunca treparam não? — Se para você não tem problema — Rebeca não escutaria calada —, pega aqueles lençóis e lambe então, engole a p***a do teu segundo chefe. — Como é que é, piriguete? — Denis puxou um canivete. — Calma, rapazes — Miguel veio acompanhar o serviço. — Se terminaram, podem ir. E não quero ninguém brechando nossas convidadas, fiquem de olho no caminho pra cá. — Sim, chefe — responderam em uníssono, como se fossem outro par de gêmeos, e se retiraram. — Satisfeitas? — Indagou o homem. — Você vai me ver muito satisfeita quando eu estiver indo para casa — disse Rebeca. — É uma pena que não possam fazer isso — ele deu de ombros e saiu trancando a porta. — Ninguém as importunará — garantiu antes de descer as escadas. A loira soltou o ar pesadamente, sabendo que a noite ainda seria longa. Com uma ajuda grogue da amiga, Rebeca ajeitou o colchão e os lençóis de forma confortável no chão e ambas se deitaram para dormir. Carolina foi ligeira depois de se despir, coisa que Rebeca não conseguiu impedi-la de fazer. A loira, por sua vez, não conseguiu nem fechar os olhos, sua ansiedade a maltratava mais do que esperava que os marginais fizessem. Em determinada hora da madrugada, conseguiu cochilar um pouco, teve até sonhos fragmentados dos quais esqueceu imediatamente ao acordar. Nesse instante, seu coração quase saiu pela boca ao olhar para a porta do quarto. Na escuridão, viu a silhueta de um homem alto. Miguel estava no quarto. *Nota: Rebeca falou em russo: “Minha língua é muito experiente”. Miguel respondeu: “Eu gostaria de conhecer sua língua apropriadamente”. Como as traduções foram obtidas direto do google tradutor, provavelmente estejam imprecisas e poderão passar por revisão futura.
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