Episódio 2

1258 Words
— Essa não é a Selene? Selene estava usando um vestido de estilista. Ela parecia mais elegante do que quatro anos atrás. Os seus dedos estavam curvados em torno da mãozinha de uma criança da mesma idade dos trigêmeos de Adriana. — Sra. Ferrera, Santiago, por aqui, por favor. Os guarda-costas disseram educadamente. — Nunca mais vou pegar esse trêm. É nojento e cheio de gente indesejável. Declarou Selene, cobrindo o nariz com o lenço em sinal de desdém. — Sim, sim. Se não fosse pelo tempo, o Sr. Ferrera não teria deixado você e Santiago sofrerem. Os guarda-costas escoltaram Selene e o menino até um carro. Selene e seu filho eram tão arrogantes que nem olharam ao redor. Por isso, não notaram Adriana na multidão. — O que está acontecendo? Perguntou a Sra. Fresno, reconhecendo Selene e exclamando: — Essa não é sua prima? Ela se casou com o Sr. Ferrera? — Acho que sim. Enquanto a comitiva dos Ferrera se afastava, Adriana lembrou-se da promessa de Hector. Ele disse que eu seria sua única esposa nesta vida. Mas agora, ele se casou com a minha prima. Eles têm até um filho desse tamanho! Lágrimas arderam nos olhos de Adriana e o seu nariz começou a queimar. — Mamãe, o que foi? Quando as crianças viram os olhos vermelhos de Adriana, as três a cercaram e expressaram a sua preocupação. — Estou bem. Enxugando as lágrimas, Adriana ajoelhou-se e as abraçou. — Mamãe, não fique triste. Quando eu crescer, vou comprar um carrão para você. Assim você não terá mais que sofrer. Sugeriu Roberto, o seu filho mais velho. Ele achava que ela estava chateada porque alguém a havia intimidado. — Mamãe, quem te incomodou? Deixa eu dar uma surra neles. Patrick, o segundo menino, sacudiu os punhos adoravelmente e bufou. Diana, a caçula dos trigêmeos, esfregou a bochecha na de Adriana e a consolou. — Mamãe, não chore!" "Não chore! Não chore! De repente, uma cabeça verde surgiu do bolso de Diana. Era de um papagaio de bochechas rechonchudas que olhava ao redor com curiosidade. — Não, eu não vou chorar. Adriana respirou fundo e sorriu. — Então vamos para casa? — Sim, vamos! Adriana beijou cada um deles antes de jogar a mochila de volta sobre o ombro e sair para chamar um táxi. Ela costumava ser uma rica herdeira com uma comitiva aonde quer que fosse, mas agora tinha que esperar na fila por um táxi com a Sra. Fresno e seus filhos, sem mencionar a pesada bagagem. Como não cabiam todos em um táxi, a Sra. Fresno teve que pegar um só para ela. O céu estava escuro, sinalizando a aproximação de uma tempestade. Na esperança de evitá-la, o taxista acelerava pela estrada quando, de repente, bateu num Rolls Royce à frente. O rosto do motorista empalideceu instantaneamente e ele saiu do táxi para avaliar a situação. Adriana que estava sentada no banco do passageiro, olhou pela janela, franzindo a testa. Era um Rolls Royce Phantom de edição limitada. Havia apenas três no País C e trinta e cinco no mundo todo. Mesmo que fosse apenas um pequeno arranhão, o taxista teria que compensá-lo com uma quantia significativa de dinheiro, o que poderia levá-lo à falência. O conflito seria um incômodo e poderia se prolongar. Olhando para cima, Adriana percebeu que o céu estava cinza e sombrio. A tempestade estava prestes a chegar a qualquer momento. Ela não queria que seus filhos se molhassem na chuva, especialmente Diana, que era fisicamente frágil desde muito pequena. A menina certamente pegaria um resfriado se fosse pega pela chuva. — Roberto, Patrício, Diana, fiquem no carro. Vou descer e ver o que está acontecendo. Disse Adriana aos filhos antes de sair do táxi. — Mamãe, cuidado! Gritaram as crianças em uníssono. Fifi, o papagaio, colocou a cabeça para fora do bolso de Diana novamente, curioso. Diana deu-lhe um pequeno beijo e acariciou suavemente a sua cabeça fofa. — Fifi, aguenta firme. Já vamos chegar em casa. — Senhor, me desculpe. Não bati no seu carro de propósito. Explicou o taxista, nervoso. — Foi culpa da passageira. Ela tem três filhos e muita bagagem. O meu táxi está sobrecarregado, então acabei batendo no seu carro sem querer. Ao ver Adriana, ele apontou imediatamente para ela. — A culpa é sua! — Hã? Por quê? Adriana estava prestes a retrucar quando o vidro do Rolls Royce baixou. — Deixa pra lá. O presidente está ocupado! Disse o homem no banco do passageiro, lançando um olhar para Adriana. — Sim! O homem de terno assentiu e disse ao taxista para dirigir com cuidado da próxima vez antes de partir. Adriana instintivamente olhou para o banco de trás do Rolls Royce quando o motorista abriu a janela. Para seu espanto, viu um homem seminú, de costas para ela. Um corte profundo serpenteava por suas costas, e o sangue pingava sobre a tatuagem de cabeça de lobo na parte inferior das costas. Tatuagem de cabeça de lobo? A tatuagem de cabeça de lobo! Os olhos de Adriana se arregalaram em descrença. Ela encarou a tatuagem, sem palavras, com o coração na boca. O lobo feroz a olhava, os olhos brilhando em vermelho vivo por causa do sangue do homem, o olhar sedento de sangue. É ele! É ele mesmo! — Saia da minha frente! O taxista deu um empurrão violento em Adriana, fazendo-a cair no chão. Quando ela olhou para cima novamente, o Rolls Royce havia desaparecido. Ela sentiu a cabeça latejar enquanto encarava a estrada. — Era ele quem estava no carro? O pai das crianças? Ele não era um gigolô do Encanto Nocturno? Por que ele estava num carro tão caro com aquele ferimento horrível? — Ei, por que você empurrou a minha mãe? Patrício cerrou os punhos com raiva para o taxista. — Garoto, pare de gritar comigo. Se não fosse por vocês, eu não teria tido tanto azar. Praguejou o taxista. — Você estava em alta velocidade antes de bater naquele carro. Retrucou Roberto, em tom de deboche. — Como os seus passageiros, não somos responsáveis ​​pelo seu erro! Você infringiu a lei de trânsito. Podemos registrar uma queixa contra você. — Sim, você agrediu a mamãe. Vou pedir à polícia para prendê-lo. Diana fez beicinho, furiosa, e apontou para alguém no meio da rua. — Tem um guarda de trânsito ali! Fifi, que estava no seu ombro, gritou imediatamente. — Guarda de trânsito! Guarda de trânsito! — Que incômodo! Saia! Eu me recuso a levá-los adiante. O taxista abriu o porta-malas e jogou a bagagem no meio da rua antes de ir embora furioso. — Ei! Como você pôde fazer isso? Adriana juntou a sua bagagem desajeitadamente e levou as crianças para o acostamento. Enquanto isso, o homem no banco de trás do Rolls Royce, Dante Licano, olhou para cima e deu uma olhada no retrovisor. — Aquela mulher me parece familiar. Onde já a vi antes? — Sr. Licano, vou aplicar a anestesia agora! Disse o médico que cuidava do ferimento. — Não é necessário. O homem lia uma pasta na sua mão. O seu ferimento sangrava bastante, mas isso não o incomodava em nada. — Hum, isso pode doer um pouco. Vou dar pontos no seu ferimento. Franzindo a testa, o médico começou a suturar o ferimento. Como não havia anestesia, o médico estava mais nervoso do que o normal. A pele bronzeada do homem brilhava intensamente à luz. Os seus músculos contraíram-se com uma dor imensa, mas sua expressão permaneceu inalterada.
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